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'Vou sair do governo limpo como eu entrei', diz Ibaneis sobre repasses da J&F a seu escritório

2026-03-24 - 16:00

O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), se manifestou, na manhã desta terça-feira (24), sobre os repasses feito pelo grupo J&F, que controla o banco digital PicPay, ao escritório de advocacia que leva o seu nome. Informativos da empresa feitos pelo Banco Santander ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e enviados à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS apontam pagamento de R$ 1 milhão ao escritório quatro dias após o GDF cadastrar o PicPay para oferecer crédito consignado para servidores. "Não existe nada de errado no contrato firmado pelo escritório. A prestação de serviço está lá, os processos são públicos, com procuração juntada nos autos. Você pode ter certeza: vou sair do governo limpo como eu entrei", afirmou Ibaneis Rocha à TV Globo. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 DF no WhatsApp. O governador disse ainda que o contrato firmado entre o GDF e o PicPay foi feito por meio de chamamento público. "Não escolhemos um para prestar esse serviço. abrimos um chamamento público e várias empresas se cadastraram. Não queiram misturar uma coisa com a outra que é o que infelizmente vem fazendo parte da imprensa ruim", completou. Segundo a Secretaria de Economia, atualmente, o contrato para oferecer crédito consignado para servidores está sob análise do Tribunal de Contas do DF e, por isso, está suspenso. O grupo J&F afirmou, em nota, que "não há qualquer relação entre eventuais pagamentos ao escritório e ações do Governo do Distrito Federal" e que o escritório de Ibaneis Rocha defende o grupo em mais de 500 processos (veja íntegra no fim da reportagem). O escritório Ibaneis Advocacia e Consultoria reforça que presta serviços para o grupo em "centenas de ações judiciais em múltiplas esferas" e que preza "pela atuação técnica e pelo respeito à legislação nacional". Repasses Ibaneis Rocha TV Globo/Reprodução Entre outubro de 2024 e outubro de 2025, o escritório Ibaneis Advocacia e Consultoria recebeu R$ 34 milhões da J&F em 15 operações. A informação consta em informativos da empresa feitos pelo Banco Santander ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e enviados à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. De acordo com os dados informados pelo banco, os primeiros pagamentos feitos ao escritório de advocacia apontam um padrão: no começo de cada mês, a J&F enviava R$ 1 milhão. Além disso, há um pagamento de R$ 5 milhões no meio do mês de dezembro de 2024. R$ 1 milhão em 04/10/2024; R$ 1 milhão em 07/11/2024; R$ 1 milhão em 04/12/2024; R$ 5 milhões em 16/12/2024; R$ 1 milhão em 06/01/2025. Entre outubro de 2024 e outubro de 2025, o escritório Ibaneis Advocacia e Consultoria recebeu R$ 34 milhões da J&F em 15 operações. Meu INSS Vale+ O contrato com o GDF foi o embrião do que, meses depois, se tornou o programa Meu INSS Vale+ – lançado pela Previdência Social em dezembro de 2024. Entretanto, o programa não durou muito e foi encerrado menos de um ano depois, em agosto. 🔍 O Meu INSS Vale+ permitia antecipar parte dos benefícios e auxílios permanentes pagos pelo INSS para cobrir gastos emergenciais de aposentadores e pensionistas. A expectativa do INSS era beneficiar 38 milhões de pessoas. A decisão de encerrar o programa foi tomada após uma denúncia da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) ao INSS apontar: que a modalidade não tinha respaldo jurídico para funcionar; que o PicPay cobrava taxas sobre os valores antecipados pelos aposentados e pensionistas, o que não era previsto na instrução normativa que criou o programa. A cobrança da taxas chegava a consumir de R$ 4,99 a R$ 20,99 da antecipação. No processo de antecipação dos benefícios, o interessado precisava se cadastrar no PicPay, atrelar a conta bancária aos dados da Previdência Social e solicitar os adiantamentos. "Esse programa não tem previsão de desconto na lei, não tem nenhuma forma de sustentabilidade, até mesmo pela questão do autoendividamento. Se tirar mais R$ 450 dele, ele não tem dinheiro para sobreviver ao final do mês. É um programa que não tem previsibilidade", afirmou o presidente do INSS, Gilberto Waller, durante depoimento à CPMI do INSS em fevereiro de 2026. Gilberto Waller Júnior, que substituiu Alessandro Stefanutto no comando do INSS , foi quem decidiu suspender e, posteriormente, cancelar o programa em agosto de 2025. Em janeiro deste ano, o INSS rescindiu o Acordo de Cooperação Técnica (ACT) com o PicPay. O que diz a Secretaria de Economia do DF "A Secretaria de Economia (Seec-DF) informa que firmou um termo de compromisso com o PicPay com o objetivo de oferecer aos servidores e empregados públicos distritais uma alternativa de antecipação salarial sem cobrança de juros. O modelo proposto, operacionalizado por meio do aplicativo do próprio PicPay, permite a antecipação de parte da remuneração, com posterior desconto em folha de pagamento. O valor antecipado é devolvido diretamente no contracheque, sem incidência de juros. No momento, o modelo está sob análise do Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF), especialmente no que se refere à sistemática de desconto em folha. Diante disso, a Secretaria decidiu suspender temporariamente novos adiantamentos até que haja um posicionamento do órgão de controle." O que diz a J&F "Caso os relatórios mencionados pela reportagem existam, configuram um grave crime de quebra ilegal de sigilo bancário que as autoridades competentes têm o dever de investigar. O escritório mencionado defende o grupo em mais de 500 processos, há mais de uma década. Não há qualquer relação entre eventuais pagamentos ao escritório e ações do Governo do Distrito Federal e a reportagem faz uma ilação baseada em informações que não sustentam essa tese." O que diz o escritório Ibaneis Advocacia e Consultoria "O escritório Ibaneis Advocacia e Consultoria, o qual conta com mais de trinta anos de atuação íntegra e de reconhecido comprometimento técnico, prestou e presta serviços advocatícios para o referido grupo em centenas de ações judiciais em múltiplas esferas. O escritório, ao longo das últimas décadas em que defendeu direitos fundamentais, já representou milhares de pessoas físicas e jurídicas, sempre prezando pela atuação técnica e pelo respeito à legislação nacional, inclusive ao dever legal de confidencialidade imposto aos advogados. Registra-se o repúdio à tentativa de criminalizar a advocacia, sem a qual não há de se falar em Estado Democrático de Direito." Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.

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