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Votação 'em globo': entenda termo usado por Dino em decisão que anulou quebra de sigilo de Lulinha

2026-03-06 - 07:13

Filho de Lula fez 1,5 mil transações bancárias e movimentou R$ 19,5 milhões entre 2022 e 2026, revela quebra de sigilo Jornal Nacional/ Reprodução Na decisão que estendeu a anulação de quebras de sigilo aprovadas pela CPMI do INSS para Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), citou diversas vezes o termo "votação em globo". O termo "em globo" é utilizado quando parlamentares analisam os itens previstos na pauta de votação de forma conjunta, ou seja, sem votar cada item separadamente. A prática é comum nas votações no Congresso Nacional e ocorre — normalmente — quando há consenso entre os parlamentares na votação. Na decisão desta quinta-feira (5), Dino afirmou que "assim como um Tribunal não pode quebrar sigilos bancários de empresas e cidadãos com decisões 'em globo' e simbólicas (em uma espécie de 'olhômetro'), um órgão parlamentar não pode fazê-lo". A sessão da CPMI do INSS que aprovou quebra de sigilo do filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi marcada por confusão e empurra-empurra (veja mais abaixo). O ministro do Supremo também usou a expressão 'votação simbólica' na decisão. A votação que quebrou o sigilo de Lulinha foi realizada de maneira simbólica. ➡️A votação simbólica é um processo de votação que os parlamentares se manifestam fisicamente. O presidente da sessão, ao anunciar a votação, convida os parlamentares a favor da matéria a permanecerem sentados, devendo os que se posicionam contrariamente se manifestarem, o que se dá, normalmente, pelo ato de levantar um braço. Esse é um método de votação em que não há contagem da quantidade exata de votos, mas sim uma análise do panorama de votos (pessoas em pé, mãos levantadas) visualmente. Outra forma de os parlamenates analisarem as matérias é a votação nominal, processo ostensivo em que o voto de cada parlamentar é registrado. 🔎A sessão da CPI não poderia ter votação nominal, com cada parlamentar dizendo seu voto, no momento em que analisavam os requerimentos de quebra de sigilo, porque um pedido de votação nominal ocorreu anteriormente. O regimento interno prevê uma diferença de 1h entre um pedido de votação nominal e outro. Na decisão desta quinta, Dino ainda afirma que a CPMI "deve, se desejar, proceder à nova deliberação das quebras de sigilo em relação a todos os alcançados pela equivocada votação 'em globo' e imotivada do dia 26 de fevereiro de 2026". Sessão marcada por confusão No dia 26 de fevereiro, a comissão aprovou a quebra de sigilo bancário de um dos filhos do presidente Lula, Fábio Luís Lula da Silva. A sessão, comandada pelo presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), foi marcada por confusão. GIF parlamentares brigam na CPI do INSS Reprodução ➡️O filho do presidente Lula entrou na mira de parlamentares da oposição após a Polícia Federal (PF) apreender trocas de mensagens entre Antônio Carlos Camilo Antunes, o "Careca do INSS", e uma empresária com possíveis menções a ele. Durante a reunião, o presidente da CPMI deu início a uma votação simbólica dos requerimentos pautados em globo. E destacou que suplentes não teriam direito a voto Os parlamentares a favor deveriam permanecer sentados, enquanto os contra se levantaram para se manifestar. Viana fez a contagem em voz alta, e alegou que seriam sete votos, desconsiderando suplentes. Após a votação, governistas se aproximaram da mesa para protestar diante do resultado, momento em que começou o tumulto. Alguns socos foram desferidos durante a confusão. CPI do INSS aprova quebra de sigilo bancário de filho de Lula e acaba em briga Os parlamentares da base do governo afirmam que a contagem foi feita de forma incorreta e que eles tinham 14 votos contrários à quebra dos sigilos. Parlamentares que ameaçavam brigar, inclusive, tiveram de ser separados. Entre os envolvidos no empurra-empurra estão o deputado Rogério Correa (PT-MG), o relator Alfredo Gaspar (União-AL), os deputados Evair de Melo (PP-ES) e Luiz Lima (Novo-RJ). Membros da base do governo no Congresso questionaram a decisão do presidente da CPMI e recorreram à presidência do Senado, mas o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP) rejeitou o pedido e manteve a decisão da comissão.

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