Vorcaro vai delatar operadores acima dele no esquema de fraudes bancárias, dizem interlocutores
2026-03-26 - 12:50
O banqueiro Daniel Vorcaro vai entregar, no mês de abril, sua proposta de delação à Polícia Federal (PF) e à Procuradoria Geral da República (PGR). O relatório vai tratar, não só de ministros do STF e políticos, mas também de operadores que estariam acima dele no esquema. Segundo investigadores, pelo menos duas pessoas estariam acima do banqueiro no esquema financeiro que usava fundos para inflar patrimônio do Master e desviar recursos. Além disso, Vorcaro terá de "esclarecer" as relações dele com dois ministros do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. Gilmar anula quebra de sigilo do fundo Arleen, ligado a Toffoli O ministro nega qualquer tipo de irregularidade e diz que não há nada novo para ser revelado sobre ele, além da venda de parte do resort da família de Toffoli para um fundo ligado ao Master. Já em relação a Alexandre de Moraes, a avaliação é que ele tinha, de fato, uma proximidade com Vorcaro, principalmente depois de ele contratar o escritório de advocaria da mulher do ministro por R$ 3,6 milhões mensais. Mas, segundo investigadores, "não haveria nada, até o momento", indicando que Alexandre de Moraes tomou alguma medida que tenha resultado em benefício concreto ao banqueiro. Sobre o envolvimento de políticos com o dono do Master, as investigações estariam mostrando que alguns líderes partidários expandiram seus negócios, antes focados em emendas parlamentares. Passaram a fazer operações financeiras ilegais por meio do esquema do Banco Master. Vorcaro vai tratar disso em sua proposta de delação. Depois de formalizada a proposta de colaboração premiada, PF e PGR vão decidir se acatam ou não, podendo pedir ajustes e acréscimos. O passo seguinte, se a delação for aprovada pelos dois órgãos, é a homologação, que tem de ser feita pelo ministro relator do inquérito do Master, André Mendonça. Vorcaro é transferido para penitenciária em Brasília Reprodução TV Globo