VÍDEO: câmeras registram casal de jaguatiricas, onças e lobo-guará em parque de MT
2026-03-05 - 20:13
Armadilhas fotográficas capturam onças e animais silvestres em MT As primeiras imagens registradas por câmeras de monitoramento instaladas no Parque Nacional da Chapada dos Guimarães foram divulgadas nesta quarta-feira (4) pelo Instituto Impacto. Os registros mostram animais silvestres, como onça-pintada, onça-parda e lobo-guará, circulando pela mata e evidenciam a diversidade de espécies do Cerrado mato-grossense. No vídeo, além das onças e do lobo-guará, também é possível ver gavião-de-penacho, um casal de jaguatiricas, anta, tamanduá-mirim, tatu-canastra e tamanduá-bandeira, entre outros (assista acima). As imagens foram captadas por equipamentos conhecidos como armadilhas fotográficas. Ao todo, o projeto conta com 84 câmeras distribuídas em 42 pontos de monitoramento dentro do parque. Em cada estação foram instaladas duas câmeras, posicionadas para registrar os dois lados das onças. Isso ocorre porque o padrão de manchas desses animais é único em cada indivíduo, semelhante a uma impressão digital, o que permite identificar e acompanhar cada animal nas pesquisas. Ao g1, o presidente e coordenador do instituto, Paul Raad, explicou que o trabalho tem como foco áreas onde há conflitos entre humanos e grandes felinos. “O Instituto [...] nasce justamente para atuar onde há vulnerabilidade, buscando soluções que permitam a continuidade das atividades humanas com responsabilidade e garantindo a conservação dos grandes carnívoros. [...] Estudar as onças também é uma forma de avaliar a saúde do próprio parque", relatou. Segundo Raad, os registros devem ajudar os pesquisadores a estimar a densidade e a abundância de onças na região, um dado que ainda não era conhecido desde a criação do parque. As pesquisas científicas são realizadas em parceria com a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), a Universidade Estadual Paulista (Unesp) e a Universidade de São Paulo (USP). Os estudos envolvem áreas como saúde animal, genética e monitoramento de fauna. A savana mais biodiversa do planeta Registro de pegadas encontradas no Parque Nacional da Chapada dos Guimarães Fábio Fernandes Teixeira O Cerrado é considerado a savana mais biodiversa do mundo e abriga mais de 1.500 espécies de animais vertebrados, incluindo grande parte dos mamíferos brasileiros. O bioma também concentra nascentes que abastecem importantes bacias hidrográficas do país. A presença de predadores de topo da cadeia alimentar, como onça-pintada, onça-parda e lobo-guará, é considerada essencial para manter o equilíbrio ambiental. Em uma das imagens registradas pelas câmeras, os pesquisadores também identificaram um gavião-de-penacho, espécie considerada rara. Pressões sobre o parque De acordo com o presidente do Instituto, a escolha do parque para a pesquisa também levou em conta as pressões ambientais enfrentadas pela região. Segundo ele, a área sofre influência da expansão urbana, da mineração e do avanço de atividades rurais, além da proximidade com a capital mato-grossense, Cuiabá. “Há registros de caça ilegal, mineração ilegal dentro do Parque Nacional, uso irregular da área por motos, expansão urbana no entorno, além do avanço da agricultura”, explicou. Pesquisas no Pantanal Além do Cerrado, o instituto mantém atividades no Pantanal, com base instalada na Pousada Piuval, localizada no município de Poconé. No local, funciona um centro de pesquisa com laboratório e núcleo voltado à coexistência entre humanos e grandes predadores. A região registra conflitos frequentes entre onças-pintadas e produtores rurais. Ainda segundo a instituição, as ações incluem orientação a fazendeiros, pequenos proprietários e comunidades tradicionais, como ribeirinhos, para reduzir prejuízos e evitar a morte dos animais. Armadilhas fotográficas registram onças, lobo guará e muito mais Reprodução