VÍDEO: Bomba de fragmentação lançada pelo Irã fura teto de sala de apartamento em Tel Aviv; 2 morrem
2026-03-18 - 13:10
Irã lança bombas de fragmentação em direção a Tel Aviv Irã novamente fez uso do armamento conhecido como "bomba de fragmentação" nesta quarta-feira (terça-feira, 17, no Brasil). Duas pessoas morreram em Tel Aviv por conta do ataque, segundo autoridades israelenses. Segundo a TV estatal iraniana, mísseis carregando esse tipo de explosivo foram direcionados a Tel Aviv como retaliação à morte de Ali Larijani, chefe do Conselho Supremo de Segurança do Irã e um dos homens mais importantes do regime iraniano. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Um vídeo registrou as bombas cruzando os céus de Tel Aviv (veja acima). ➡️ As forças militares de Israel têm acusado o regime iraniano de usar mísseis de fragmentação nos ataques contra seu território desde o início da guerra. Há uma convenção de 2008 que proíbe o uso desse tipo de munição, mas nem Israel, nem Irã são signatários — e não se veem obrigados a segui-la. Os ataques deixaram duas pessoas mortas, além de cinco pessoas feridas, segundo os serviços de emergência das áreas atingidas. Os mortos eram um casal de idosos que estava em um prédio alvejado pelas bombas em Ramat Gan, um subúrbio de Tel Aviv. Segundo o jornal israelense "Haaretz", eles não conseguiram chegar a tempo ao bunker do edifício. Os ataques com bombas de fragmentação também deixaram outras cinco pessoas feridas nas cidades de Kafr Qasem, Petah Tikva e na cidade de Bnei Brak. Israel, por sua vez, já usou diversas vezes munições de fragmentação contra o Líbano, em guerras que se estenderam de 1978 a 2006 — no último confronto contra o grupo extremista Hezbollah, em 2024, autoridades libanesas também apontaram fortes indícios do uso desses mísseis pelos israelenses. O que são munições de fragmentação? EUA anunciam o envio de bombas de fragmentação, capazes de grande destruição, para a Ucrânia Jornal Nacional/ Reprodução As munições de fragmentação — também conhecidas como "cluster munition" — são armamentos projetados para se abrir no ar e liberar várias submunições sobre um território extenso. Essas pequenas bombas têm como alvo principal áreas amplas, podendo atingir simultaneamente soldados, veículos e infraestruturas. De acordo com o Comitê Internacional da Cruz Vermelha, elas foram usadas pela primeira vez durante a Segunda Guerra Mundial. Há, ainda de acordo com o mesmo comitê, uma grande proporção de munições de fragmentação estocadas — heranças da Guerra Fria. O uso em áreas civis é considerado extremamente perigoso, já que muitas submunições não explodem no momento do impacto e permanecem ativas no solo — funcionando como minas terrestres, o que significa que elas podem ferir ou matar civis anos após o fim dos conflitos. Por que elas são tão criticadas? Devido à ampla dispersão e à falha de detonação de parte das submunições, as bombas de fragmentação são consideradas por organizações internacionais como uma das armas mais letais para civis. Em 2008, mais de 110 países assinaram, em Dublin (Irlanda), a Convenção sobre Munições Cluster — um tratado internacional que proíbe o uso, desenvolvimento, armazenamento e transferência desse tipo de armamento. O acordo estabelece que os países signatários se comprometem a nunca: utilizar munições de fragmentação; desenvolver, produzir, adquirir ou manter esse tipo de arma, de forma direta ou indireta; colaborar ou incentivar qualquer ação que contrarie os termos do tratado. Nem Israel, nem Irã são signatários do tratado. As crianças são especialmente vulneráveis às bombas de fragmentação, atraídas por sua aparência de brinquedo Legacies of War Potências militares como Estados Unidos, Rússia e Ucrânia também não aderiram à convenção e, por isso, não estão legalmente vinculadas às suas restrições. O Brasil também está fora da lista de signatários. Em 2017, um relatório da organização Human Rights Watch denunciou o uso de bombas de fragmentação de fabricação brasileira em ataques a escolas no Iêmen, realizados dois anos antes por uma coalizão liderada pela Arábia Saudita. Na ocasião, Steve Goose, diretor da divisão de armas da Human Rights Watch e presidente da Coalizão Contra Munições Cluster, criticou duramente a postura brasileira. “O Brasil deve reconhecer que munições cluster são armas proibidas que nunca devem ser fabricadas, enviadas ou usadas devido aos danos que causam a civis”, afirmou. Ele também apelou para que tanto o Brasil quanto a coalizão saudita se unam ao tratado. Arsenal de Israel e Irã Segundo a ONG Landmine and Cluster Munition Monitor, Israel usou munições de fragmentação pela última vez em 2006, em combates no sul do Líbano, contra o Hezbollah. O país teria continuado a produzir esse tipo de armamento até 2018. Além de vender para outros países, a ONG acredita que Israel ainda possui grandes estoques desse tipo de armamento em seu prórprio arsenal. Ela não atesta o uso destes em ataques contra o território libanês em 2024, como denunciado por Beirute. A Landmine and Cluster Munition Monitor diz que também não conseguiu verificar de forma independente o uso dos mísseis de fragmentação do Irã em 2025, e não faz menção aos ataques deste mês. Em junho passado, a Anistia Internacional criticou o uso desse tipo de munição por Teerã. Com informações da Reuters.