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Ultraprocessados podem afetar desenvolvimento do embrião e reduzir fertilidade em homens, mostra estudo

2026-03-25 - 07:20

Aditivos alimentares e ultraprocessados Freepik O consumo excessivo de alimentos ultraprocessados não só pode levar à redução na fertilidade em homens, como afeta o desenvolvimento do embrião. ➡️Isso é o que aponta uma nova pesquisa da Sociedade Europeia de Reprodução Humana e Embriologia publicada na revista científica "Human Reproduction". 👉Segundo o Guia Alimentar para a População Brasileira, produtos ultraprocessados são "formulações industriais à base de ingredientes extraídos ou derivados de alimentos (óleos, gorduras, açúcar, amido modificado) ou sintetizados em laboratório (corantes, aromatizantes, realçadores de sabor, etc.)". Entre os principais exemplos desses alimentos estão as bolachas, salgadinhos e refrigerantes. VEJA TAMBÉM: Governo reduz o emprego de processados e ultraprocessados na merenda escolar Muito associados a um estilo de vida não saudável, ganho de peso e até alta no risco de desenvolvimento de doenças crônicas e câncer, o estudo alerta que esse classe de alimentos também pode causar prejuízos à fertilidade do homem e da mulher. Celine Lin, doutoranda no Erasmus University Medical Center e primeira autora do estudo, analisa que o consumo dos produtos não esteve ligado ao risco de infertilidade ou ao tempo para engravidar, mas influenciou no desenvolvimento embrionário. "Observamos que o consumo de ultraprocessados nas mulheres [...] foi associado a um crescimento embrionário ligeiramente menor e a um tamanho reduzido do saco vitelino na sétima semana de gravidez", detalha. De acordo com a autora, essas diferenças no desenvolvimento inicial humano pode parecer pequenas, mas são importantes do ponto de vista da pesquisa e em nível populacional. Já no caso dos homens, os resultados mostraram que o maior consumo de ultraprocessados esteve relacionado a um alta no risco de subfertilidade e a um tempo mais longo até a gravidez. ➡️Em 2025 um outro estudo já havia alertado que uma dieta rica nesse tipo de alimento poderia afetar a produção e a qualidade do esperma. "Nossos achados sugerem que uma dieta com baixo teor de ultraprocessados seria melhor para ambos os parceiros, não apenas para sua própria saúde, mas também para as chances de gravidez e a saúde do bebê", afirma a pediatra Romy Gaillard, líder do estudo. LEIA TAMBÉM: Ultraprocessados 'saudáveis' aumentam desejo de comer e podem dificultar processo de emagrecimento; entenda Menos feijão, mais doenças: queda no consumo do alimento coincide com avanço de doenças crônicas no país Qualidade da alimentação e gravidez Na pesquisa, o grupo analisou dados de 831 mulheres e 651 parceiros homens incluídos em um estudo populacional que acompanha os pais desde antes da concepção até a infância dos filhos. Os pesquisadores avaliaram a dieta dos pais por meio de um questionário aplicado no início da gravidez, por volta de 12 semanas. O consumo médio de ultraprocessados foi de 22% na dieta das mulheres e 25% na dos homens. Também foi aplicado outro questionário para coletar informações sobre tempo até a gravidez, fecundabilidade e subfertilidade. O comprimento do embrião e o volume do saco vitelino foram avaliados por meio ultrassons transvaginais ao longo da gestação. "Nosso estudo mostra pela primeira vez que o consumo de ultraprocessados em homens e mulheres está associado a desfechos de fertilidade e ao desenvolvimento humano inicial", destaca Gaillard. Ultraprocessados afetam coração e esperma mesmo sem excesso de calorias, diz estudo Limitações e próximos passos do estudo Por se tratar de um estudo observacional, ele mostra somente associações e, segundo os pesquisadores, não pode provar, necessariamente, uma relação de causa e efeito direta entre o consumo de ultraprocessados e esses desfechos na fertilidade. "Mais pesquisas são necessárias para replicar nossos achados em diferentes populações e investigar os possíveis mecanismos biológicos por trás desse efeito", reforça a líder do estudo. Um dos objetivos do grupo é entender, também, se as diferenças iniciais observadas têm consequências para o nascimento, crescimento e desenvolvimento das crianças. Os autores defendem que a pesquisa mostra que é necessário pensar de forma mais ampla sobre fertilidade e início da gestação e entender que o saúde e estilo de vida dos pais desempenham um papel fundamental nesse processo.

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