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Trump aprovou ataque ao Irã após Netanyahu defender assassinato de Khamenei, diz agência

2026-03-23 - 19:00

Menos de 48 horas antes de o Irã ser atacado, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, conversou por telefone com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Na chamada, o premiê israelense afirmou que havia uma oportunidade de matar o então líder supremo do Irã, Ali Khamenei. Os detalhes foram revelados pela agência Reuters nesta segunda-feira (23). Os dois líder já sabiam, com base em relatórios de inteligência, que Khamenei e aliados próximos estavam prestes a se reunir em um complexo em Teerã. A avaliação era de que o grupo estaria vulnerável a um “ataque de decapitação” — operação voltada a eliminar a cúpula de um país. A ligação aconteceu após novas informações indicarem que a reunião iraniana havia sido antecipada para a manhã de sábado, 28 de fevereiro, e que haveria uma janela curta para matar Khamenei. Até então, a conversa por telefone entre Trump e Netanyahu não havia sido revelada. Segundo três fontes com conhecimento da conversa ouvidas pela Reuters, Netanyahu argumentou que talvez não surgisse outra oportunidade para matar Khamenei e também mencionou tentativas anteriores atribuídas ao Irã de assassinar Trump, incluindo um suposto plano em 2024. Naquele momento, Trump já havia aprovado a ideia de uma operação militar contra o Irã, mas ainda não tinha decidido quando e em que condições os EUA participariam diretamente, disseram as fontes, sob anonimato. Nas semanas anteriores, os EUA reforçaram a presença militar na região. Dentro do governo, a avaliação era de que a questão não era mais “se”, mas “quando” o ataque aconteceria. Uma data anterior chegou a ser considerada, mas foi descartada por causa de condições climáticas. A Reuters não conseguiu determinar o peso exato dos argumentos de Netanyahu na decisão final. Mas, segundo as fontes, a ligação funcionou como um último apelo e ajudou Trump a autorizar a operação, chamada Epic Fury. Netanyahu argumentou que Trump poderia entrar para a história ao ajudar a eliminar a liderança iraniana. Disse ainda que a população poderia reagir nas ruas e derrubar o regime teocrático no poder desde 1979. A reportagem da Reuters indica que Netanyahu não forçou a decisão, mas atuou como um defensor influente. O argumento de eliminar um líder que, segundo os EUA, apoiou planos para matar Trump teria sido particularmente persuasivo. As primeiras bombas caíram na manhã de 28 de fevereiro. Naquela noite, Trump anunciou que Khamenei estava morto. A Casa Branca não comentou diretamente a ligação revelada pela Reuters, mas afirmou que o objetivo da operação era destruir a capacidade de produção de mísseis balísticos do Irã, neutralizar a Marinha iraniana, impedir o apoio a aliados regionais e garantir que o país não obtenha armas nucleares. Na semana passada, Netanyahu negou que Israel tenha arrastado os EUA para o conflito. “Alguém realmente acha que dá para dizer ao presidente Trump o que fazer?”, afirmou. Trump também disse publicamente que a decisão foi exclusivamente dele. No início de março, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, sugeriu que a operação também teve motivação de retaliação. “O Irã tentou matar o presidente Trump, e Trump deu a última palavra”, disse.

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