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Tartarugas atropeladas por embarcações fazem acupuntura para voltar ao mar, no ES; acidentes batem recorde

2026-03-26 - 07:20

Tartarugas fazem até acupuntura na reabilitação para voltar ao mar As tartarugas marinhas que são resgatadas no litoral do Espírito Santo contam com um novo aliado na luta pela sobrevivência: a acupuntura. A técnica milenar está sendo utilizada para acelerar a recuperação de animais debilitados e atropelados por embarcações, além de aliviar dores de traumas graves. O uso desse tratamento foi itensificado, motivado por uma triste estatística. O verão de 2026 bateu recorde na quantidade de animais atropelados por embarcações na Baía de Vitória, que é uma área de proteção ambiental, conhecida como Baía das Tartarugas. 📲 Clique aqui para seguir o canal do g1 ES no WhatsApp Os animais feridos no litoral também passam por tratamento a laser e fisioterapia durante as etapas de reabilitação. Somente em janeiro deste ano, 14 animais morreram após colisões. No total, 16 tartarugas foram atingidas em 2026 (até março) e nenhuma sobreviveu aos ferimentos iniciais. Desde 2024, o Instituto de Pesquisa e Reabilitação de Animais Marinhos (Ipram) vem monitorando o número de tartarugas vítimas de atropelamentos por embarcações. Desde então, já foram contabilizados 57 casos no estado. Tartarugas fazem até acupuntura na reabilitação para voltar ao mar no Espírito Santo Viviane Lopes/g1ES LEIA TAMBÉM: DE COURO: Tartarugas gigantes são monitoradas via satélite SOBREVIVENTE: Tartaruga monitorada há 37 anos é a mais velha desovando no Brasil Papel da acupuntura na reabilitação Para os animais que conseguem chegar vivos ao centro de tratamento em Vila Velha, na Grande Vitória, cada agulha aplicada na acupuntura representa uma chance a mais de retorno ao mar. A veterinária Isabela Hatakeyama explicou que o foco é reduzir o sofrimento e estimular o organismo a se fortalecer e regenerar as feridas. "Principalmente na questão de dor, e aí alguns outros pontos podem fazer também uma estimulação e ajudar essa tartaruga que foi atropelada a se recuperar com mais rapidez", afirmou Isabela. O tratamento é silencioso e delicado. Segundo os especialistas, a acupuntura pode ser decisiva para que o animal volte a se alimentar e recupere os movimentos fundamentais no processo de soltura. E isso é fundamental para que ela retorne ao habitat natural e sobreviva. Especialistas tratam tartarugas resgatadas com laser no ES Reprodução/TV Gazeta Alé da acupuntura, os profissionais do centro de reabilitação também usam outros métodos para a recuperação das tartarugas. Uma delas é uma terapria a laser. Os animais são submetidos a uma luz azulada que ajuda a recuperar o corpo, auxiliando na cicatrização de feridas. Isso tudo se soma também à fisioterapia, para fortalecer músculos que auxiliarão as tartarugas a retornar para o mar e nadar sozinhas novamente. Marcas de hélices e 'corrida contra o tempo' As imagens dos animais resgatados este ano revelam a violência dos impactos no mar. Cortes repetitivos e profundos nas carapaças e crânios. O padrão das lesões diferencia o ataque natural da intervenção humana. O raio X feito no animais resgatados mostra a profundidade da lesão na cabeça. As imagens retratam como esse encontro entre tartarugas e embarcações muitas vezes pode ser fatal. "O animal, quando ele é predado, ele vai ser mordido por um peixe muito grande, por um tubarão em vários locais. A hélice não. Ela tem uma repetição que a gente consegue ver e falar: 'Ó, isso aqui foi interação com humano, foi hélice, ou foi, enfim, outra pancada'. Que, às vezes, podem ocorrer, infelizmente", detalhou o coordenador veterinário do Ipram, Leandro Egert. Tartarugas apresentam marcas de hélices de embarcações na carapaça Divulgação/Ipram Vulnerabilidade na 'Baía das Tartarugas' Luis Felipe Mayorga, diretor do Ipram, ressaltou que a Baía de Vitória possui uma das maiores concentrações de tartarugas-verdes da América Latina, mas o casco do animal é frágil para a velocidade dos motores. "É um animal que foi desenvolvido para resistir à mordida de tubarão, né? Para resistir a traumas. Só que ele não está preparado para isso, que é uma embarcação com mais de toneladas. Mesmo pequenas embarcações são pesadas quando em alta velocidade", explicou Luis Felipe. A gravidade do impacto depende do local atingido. Na porção dianteira da carapaça, o risco de óbito é quase imediato por atingir o pulmão. Já lesões na cabeça, embora severas, permitem uma sobrevida maior, pois o cérebro é protegido por ossos e tecidos não vitais. Tartarugas fazem raio-x, acumpuntura e carinho no Espírito Santo Reprodução/TV Gazeta Fiscalização e Esperança A Capitania dos Portos informou que abordou 3.829 embarcações durante a Operação Navegue Seguro no Espírito Santo, com três notificações por excesso de velocidade na Grande Vitória. Para a equipe do Ipram, que lida diariamente com a fragilidade desses animais, o sucesso de um tratamento é motivo de forte emoção. "A gente vê esses animais que levaram uma pancada na cabeça, ele conseguir fechar aquela ferida, ele voltar a se alimentar. É um degrauzinho que ele vai pisando ali para chegar à soltura. Então, cada degrauzinho ali é uma vitória para a equipe inteira, né? Então, a gente fica muito emocionado, muito feliz", conclui Leandro Egert. Tartarugas são cuidadas por especialistas no Ipram, no Espírito Santo Reprodução/TV Gazeta Número de tartarugas atropeladas por embarcações aumenta no verão no ES Vídeos: tudo sobre o Espírito Santo Veja o plantão de últimas notícias do g1 Espírito Santo

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