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Técnica morta por caminhonete de filha de capitão da PM teve múltiplas fraturas, diz laudo

2026-03-26 - 13:40

MP pede investigação de PM que não acionou perícia e liberou filha de capitão em acidente O exame de corpo de delito da técnica em enfermagem Patricia Melo da Silva revelou múltiplas fraturas e traumatismo craniano profundo. Ela morreu após ter a moto atingida pela caminhonete conduzida pela estudante Amanda Kathryn Monteiro de Souza, de 19 anos, filha de um capitão da Polícia Militar (PM), em Boa Vista. O acidente ocorreu no dia 4 de fevereiro deste ano, na avenida Ville Roy. Ferida, Patricia chegou a ser levada ao hospital, mas não resistiu e morreu cerca de duas horas após o acidente. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 RR no WhatsApp Os laudos contrariam a avaliação feita no local da batida pelo cabo Fernando Cordeiro Ledo, de que "se tratava de lesão corporal". Ele foi o responsável pelo atendimento da ocorrência, não fez teste de bafômetro em Amanda, não acionou a perícia e liberou a motorista ainda no local. Violência do impacto da batida O exame consta no inquérito policial do caso, ao qual o g1 teve acesso, e detalha a violência do impacto sofrido por Patricia. A vítima teve fraturas nas costelas, no crânio, inchaço no cérebro e lesões na cabeça. A causa oficial da morte foi traumatismo cranioencefálico grave associado ao trauma no tórax. O prontuário médico confirma a condição crítica da técnica de enfermagem e também divergiu da percepção inicial da polícia na rua. Patricia deu entrada na sala de reanimação do Hospital Geral de Roraima (HGR) às 00h46 do dia 5 de fevereiro e precisou ser intubada imediatamente. Poucos minutos depois, o quadro se agravou e a paciente sofreu paradas cardíacas. A equipe médica tentou reanimação com medicamentos e massagem cardíaca, mas a morte foi confirmada às 01h37. Patricia Melo da Silva morreu aos 53 anos, após ser atingida por caminhonete dirigida por estudante filha de capitão da PM em Boa Vista. Reprodução Falhas no atendimento da ocorrência O MP de Roraima pediu a abertura de um inquérito policial militar e de procedimento administrativo para investigar a conduta do cabo da Polícia Militar Fernando Cordeiro Ledo. Ele afirmou em depoimento que considerou “não ser necessário” acionar a perícia no local do acidente que terminou com a morte de Patricia. A estudante e motorista da caminhonete, Amanda Kathryn Monteiro de Souza, usou a influência do pai para receber tratamento diferenciado após o acidente fatal, segundo depoimento de testemunhas à Polícia Civil. Segundo os depoimentos, a jovem afirmou aos policiais que era "filha de capitão da polícia", o que teria levado a equipe da Polícia Militar a alterar a cena do crime, não acionar a perícia e liberá-la sem o teste do bafômetro. Uma delas disse ainda que, após a frase, os agentes mudaram de postura. "Um policial olhou para a cara do outro e pouco depois um virou de costas e passou a mexer no telefone celular". A testemunha ainda relatou ter visto Amanda fazer uma videochamada para uma tia no local. Segundo o depoimento, Amanda disse à tia que havia bebido, mas que tinha sido cedo. A testemunha disse que achou que o teste do bafômetro iria ser solicitado naquele momento, mas isso não aconteceu. O relato é semelhante ao de outra testemunha ouvida pela polícia, que contou ter ouvido Amanda falar ao telefone: "Tia, eu bebi, mas foi pouco e foi cedo" e "o meu pai não quer enviar o dinheiro do guincho". A testemunha afirmou ainda que foi o próprio cabo da PM, Fernando Cordeiro Ledo, de 39 anos, responsável pela ocorrência, quem ordenou que uma terceira pessoa desse marcha a ré na caminhonete, para desenganchá-la da moto, o que alterou a posição dos veículos. No boletim de ocorrência, a guarnição registrou que a perícia não foi acionada porque os veículos já haviam sido removidos do local. No entanto, trecho da investigação da Polícia Civil, mostra que "pelos vídeos e fotos colhidas na cena do acidente, dá para perceber que a motocicleta ficou presa no para choque da S10 envolvida". O que dizem os citados Em nota, a defesa de Amanda informou que "a estudante Amanda permaneceu todo tempo no local, visando prestar socorro a vítima, aguardando as determinações dos agentes de segurança". Também disse que "Ela mesmo [Amanda] se prontificou em fazer o exame. Mesmo assim, os vídeos publicados em rede social deixam claro que ela não tinha qualquer sinal de embriaguez." Procurado, o cabo orientou a reportagem a procurar a assessoria da PM, que informou que a equipe responsável pelo atendimento da ocorrência realizou os levantamentos necessários para o registro do fato ainda no local. Afirmou que ouviu os policiais envolvidos e disponibilizou os esclarecimentos à PC, e ressaltou que a Corregedoria instaurará procedimento para apurar a conduta dos agentes. O cabo também tirou foto do cenário do acidente "pois entendeu que mesmo sem perícia poderiam ajudar na compreensão da dinâmica dos fatos". Ele acrescentou que hoje entende que deveria ter acionado a perícia mesmo assim. À época, a PM registrou o caso como "sinistro de trânsito com vítima". Amanda Kathryn ficou em silêncio ao prestar depoimento à Polícia Civil. A Polícia Civil informou que o inquérito policial "encontra-se em fase final de conclusão e que "ausência de realização de perícia no local do acidente também está sendo analisada no âmbito da investigação." Filha de capitão da PM Amanda é filha do capitão da PM Helton John Silva de Souza, envolvido no assassinato do casal de agricultores Flávia Guilarducci, de 50 anos, e Jânio Bonfim de Souza, de 57, por disputa de terras no município do Cantá. Amanda Monteiro é filha do capitão da PM Helton John Silva de Souza Reprodução Nesta terça-feira (24), o governo de Roraima instaurou um Conselho de Justificação para apurar a conduta ética e moral do capitão da PM Helton John Silva de Souza, investigado por envolvimento no assassinato do casal de agricultores Flávia Guilarducci e Jânio Bonfim. O crime ocorreu em abril de 2025. Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.

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