Suspeita de montar evento de luxo com nome de grife europeia criou personagem portuguesa para enganar vítimas, diz polícia
2026-03-20 - 10:30
Suspeitos de dar golpe de R$ 4 milhões com evento de luxo usando nome de grife são presos A suspeita apontada como líder de um grupo de estelionatários que estava montando um evento fictício de luxo usando o nome de uma famosa grife europeia criou uma personagem para enganar as vítimas, segundo a Polícia Civil. O suposto baile de máscaras aconteceria no Centro de Cultura, Esporte e Lazer (CEL) da OAB-GO, em Aparecida de Goiânia. Mas tudo não passava de uma farsa, segundo a delegada Lara Soares, responsável pela investigação. A líder do grupo era Mayara Cristina Constantino Machado, de 33 anos, que se apresenta nas redes sociais como consultora de imagem e estilo. De acordo com Lara, para convencer as vítimas de que tudo era verdade, a suspeita criou uma personagem fictícia, chamada Fran de Pierre, uma portuguesa que morava em Paris, que seria funcionária da marca francesa e responsável pelas contratações do serviço para a festa no Brasil. "Na verdade, não existia festa nenhuma, não existia contratação nenhuma porque não existia essa pessoa", disse Lara. ✅ Clique e siga o canal do g1 GO no WhatsApp O g1 procurou a defesa de Mayara, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. Sobre o evento que aconteceria no CEL, a Caixa de Assistência dos Advogados de Goiás (Casag/OAB) lamentou o ocorrido e disse que se solidariza com eventuais vítimas (leia a íntegra da nota ao final da reportagem). O evento de luxo estava sendo organizado no CEL-OAB, em Aparecida de Goiânia. À dir., o perfil de Mayara no Instagram Divulgação/ PCGO e Reprodução/ Perfil do Instagram de Mayara Cristina Constantino LEIA TAMBÉM Três pessoas suspeitas de montar evento de luxo usando nome de grife famosa para aplicar golpe de R$ 4 milhões são presas em Goiânia VÍDEO: Técnica de enfermagem denuncia golpe na compra de veículo em Aparecida de Goiânia Golpes com carros de luxo: operação sequestra cerca de R$ 1 milhão e cumpre mandados de prisão em Goiás e mais dois estados Para fazer as vítimas acreditarem que tudo era verdade, Mayara criou emails em nome dessa "Fran de Pierre", que ela enviava para si própria, com mensagens ora em português, ora em francês. Em seguida, ela encaminhava esses emails para os fornecedores alvo do esquema. Segundo a polícia, o grupo estava atuando em duas frentes: na organização do falso evento, cujos fornecedores tiveram um prejuízo estimado em pelo menos R$ 4 milhões, e no convite às pessoas para essa festa, mediante a compra de supostas bolsas da grife. A polícia não divulgou o nome da marca. "Nós temos vítimas dos dois lados: as que produziram todo o evento e as vítimas que foram convidadas, mas na verdade para elas serem convidadas, elas tinham que comprar uma bolsa da marca", explicou a delegada. Marido e cunhada envolvidos Os três suspeitos do esquema foram presos pelo Grupo Especializado em Repressão ao Estelionato e outras Fraudes (GREF), da Delegacia Estadual de Investigações Criminais (DEIC), na quarta-feira (18), quando eles saíam de casa, na capital goiana. Os outros integrantes do grupo são o marido de Mayara e a cunhada dela, irmã dele. A polícia não divulgou as suas identidades. Segundo a delegada, a prisão foi necessária porque as investigações apontaram para um risco real de fuga. Mayara é paraense, mas mora em Goiânia há cerca de três anos. O marido, que recebia o dinheiro do esquema, foi servidor público federal, mas pediu exoneração do cargo, de acordo com a delegada. O casal está junto há cerca de oito anos. "A gente ainda vai apurar se ela só usava as contas dele ou se ele realmente tinha envolvimento. Pelo que a gente viu, pode ser que sim, porque ele participou de algumas reuniões com os produtores (do evento)", detalhou. Mayara Cristina Constantino Machado dizia ser consultora de imagem e estilo e vendia bolsas de grife como convite a uma festa fictícia Reprodução/ Perfil do Instagram de Mayara Constantino e Divulgação/ PCGO Consultora de imagem e estilo Segundo a delegada, Mayara usava o seu perfil no Instagram para abordar as vítimas, tanto para vender as supostas bolsas da marca quanto para convidá-las para o evento, que aconteceria no próximo sábado, 21 de março. O luxo do baile seria tanto que, segundo Lara, a estimativa era que ele custaria cerca de R$ 12 milhões e teria até shows de cantores sertanejos famosos. O perfil do Instagram de Mayara possui mais de 7 mil seguidores. Nele, a suspeita se define da seguinte forma: "um perfil que não foca em te ensinar a se vestir de forma elegante, mas, sim, de forma autêntica e intencional". Segundo a delegada, até agora foram identificadas em Goiás seis vítimas em relação ao falso evento e uma em relação à venda das supostas bolsas da marca que dariam direito ao convite para a festa. Essa pessoa, porém, passou à DEIC uma lista de convidados que seriam potenciais vítimas do Pará, estado-natal de Mayara. "E ela também já morou no Paraná. Tudo indica, pelo que a gente apurou, que pode haver outras vítimas nesses outros estados, principalmente considerando esse fato de que ela vendia bolsas e não entregava. Existe até um grupo chamado 'vítimas de Mayara". Até o momento, o trio deve responder pelo crime de estelionato, mas a polícia investiga se houve outros crimes, como associação criminosa e crime contra a propriedade imaterial, ou seja, relacionado a direitos autorais e industriais de uma marca. Leia a íntegra da nota da Caixa de Assistência dos Advogados de Goiás – Casag/OAB-GO: "O contrato celebrado pela Caixa de Assistência dos Advogados de Goiás (Casag/OAB) previa a locação do salão de festas do Centro de Cultura, Esporte e Lazer (CEL) e dos pátios de estacionamento A e B, com 350 vagas disponíveis, para evento a realizar-se no dia 21 de março de 2026, com público limitado a 400 participantes. A Casag não divulga valores de locação por razões comerciais e de confidencialidade. A Casag/OAB lamenta o ocorrido e se solidariza com eventuais vítimas". 📱 Veja outras notícias da região no g1 Goiás. Segundo a polícia, o grupo estava atuando em duas frentes: na organização do falso evento cujos fornecedores tiveram um prejuízo estimado em pelo menos R$ 4 milhões, e no convite às pessoas para essa festa, mediante a compra de supostas bolsas da grife. A polícia não divulgou o nome da marca.