Supermercados podem fechar aos domingos a partir de abril, em Goiás; entenda
2026-03-02 - 17:53
Supermercados de Goiás podem fehcar aos domingos a partir de abril Divulgação/Bretas Os supermercados de Goiás podem passar a fechar aos domingos a partir de abril, dependendo do acordo que houver entre os estabelecimentos comerciais e os trabalhadores. Além da folga aos domingos, o sindicato que representa os funcionários pede a redução da jornada semanal de 40 para 36 horas. A negociação acontece em meio às discussões no Congresso Nacional, em Brasília, sobre o fim da escala 6x1, em todo o país. Em entrevista ao g1, os representantes do Sindicato dos Empregados no Comércio Varejista de Gêneros Alimentícios do Estado de Goiás (Secom-GO) e Sindicato do Comércio Varejista de Gêneros Alimentícios no Estado (Sincovaga-GO), que representa os patrões, informaram que as negociações estão sendo realizadas neste mês para que a decisão que for acordada passa valer a partir de 1o de abril, data-base da categoria. ✅ Clique e siga o canal do g1 GO no WhatsApp Para entrar em vigor, a proposta segue o seguinte trâmite: Proposta: o sindicato que representa os trabalhadores envia uma minuta com os pedidos para o sindicato que representa as empresas; Contraproposta: as empresas devolvem, em outro documento, chamado "contraminuta", no qual estão os pontos com os quais concorda; Assinatura: Se houver acordo, o documento é assinado e passa a valer a partir da data-base (abril). Se não houver acordo, restará à categoria apenas os acordos coletivos por empresa ou grupo de empresas. José Nilton Carvalho, procurador jurídico do Secom-GO, explica que a mudança pode beneficiar cerca de 45 mil funcionários em todo o estado. Ele afirma que o sindicato pretende enviar a minuta com a proposta até a próxima sexta-feira (6). "Para que do dia 25 ao dia 30 de março, as duas diretorias e os dois departamentos jurídicos (dos dois sindicatos) sentem, reúnam-se e assinem uma convenção coletiva", afirmou. Veja os vídeos que estão em alta no g1 O superintendente do Sincovaga-GO, Alessandro Jean Pereira de Faria, afirma que não pode adiantar como serão os votos dos quase 17 mil estabelecimentos comerciais associados em Goiás, incluem supermercados, empórios e outros que vendem alimentos. Ele adianta, porém, que extraoficialmente praticamente todos os empresários do setor são contrários à mudança. "A gente se preocupa muito com o consumidor porque ele é o nosso alvo. A dona de casa trabalha de segunda a sábado. Domingo é quando ela faz a compra da semana, ela arruma a casa...", afirmou. José Nilton, por outro lado, diz que o movimento do sindicato apenas reforça uma discussão que está acontecendo em todo o país. "O Congresso Nacional está apaixonado em querer aprovar a redução da jornada e o fim da escala 6x1. É fato público e notório. Todo mundo sabe", afirmou. Foco é também atrair a geração Z Outro motivo alegado pelo Secom-GO para propor a mudança é o que o sindicato chama de "inércia" da mão de obra jovem, principalmente a Geração Z (pessoas que nasceram entre 1995 e 2009). José Nilton afirma que essa geração "passa longe" do supermercado enquanto local de trabalho. Só na Região Metropolitana, há, segundo ele, um déficit de 7 mil trabalhadores porque o setor não consegue preencher as vagas. "Com a redução para 6 horas e com fechamento aos domingos, nós vamos atrair (essa geração)... nós queremos contratar não 7 mil, mas 12 mil no estado", afirmou. Alessandro Jean, por sua vez, diz que não há reclamações por parte dos empresários que corroborem esse suposto quadro. "Essa diferenciação de horário existe há muito tempo em todos os segmentos. Então, afirmar que na nossa categoria falte mão de obra (por causa disso) é a mesma coisa que falar que falta mão de obra para trabalhar nos shoppings", argumentou. Caso os dois sindicatos entrem em um consenso até o dia 30 de março, o fechamento aos domingos deve começar a valer no dia 10 de abril. José Nilton explica que o prazo de dez dias é para que as empresas ajustem as suas escalas. Se não houver consenso, o caminho deve ser mais complicado e mais lento para a proposta ser aprovada, de acordo com José Nilton. "Nó estamos fazendo de tudo para que a assembleia das empresas aprove essa minuta. Caso contrário, nós vamos ter que ir através dos acordos coletivos, que é mais trabalhoso", detalhou. 📱 Veja outras notícias da região no g1 Goiás.