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Sobrevivente de tentativa de feminicídio que está escondida no PR perde formatura, mas envia carta à cerimônia: 'Ele não venceu'

2026-03-09 - 07:13

Carta enviada por Sayonara para ser lida na cerimônia de formatura, em Apucarana. Unespar Sayonara Doraci da Silva sobreviveu a uma tentativa de feminicídio em fevereiro deste ano, em Apucarana, no norte do Paraná. Mais de um mês depois do crime, o ex-companheiro dela, Ademar Augusto Crepe, permanece foragido. Neste período, a vítima se formou em Administração na Universidade Estadual do Paraná (Unespar). ✅ Siga o canal do g1 Londrina e região no WhatsApp Escondida para se manter em segurança, Sayonara não pôde receber o diploma de forma presencial durante a cerimônia de formatura, mas se fez presente por meio de uma carta. No texto, Sayonara lamenta a ausência e relata que o ex-companheiro não foi mais localizado desde a data do crime (10 de fevereiro). Ela também recorda que, mesmo sob o medo causado pela violência, venceu a faculdade. "Persisti quando o mundo me dizia que bastava apenas sobreviver", escreveu na carta. Veja os vídeos que estão em alta no g1 A carta foi lida pela professora Carine Maria Senger antes da entrega dos diplomas. Em entrevista ao g1, a docente contou que, em 18 anos na instituição, aquela foi a primeira vez que vivenciou uma situação semelhante. A professora recebeu o texto algumas horas antes da cerimônia, que aconteceu no dia 27 de fevereiro, e lembra do "sentimento contraditório", como classificou, de tristeza pela ausência da aluna e honra por poder representá-la. Carine conheceu Sayonara no curso e foi coordenadora de projetos de pesquisa e extensão dos quais a vítima participou. "Inclusive cheguei a pensar que talvez não conseguisse fazer a leitura durante a cerimônia. Foi um momento de muita emoção", disse ao g1. A Unespar publicou uma nota de apoio a Sayonara, citando que a mulher rompeu um ciclo de violência violência e buscou, "por meio da educação, a construção de um projeto de vida autônomo". O g1 tenta localizar a defesa de Ademar Augusto Crepe. Leia a carta escrita por Sayonara na íntegra: Gostaria muito que estas palavras fossem ditas por mim, olhando nos olhos de cada colega, professor e familiar. Mas hoje, minha voz chega até vocês através deste papel, porque a minha presença física me foi roubada. Formo-me hoje, mas não posso subir ao palco. Enquanto celebramos o fim de um ciclo acadêmico, eu enfrento o auge de um ciclo de injustiça. Não estou aí porque o homem que tentou apagar a minha luz e a vida do meu filho caminha Iivre. Minha ausência nesta festa não é uma escolha, é reflexo da falha de um sistema que ainda obriga a vítima a se esconder enquanto o agressor desfruta da liberdade. Mas quero que saibam: ele não venceu. Este diploma que carrega o meu nome é a prova de que, mesmo sob a sombra do medo e da violência, eu não parei. Estudei entre medos e traumas. Escrevi trabalhos enquanto protegia meus filhos. Persisti quando o mundo me dizia que bastava apenas sobreviver. Aos meus colegas, peço que celebrem também por mim. Que o meu lugar vazio hoje – representado pela professora Carine – sirva de lembrança de que a nossa profissão deve ajudar a construir um mundo onde nenhuma mulher precise faltar à própria vitória para garantir o direito de continuar viva. Eu venci a faculdade. Eu venci a silêncio. E, junto com meus filhos, continuarei vencendo todos os dias. O meu corpo não está aí, mas a minha conquista é gigante – e ninguém pode tirá-la de mim. Estudar não é rebeldia. Estudar é um ato de resistência. Viva a universidade pública. Viva a UNESPAR. Leia também: VÍDEO: cães são soltos na rua por clínica veterinária do PR, e prefeitura diz que procedimento segue lei 'Como se estivesse bêbada': Criança de 4 anos ingere álcool em gel em creche do Paraná e caso vai parar na polícia Atualização: Paranaenses deixam Dubai depois de dias presos em transatlântico durante bombardeios no Oriente Médio O crime Sayonara tem uma medida protetiva contra o marido. No dia 10 de fevereiro, o carro que ela dirigia foi interceptado por uma caminhonete, em Apucarana. Com o impacto, o carro em que Sayonara estava com o filho foi jogado contra um poste de iluminação pública. A estrutura de concreto caiu sobre o veículo. A vítima e as testemunhas contaram à Polícia Militar (PM-PR) que Ademar Augusto Crepe, de 58 anos, estava dirigindo a caminhonete. "Relatou ainda que, na sequência, o autor apontou uma arma de fogo em sua direção, ameaçando matá-la, e que, segundo seu relato, o autor chegou a acionar o gatilho de um revólver, porém, por motivos alheios, não houve disparo", consta no boletim de ocorrência. Em seguida, Ademar fugiu do local. Sayonara e o filho passaram por atendimento médico na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Apucarana. A Polícia Civil solicitou a prisão preventiva de Ademar, que foi aceita pela Justiça no dia 13 de fevereiro. Entretanto, até a última atualização desta reportagem, ele permanece foragido. Veja como denunciar: Ademar é considerado foragido por tentativa de feminicídio. PC-PR Feminicídios no Paraná Segundo o relatório do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), o Paraná registrou 87 feminicídios em 2025. Durante o ano de 2024, 109 mulheres foram assassinadas em crimes no contexto de violência doméstica e ódio ao gênero feminino. A Central de Atendimento à Mulher para denúncias está disponível 24 horas. O telefone é 180. Veja outros casos: Homem que matou freira em convento no Paraná é denunciado por feminicídio, estupro e outros dois crimes Três mulheres são vítimas de feminicídio em Curitiba no fim de semana Peritos identificam suspeito de feminicídio a partir de pegada com sangue no Paraná Vídeos mais assistidos do g1 Paraná: Leia mais notícias da região em g1 Norte e Noroeste.

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