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'Sicário' de Vorcaro tentou se enforcar duas vezes com camisa; equipe de socorro chegou à cela cerca de 10 minutos depois, diz PF

2026-03-09 - 10:53

'Sicário' de Vorcaro tentou se enforcar duas vezes com camisa na cela da PF, revela vídeo Luiz Phillipi Mourão, conhecido como Sicário, se enforcou na carceragem da Polícia Federal em Belo Horizonte no dia da prisão na última quarta-feira e morreu dois dias depois no hospital. Ele é apontado pela Polícia Federal como operador violento ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro. O Fantástico teve acesso ao vídeo que registrou os últimos momentos de Mourão na cela. As imagens mostram que Sicário estava sozinho quando foi ao banheiro, retornou com a camisa de manga comprida enrolada no pescoço e a prendeu às grades. Em seguida, ele tentou se enforcar duas vezes seguidas. O superintendente da PF em Minas Gerais, Richard Murad, detalhou a operação de resgate: “Decorreram aproximadamente 10 minutos, no máximo. A equipe, assim que constatou a anomalia da situação, se deslocou imediatamente. Ele foi retirado da posição de enforcamento e acionados tanto o SAMU quanto uma equipe de pronto-socorro da própria Polícia Federal, que imediatamente iniciou o processo de reanimação mudou preso. Conseguimos estabilizá-lo até a chegada da equipe do SAMU e a partir daí passamos aos cuidados da equipe de saúde do SAMU de Minas Gerais”. Ele acrescentou que os plantonistas têm outras atribuições além do monitoramento exclusivo das câmeras, mas garantiu que, no caso de Sicário, a atuação foi “extremamente diligente”. Após incidente, Sicário foi levado ao Hospital João XXIII, onde foi internado em estado grave até ter morte encefálica confirmada dois dias depois. A PF informou que colheu depoimentos de várias pessoas e que a investigação segue em andamento. 'Sicário' de Vorcaro tentou se enforcar duas vezes com camisa na cela da PF, revela vídeo Reprodução/TV Globo Relação com o banqueiro Daniel Vorcaro Sicário havia sido preso horas antes, durante operação que apura supostas fraudes financeiras relacionadas ao Banco Master e ao banqueiro Daniel Vorcaro. De acordo com os investigadores, Mourão teria a função de monitorar adversários do banqueiro, constranger opositores e, em alguns casos, promover agressões físicas. O grupo também seria responsável por tentar obter informações sigilosas em sistemas restritos. Mensagens entre Mourão e Vorcaro foram divulgadas em decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça. Em uma delas, Vorcaro afirma que queria agredir o jornalista Lauro Jardim, colunista do jornal O Globo. Segundo o ministro, a intenção seria “calar a voz da imprensa que ousasse emitir opinião contrária aos seus interesses privados”. Nas mensagens, o banqueiro afirma que seria preciso colocar pessoas para seguir o jornalista e cogita simular um assalto para agredi-lo. Investigações da Polícia Federal apontam que Mourão integrava um grupo informal chamado de “A Turma”, liderado pelo banqueiro Daniel Vorcaro. Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o 'Sicário', quando foi preso em outra investigação em MG Reprodução O esquema investigado pelo Ministério Público Antes mesmo das investigações relacionadas ao Banco Master, o Ministério Público de Minas Gerais já apurava um esquema envolvendo Mourão. Ele foi sócio da empresa Maximus Digital Fomento Mercantil Ltda., que prometia aos investidores rendimentos muito acima dos praticados no mercado financeiro. Segundo a promotora Janaina de Andrade Dauro, os contratos eram pouco claros e não especificavam exatamente onde o dinheiro seria investido. Com o tempo, investidores começaram a relatar dificuldades para resgatar os valores aplicados. Advogados que representam vítimas afirmam que o grupo teria atraído pessoas de várias regiões do país. “Temos vítimas do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Brasília, Belém do Pará e de diversos estados”, disse um dos advogados. Muitos investidores eram pessoas de baixa renda que contraíram empréstimos para aplicar dinheiro na empresa. Segundo o Ministério Público, entre junho de 2018 e julho de 2021, Mourão movimentou cerca de R$ 28 milhões em contas ligadas a empresas de fachada. A investigação também aponta que a organização teria obtido R$ 62 milhões em empréstimos bancários usando imóveis superavaliados como garantia. Propriedades que valiam entre R$ 400 mil e R$ 600 mil teriam sido avaliadas em até R$ 16 milhões ou R$ 19 milhões para viabilizar os empréstimos. De acordo com as investigações, os imóveis pertenciam a uma empresa que teve como acionista Natália Vorcaro, irmã do banqueiro Daniel Vorcaro. Posteriormente, o banco que concedeu o empréstimo foi adquirido por Daniel Vorcaro e passou a se chamar Banco Master. Os irmãos Vorcaro não foram denunciados na ação do Ministério Público de Minas Gerais. Procurada, a defesa de Natália Vorcaro não comentou. Processo judicial No ano passado, durante a fase de instrução do processo sobre as fraudes financeiras, Mourão compareceu a uma audiência, mas optou por permanecer em silêncio. O advogado de Luiz Phillipi Mourão afirmou que ainda aguardava acesso aos autos do processo e que não teve tempo de discutir as acusações com o cliente devido ao desfecho do caso. Ainda não há previsão para o julgamento dos outros dez réus denunciados na ação. Veja a reportagem completa no vídeo abaixo: Ameaças, golpes financeiros e fraudes: o histórico de 'Sicário', aliado de Daniel Vorcaro Ouça os podcasts do Fantástico ISSO É FANTÁSTICO O podcast Isso É Fantástico está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts, trazendo grandes reportagens, investigações e histórias fascinantes em podcast com o selo de jornalismo do Fantástico: profundidade, contexto e informação. Siga, curta ou assine o Isso É Fantástico no seu tocador de podcasts favorito. Todo domingo tem um episódio novo. PRAZER, RENATA O podcast 'Prazer, Renata' está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts. Siga, assine e curta o 'Prazer, Renata' na sua plataforma preferida. BICHOS NA ESCUTA O podcast 'Bichos Na Escuta' está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts.

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