'Se Trump conhecesse a sanguinidade de Lampião, ele não ficava provocando a gente', diz Lula
2026-02-09 - 15:55
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta segunda-feira (9) que se o presidente norte-americano, Donald Trump, conhecesse a "sanguinidade de Lampião" não provocaria o Brasil. O comentário, em tom de brincadeira, foi feito durante uma cerimônia no Instituto Butantan, em São Paulo. "Quando eu viajar, eu sou muito teimoso e sou muito tinhoso, sabe, se o Trump conhecesse sabe, o que é a sanguinidade de Lampião de um presidente, ele não ficaria provocando a gente", argumentou. Em outro momento, Lula mencionou que não adianta Trump ficar falando sobre a capacidade da sua frota de navios, pois, na verdade, ele não quer briga com o norte-americano. "Eu não quero briga com ele, não sou doido, vai que eu brigo e eu ganho, o que eu vou fazer? O que eu vou fazer? Então, a briga do Brasil, é a briga da construção da narrativa, nós queremos mostrar que o mundo não pode prescindir do multilateralismo, nós precisamos provar num debate político que foi o multilateralismo, depois da Segunda Guerra Mundial, que criou uma harmonia entre os estados, e que permitiu que a gente vivesse em paz até agora, pelo menos numa parte do mundo", prosseguiu. Visita ao Butantan Na ocasião, o presidente anunciou investimentos para ampliar a estrutura do instituto e aumentar a capacidade para produção de vacinas e insumos imunobiológicos. Isso inclui a fabricação do insumo farmacêutico ativo (IFA) para imunizantes como a DTPa (difteria, tétano e coqueluche) e a vacina contra o HPV. A iniciativa, que busca reduzir a dependência de importações, prevê investimento total de R$ 1,4 bilhão. Também estavam presentes no evento o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, e o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. O presidente Lula tem usado agendas na área da saúde para reforçar críticas à condução do governo Jair Bolsonaro durante a pandemia de Covid-19, lembrando a defesa de vacinas e da ciência em contraposição ao negacionismo adotado à época. Em 2026, ano eleitoral, o tema voltou a ocupar espaço na estratégia política do governo Lula, que busca associar investimentos em vacinação, produção nacional de imunizantes e fortalecimento do SUS a uma marca de reconstrução das políticas públicas desmontadas no governo anterior. Campanha de vacinação contra dengue Durante o evento, o governo também anunciou o começo da vacinação contra a dengue para profissionais de saúde da Atenção Primária do SUS, com base no desenvolvimento de uma vacina 100% nacional pelo Instituto Butantan. As primeiras doses já foram distribuídas aos estados. A vacinação para pessoas de 15 a 59 anos, está prevista para começar no segundo semestre de 2026, à medida que a produção for ampliada. Foram adquiridas 3,9 milhões de doses da vacina contra dengue, com investimento federal de R$ 368 milhões, e está prevista uma parceria estratégica com uma empresa chinesa para potencializar a produção em até 30 vezes.