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Sócio investigado por morte de corretores em imobiliária no litoral de SC vai à júri popular; relembre o caso

2026-03-27 - 20:50

Corretores Thiago Adolfo e Deyvid Luiz Leite foram mortros a tiros em uma imobiliária de Balneário Piçarras (SC) Redes sociais/ Reprodução O caso do duplo homicídio que resultou na morte dos corretores Thiago Adolfo, 29 anos, e Deyvid Luiz Leite, 46 anos, dentro de uma imobiliária em Balneário Piçarras (SC), em julho de 2025, será definido em júri popular, decidiu a Justiça catarinense. O réu, Ralf Junior Dombek Manke, é o proprietário da imobiliária, localizada no Litoral Norte de Santa Catarina e especializada em imóveis com vista para o mar. Deyvid era seu sócio. A defesa do investigado, feita pelo advogado Rodolfo Warmeling, alega legítima defesa e diz que o cliente foi alvo de uma emboscada (veja nota na íntegra abaixo). Cabe recurso da decisão. ✅Clique e siga o canal do g1 SC no WhatsApp Quem era Davi Magalhães, cantor sertanejo morto em imobiliária Segundo o Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC), consta na denúncia que os três envolvidos tinham desacertos comerciais relacionados a negociações da empresa. Em 1o de julho de 2026, após uma conversa amistosa em frente à imobiliária, o acusado teria convidado as duas vítimas para irem até sua sala, dentro do estabelecimento. Assim que entraram no local, Ralf teria efetuado 12 disparos com uma pistola. Corretores de imóveis são assassinados a tiros em Balneário Piçarras 🔎 Além dos dois homicídios qualificados, o acusado também responderá pelo crime de porte ilegal de arma de fogo de uso restrito. As investigações apontam que o acusado possuía registro da arma, mas não tinha autorização para porte. Após o crime, conforme o TJSC, ele teria retornado ao local e retirado equipamento de gravação de imagens, que não foi localizado, segundo a acusação. Em interrogatório, o réu confirmou ter realizado os disparos que atingiram as vítimas, que morreram ainda no local. Na decisão de pronúncia, a prisão cautelar foi mantida com fundamento na garantia da ordem pública. O processo tramita sob sigilo. Ralf Junior Dombek Manke é suspeito de duplo homicídio em imobiliária de SC Reprodução/NSC TV O que diz a defesa? A defesa de Ralf Manke informa que, nesta semana, foi proferida decisão de pronúncia que admitiu a denúncia e determinou o encaminhamento do caso ao Tribunal do Júri, nos termos da Constituição Federal, que atribui à sociedade o julgamento dos crimes dolosos contra a vida. A decisão não representa responsabilidade criminal (culpa), uma vez que apenas permite o reconhecimento de que o caso deve ser submetido à apreciação dos jurados pela comunidade de Balneário Piçarras/SC. Ao longo da instrução processual, foi produzido um conjunto robusto de provas que enfraquece significativamente a narrativa inicialmente apresentada. Tais elementos revelam, com clareza, a real dinâmica dos fatos e apontam para um cenário de legítima defesa. As provas indicam que Ralf foi chamado à sua própria imobiliária para uma reunião que não partiu de sua iniciativa, em um contexto de pressão relacionado a questões empresariais. Não houve planejamento ou provocação por parte de Ralf, que se encontrava em outras atividades comerciais ao lado de sua esposa. Ao contrário, a convocação partiu de uma testemunha e de uma das vítimas, para um encontro que rapidamente se revelou inexistente, evoluindo para um cenário imprevisível e de alta tensão. Outro ponto de extrema relevância diz respeito ao equipamento DVR do local, responsável pelo armazenamento das imagens das câmeras de monitoramento. Informações técnicas e imparciaisfornecidas pela empresa Intelbras demonstram que o dispositivo, que poderia esclarecer de forma definitiva o ocorrido e corroborar a versão apresentada pela defesa, foi retirado do estabelecimento quando Ralf já se encontrava preso. Tal circunstância é reveladora! Isso porque, afasta qualquer suspeita de sua participação na retirada ou supressão dessa prova (DVR), evidenciando, inclusive, equívoco na interpretação inicialmente atribuída pela autoridade policial. Além disso, os elementos colhidos evidenciam que Ralf estava em nítida desvantagem, diante da presença de múltiplas pessoas previamente articuladas para a reunião. Trata-se de um cenário concreto de inferioridade numérica, que contribuiu para a escalada de tensão e para a percepção de risco imediato. Soma-se a isso a extração de dados dos aparelhos celulares das vítimas e da testemunha presencial, que demonstram o efetivo interesse dos envolvidos em ameaçar e coagir Ralf. Os depoimentos colhidos também evidenciam a ausência de qualquer motivação prévia por parte de Ralf, reforçando que os fatos ocorreram de forma inesperada, em um contexto de forte pressão e risco real. Diante desse quadro, a defesa sustenta que Ralf agiu para se proteger diante de uma agressão que compreendeu como atual e iminente, dentro de seu próprio estabelecimento, utilizando arma regularmente registrada. Após os fatos, sua conduta foi plenamente compatível com quem não tem nada a esconder: acionou a Polícia Militar, apresentou-se espontaneamente, entregou a arma utilizada e colaborou integralmente com as investigações, inclusive fornecendo acesso ao seu telefone celular, à imobiliária e ao sistema de monitoramento. Por fim, a defesa reafirma sua confiança no Poder Judiciário e, especialmente, na população de Balneário Piçarras/SC, que conduzirão o julgamento, acreditando que a análise completa e responsável das provas, muitas das quais ainda não vieram a público, demonstrará que Ralf não agiu como agressor, mas como alguém que reagiu diante de um risco concreto. VÍDEOS: mais assistidos do g1 SC nos últimos 7 dias

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