Sócio de academia de SP onde aluna morreu diz à polícia que apagou mensagens a funcionário porque ficou 'desesperado'
2026-02-12 - 14:35
Piscina da academia C4 Gym, na Zona Leste, onde professora fez aula de natação e teve problemas respiratórios que a levaram à morte. Montagem/g1/Reprodução/TV Globo Os três donos da academia C4 Gym, na Zona Leste de São Paulo, foram indiciados nesta quarta-feira (11) por homicídio com dolo eventual, devido à morte de uma mulher após aula de natação no fim de semana. A Justiça analisa o pedido de prisão deles feito pela Polícia Civil. Em depoimento, o sócio Celso Bertolo Cruz se apresentou como o responsável pela manutenção da piscina e por orientar o funcionário que aplicava os produtos químicos na água. À polícia, ele disse que ficou "desesperado" quando soube da morte de Juliana e que apagou "sem pensar" as mensagens que enviara ao manobrista Severino José da Silva. Segundo ele, a comunicação continha "tratativas normais", como indicações de medidas e dosagens de cloro para aplicação na água. Severino exercia a função mesmo sem possuir qualificação técnica, recebendo orientação por WhatsApp. A principal suspeita das autoridades é que a manipulação inadequada de produtos químicos próximo à área de aula, em um ambiente fechado e com pouca ventilação, tenha provocado a liberação de gases tóxicos que levaram à morte a professora Juliana Bassetto, de 27 anos. Contaminação em piscina: manobrista diz que recebia instruções do dono da academia À polícia, o sócio disse que soube do ocorrido na tarde de sábado (7), ao retornar ligações do manobrista. Severido disse à polícia que no dia seguinte recebeu uma ligação de Celso alertando sobre as investigações: "Vai, sai de casa que a polícia está batendo na porta de todo mundo". Celso Bertolo Cruz afirmou em depoimento que tem certificado para manutenção de piscinas desde 2023. O curso, segundo o sócio, permite que ele indique terceiros para o trabalho sob sua supervisão, mas não o habilita para formar piscineiros. Os outros sócios da C4 Gym, Cesar Bertolo Cruz e Cezar Miquelof Terração, que cuidam da gestão comercial e administrativa, confirmaram à polícia que foi Celso quem treinou Severino para cuidar da água da piscina. Celso disse que, antes de obter a formação, não havia responsável técnico pela piscina, sendo que ele próprio fazia a aplicação de produtos químicos. Depois, passou a supervisionar o manobrista Severino na função. Depoimento do manobrista da academia Severino José da Silva, de 43 anos, à polícia Reprodução/TV Globo O dono da academia ainda afirmou que considera a piscina de "extrema confiança" e que seus filhos fazem aula de natação no local. Também defendeu que os problemas sempre foram "pontuais" e nunca nocivos à saúde. Por outro lado, confirmou episódio anterior em que a piscina foi tomada por densa camada de espuma, no início de 2025. Segundo o sócio, a aplicação do cloro não resolveu a turbidez da água e as aulas tiveram que ser interrompidas por alguns dias. A academia precisou contratar uma empresa especializada para resolver a situação, mas optou por não renovar o contrato e decidiu manter o sócio como responsável técnico posteriormente. LEIA TAMBÉM: Ex-professor disse que academia de SP onde mulher morreu teve problemas na piscina há dois anos Segundo o responsável técnico pela piscina, o cloro usado na água era armazenado de duas formas: diluído em um tonel azul ou em pó na embalagem própria. Imagens de circuito interno mostram o momento em que Severino José da Silva manipula os produtos químicos momentos antes dos alunos passarem mal. Durante o preparo, uma fumaça branca sai de dentro do balde, bem perto da piscina onde Juliana e o marido estavam nadando. Imagens mostram funcionário com produtos químicos em piscina que mulher morreu em SP