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Rota do dinheiro: entenda a triangulação entre fundos investigados e o resort da família Toffoli

2026-02-12 - 18:15

Entenda a triangulação entre fundos investigados e o resort da família Toffoli A teia que envolve o Banco Master e o Poder Judiciário ganhou contornos mais nítidos com a compreensão da rota do dinheiro que abasteceu o Resort Tayayá, no Paraná. No centro da polêmica está a empresa Maridt, formada pelos irmãos do ministro Dias Toffoli, que recebeu milhões de um fundo de investimento cujo cotista único é ligado a Fabiano Zetel, cunhado de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O esquema de passeio do capital, segundo a apuração, ocorreu de forma estruturada para ocultar os beneficiários finais e inflar ativos: A entrada da família: em 2020, os irmãos de Toffoli — um engenheiro e um padre — criaram a Maridt, que se tornou sócia do Resort Tayayá; O Fundo Arleen: em 2021, a Maridt vendeu a participação para o Fundo Arleen, gerido pela Reag Investimentos. O valor declarado na Junta Comercial foi de R$ 3,1 milhões, mas registros da CVM indicam que o fundo injetou, na verdade, R$ 20 milhões no empreendimento; O Fundo Leal: fundo investiu outros R$ 20 milhões no Fundo Arleen. O principal e único cotista do Fundo Arleen é o Fundo Leal, também gerido pela Reag. O dono deste fundo é Fabiano Zetel. Família Toffoli e o resort de luxo Reprodução/GloboNews A Reag Investimentos, de João Carlos Mansur, é o elo comum. A gestora já era alvo da Operação Carbono Oculto, que investiga lavagem de dinheiro para o PCC (Primeiro Comando da Capital). Segundo a Polícia Federal (PF), a Reag utilizava fundos para inflar artificialmente o patrimônio do Banco Master, em operações onde o dinheiro "passeava" por empresas e voltava valorizado em até 1.000% em poucas horas, sem nunca sair fisicamente do banco. A suspeita dos investigadores é que o dinheiro do crime organizado possa ter sido usado para lavar ativos por meio da compra de participações no resort. Embora a família Toffoli alegue não ter obrigação de saber a origem do dinheiro dos fundos, a PF quer descobrir se os compradores sabiam exatamente quem eram os vendedores: o ministro e seus familiares. Pela primeira vez, o ministro Dias Toffoli admitiu ser sócio da Maridt. O nome não constava na Junta Comercial porque a empresa foi registrada como uma Sociedade Anônima (S.A.) de Capital Fechado, modelo que permite omitir a identidade dos acionistas que não são administradores. Toffoli alegou não saber quem estava por trás do Fundo Arleen no momento da venda. O que é a Maridt Fundada em agosto de 2020, a Maridt se torna sócia do Resort Tayayá em dezembro daquele ano e permaneceu até fevereiro de 2025. A empresa tem os irmãos Toffoli como sócios e recebeu R$ 3,1 milhões do Fundo Arleen. Documentos apontam que, ao todo, o fundo investiu R$ 20 milhões no resort. O Arleen é um fundo gerido pela Reag, empresa investigada no Caso Master e que também foi alvo de operação da Polícia Federal contra o crime organizado no ano passado. Outro fundo da Reag, o Leal Fundo de Investimento, injetou outros R$ 20 milhões no Fundo Arleen. O Leal tem como único cotista Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, dono do Master. Ofensiva no Congresso O avanço das informações fez a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Crime Organizado reagir. O relator, senador Alessandro Vieira (MDB-RS), e o presidente da comissão, Fabiano Contarato (PT-ES), apresentaram requerimentos que devem ser votados nos próximos dias: Quebra de sigilo: bancário, fiscal, telefônico e telemático da Reag Investimentos e de João Carlos Mansur; Convocações: pedido para ouvir os irmãos do ministro, José Eugênio e José Carlos Toffoli, além do próprio Mansur. O foco agora é entender se as mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro, que citam o ministro, têm relação direta com essa engenharia financeira que transformou um resort familiar em um duto de investimentos de fundos sob investigação federal. Ministro do STF Dias Toffoli Reprodução

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