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Reunião do presidente do BRB com distritais passa das oito horas; deputados seguem reticentes com projeto para capitalizar banco

2026-03-02 - 22:53

Presidente do BRB se reúne com deputados distritais para defender projeto que reforça caixa do banco Deputados distritais passaram o dia reunidos com o presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, mas não chegaram a um consenso sobre a aprovação do projeto de lei que prevê a utilização de nove imóveis como garantia do BRB. Até as 19h40, o encontro ainda não tinha acabado e ultrapassava as oito horas de duração – já descontado o intervalo para almoço. A reunião foi marcada por uma clima tenso, diante de dúvidas levantadas pelos parlamentares e da falta de confiança para votar a proposta. Um dos principais pontos de questionamento foi a ausência, nos anexos do projeto, do documento com os valores de cada um dos terrenos. Segundo parlamentares, essas informações só foram conhecidas porque a Terracap enviou os dados diretamente aos deputados — fato que gerou reclamações da oposição durante a reunião. O tema será discutido no Colégio de Líderes marcado para esta terça-feira, às 14h, quando será decidido se o projeto entra ou não na pauta de votação. A sessão ordinária da Câmara Legislativa está prevista para as 15h desta quarta. Há chances, no entanto, de que a votação fique para a próxima semana. Presidente do BRB detalha situação do banco na Câmara Legislativa Oposição não vê 'clima' para votar Pela manhã, o deputado Fábio Félix afirmou "não haver clima" para que o projeto seja votado ainda nesta semana. Ele disse que, ao longo das discussões, ninguém confirmou qual seria o tamanho do prejuízo no banco e destacou que o maior problema da proposta é a falta de números fechados. De acordo com o parlamentar, não há valores ‘cravados’ que deem segurança para a análise do texto. O deputado distrital Gabriel Magno (PT) afirmou que o próprio governo admite que o projeto funciona como um “cheque em branco”, ao prever uma série de possibilidades para socorrer o BRB que não estão descritas no texto da proposta. Segundo ele, na reunião foram citadas alternativas como venda de ativos, inclusive subsidiárias, tomada de empréstimos e outras medidas financeiras que não constam formalmente no projeto enviado à Câmara Legislativa. Governo do DF apresenta novo projeto para tentar socorrer o BRB, investigado no caso Master Jornal Nacional/ Reprodução Ele afirmou que o cenário ainda é “misterioso” e que há indicações de que a dívida seja maior do que o patrimônio do BRB, sem que isso esteja claramente detalhado em documentos oficiais. O deputado também relatou que o secretário de Economia mencionou, durante a reunião, a possibilidade de o Tesouro do Distrito Federal entrar na operação, o que poderia elevar significativamente o endividamento do DF. ➡️ Segundo Gabriel Magno, a dívida atual gira em torno de R$ 2 bilhões, mas poderia triplicar caso essa alternativa fosse adotada. Apesar do impacto fiscal, ele afirmou que não foi explicado como isso seria feito nem quais seriam os procedimentos. Gabriel Magno chamou atenção ainda para dispositivos já previstos, como a autorização para capitalizar o BRB em até R$ 720 milhões e a possibilidade de aumento do capital social do banco, que, segundo ele, poderia chegar a R$ 8,9 bilhões. Como o GDF é o acionista majoritário, com 53% das ações, teria de aportar cerca de R$ 5 bilhões para manter essa participação ou vender ações no mercado — hipótese que, na avaliação do parlamentar, abre margem para um processo de privatização. Embora o governo tenha afirmado que não há intenção de privatizar o BRB, deputados consideraram contraditório admitir a possibilidade de venda de subsidiárias. Para Gabriel Magno, a alienação de subsidiárias faz parte de um processo de privatização e reforça a falta de coerência do discurso oficial. Os parlamentares também criticaram o fato de a reunião ocorrer novamente sem a entrega de documentos. Magno comparou o encontro a reuniões anteriores, inclusive com o ex-presidente do banco, Paulo Henrique, que, segundo ele, também ocorreram a portas fechadas, sem apresentação de dados concretos, mas com pedidos de votação rápida. Os deputados questionaram ainda por que o projeto precisa ser votado até o fim de março, prazo relacionado à entrega do balanço do banco. Conforme relatado por Gabriel Magno, a resposta foi que houve um acordo com o Banco Central para antecipar a apresentação do balanço no primeiro trimestre, o que aumentaria a pressão pela aprovação da proposta. Por fim, Gabriel Magno questionou a narrativa apresentada de que o BRB seria “vítima” da situação atual. Segundo ele, decisões foram tomadas, compras foram autorizadas e responsabilidades precisam ser identificadas. Para o deputado, não é razoável pedir confiança dos parlamentares sem documentos, informações claras e transparência sobre quais instrumentos serão usados para salvar o banco e qual será o impacto real para o Distrito Federal. Dúvidas também na base aliada O deputado João Cardoso (Avante) reforçou que ainda há muitos questionamentos e dúvidas a serem esclarecidos antes de qualquer deliberação. “Tudo isso tem que ser muito bem esclarecido para que algo possa ser feito. Espero que saia uma solução para o BRB. E também aquilo, se tiver realmente uma questão de má gestão ou alguma coisa que foi feita dentro da legalidade, que as pessoas que cometeram a ilegalidade sejam punidas através de uma investigação”, afirmou. Diante do cenário, a avaliação entre os deputados é de que o projeto ainda não reúne as condições necessárias para ser votado. O deputado distrital Joaquim Roriz Neto (PL), da base governista, comparou a situação do BRB à de um “paciente com a perna necrosada”. De acordo com Joaquim Roriz Neto, apesar de não serem as soluções ideais, algumas medidas duras podem ser inevitáveis para evitar um cenário ainda mais grave. “A situação é cortar a perna”, afirmou, ao defender que algo precisa ser feito para salvar o banco. O parlamentar também alertou para a possibilidade de privatização do BRB caso não haja avanço nas decisões até o fim do mês. Segundo ele, esse cenário pode se concretizar se não houver um movimento concreto para enfrentar a crise. “Se não, o BRB vai falir”, declarou. Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.

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