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Receita afasta de cargo de chefia auditor que foi alvo de operação sobre acesso ilegal a dados de ministros do STF e parentes

2026-02-19 - 21:13

Alvo de operação da Polícia Federal sobre vazamento de dados de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e parentes, o auditor fiscal Ricardo Mansano de Moraes foi dispensado nesta quinta-feira (19) de um cargo de chefia da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Presidente Prudente (SP). Ele era chefe da Equipe de Gestão do Crédito Tributário e do Direito Creditório. A dispensa foi publicada no "Diário Oficial da União" e assinada pelo delegado na unidade da Receita em Presidente Prudente. O texto não traz justificativa. Ricardo de Mansano foi alvo de um mandado de busca e apreensão na terça-feira (17) autorizado pelo ministro Alexandre de Moraes. Veja os vídeos que estão em alta no g1 A suspeita é de que ele teria acessado dados de uma enteada do ministro Gilmar Mendes. O servidor já teria sido ouvido pela Receita e afirmado que, em novembro do ano passado, teria feito um acesso a dados de uma pessoa que pensou ser ex-mulher de um amigo de longa data, o que também não é permitido. Em nota, a defesa do auditor afirmou que ainda não tiveram acesso à decisão que autorizou a operação "e que eventual manifestação técnica será apresentada oportunamente, após o exame completo dos autos e de todos os documentos pertinentes". "Desde já, a defesa reafirma a idoneidade do servidor, profissional de reputação ilibada, que ao longo de anos de atuação junto à Receita Federal do Brasil, jamais respondeu a qualquer falta funcional. No momento oportuno, com acesso aos elementos formais, os fatos serão devidamente esclarecidos e a verdade prevalecerá". Os advogados afirmaram que é preciso garantir o devido processo legal e "a necessidade de se evitar julgamentos precipitados ou midiáticos, que em nada contribuem para a correta apuração dos fatos". A operação uatro mandados de busca e apreensão que miraram servidores públicos em três estados. A ação da PF ocorreu em meio à investigação que apura possíveis vazamentos de dados da Receita Federal envolvendo autoridades. Os servidores foram ouvidos pelos policiais. Os mandados foram cumpridos a partir de representação da Procuradoria-Geral da República (PGR) e autorização do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Os investigadores buscam saber, por exemplo, se funcionários da Receita quebraram ilegalmente sigilo de ministros do Supremo e de parentes deles sem aval (leia mais abaixo). Ainda segundo a PF, além das buscas, foram determinadas medidas cautelares. Entre elas, estão: monitoramento por tornozeleira eletrônica; afastamento do exercício de função pública; cancelamento de passaportes; e proibição de saída do país. Os mandados de busca e apreensão foram cumpridos nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. Entre as cidades estão: São José do Rio Preto, Guarujá e Salvador. Nessa primeira cidade, segundo apurou a TV Globo, o mandado foi cumprido na casa de um auditor fiscal da Receita. Prédios da Receita não foram alvo da ação dos policiais. Também não foram cumpridos mandados de prisão nesta terça. Segundo interlocutores da PF, durante a ação, investigadores apreenderam celulares. Ainda não há detalhes sobre os dados vazados e nome das pessoas envolvidas, mas, de acordo com apuração do blog do Otávio Guedes, tratam-se de três servidores da Receita Federal e um do Serpro. O blog também menciona que Moraes decretou a quebra de sigilo bancário dos investigados. Segundo interlocutores da PF, o relatório produzido nesta terça — a partir do que foi apreendido bem como dos depoimentos colhidos — deve ser encaminhado ao STF. Nesta tarde, o STF divulgou uma nota sobre o operação. No comunicado, a Corte afirmou que a investigação da PGR aponta 'múltiplos acessos ilegais' a dados de ministros e parentes. O Supremo argumentou ainda que os vazamentos ocorreram para produzir "suspeitas artificiais, de difícil dissipação”.

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