TheBrazilTime

Rapper do hit 'Because I got high' tem casa invadida por policiais, zoa em música, é processado e vence

2026-03-19 - 19:50

Afroman depõe em julgamento por difamação, em 2026 WCPO via AP O rapper Afroman, indicado ao Grammy pelo hit "Because I got high", venceu nesta quarta-feira (18) um processo de difamação movido por sete policiais do estado americano de Ohio. Os agentes o processaram após o artista de 51 anos — cujo nome verdadeiro é Joseph Foreman — usar imagens de câmeras de segurança de sua própria casa em clipes musicais para satirizar uma operação policial realizada no local em 2022. O caso testou os limites da paródia e a liberdade que artistas têm para fazer comentários sociais sobre figuras públicas. Juntos, os policiais pediam quase US$ 4 milhões (cerca de R$ 21 milhões) em danos morais. Durante o julgamento, os policiais do condado de Adams choraram e alegaram que sofreram assédio público devido aos vídeos, que ultrapassaram 3 milhões de visualizações no YouTube. "Toda a operação foi um erro. A culpa é toda deles. Se não tivessem invadido minha casa injustamente, não haveria processo. Eu nem saberia os nomes deles", disse Foreman, durante depoimento. "Eles não estariam no meu sistema de vigilância e não haveria músicas, nada." As imagens mostram agentes armados com fuzis arrombando a porta de Afroman, revistando seus sapatos, bolsos de ternos e olhando com cobiça para um bolo em cima da mesa da cozinha — o que inspirou a canção "Lemon pound cake" ("Bolo de limão", em tradução livre). Em outros vídeos, Afroman abordou a vida pessoal dos agentes e os chamou de "policiais corruptos" devido ao desaparecimento de US$ 400 durante a operação. "Policiais não deveriam roubar dinheiro de civis", afirmou o rapper. "Tudo isso é um absurdo." No tribunal — vestindo um terno com a estampa da bandeira dos Estados Unidos — ele defendeu seu trabalho baseado na Primeira Emenda da Constituição americana (que garante a liberdade de expressão no país) e disse que lançou as "diss tracks" (músicas de ataque) para cobrir os prejuízos da invasão, incluindo um portão e a porta da frente quebrados. Nenhuma acusação foi formalizada após a operação de 2022, que, segundo o mandado, fazia parte de uma investigação sobre drogas e sequestro. Em seu depoimento, o rapper afirmou que tinha o direito de contar aos amigos e fãs o que a polícia havia feito, relatando que a ação traumatizou seus filhos, então com 10 e 12 anos. O que dizem as músicas A letra de "Will You Help Me Repair My Door?" ("Você vai me ajudar a consertar minha porta?", em tradução livre) questiona os policiais diretamente: "Encontraram o que estavam procurando?/Aceitam uma fatia de bolo de limão?/Podem levar o quanto quiserem/Deve ser um grande engano". O vídeo desacelera e mostra um agente segurando uma arma ao lado do suporte de bolo na cozinha de Afroman. Em seguida, ele canta: "O mandado dizia: 'Narcóticos e sequestro'/Tá brincando? Eu ganho meu dinheiro rimando" e "Vocês, policiais corruptos, precisam parar / Não há vítimas de sequestro nos bolsos do meu terno", enquanto as imagens mostram os agentes revistando seu closet. Em seus depoimentos, os policiais disseram que as músicas os ridicularizaram. A agente Lisa Phillips afirmou que o rapper criou um vídeo "depreciativo" que questionava seu gênero e sexualidade. O sargento Randy Walters relatou que seu filho sofreu bullying na escola devido às postagens de Afroman e chegou em casa chorando. "Em que lugar do mundo é aceitável inventar algo por diversão que prejudica os outros, quando se sabe com certeza que é uma mentira absoluta?", questionou Walters. O advogado de Afroman rebateu dizendo que não é incomum que artistas envolvidos com críticas sociais usem de exagero. Já Robert Klingler, que representou os policiais, afirmou que Afroman mentiu sobre "esses sete bravos agentes" nos últimos três anos. "Mesmo que alguém faça algo que te machuque ou que você considere errado — como a execução de um mandado de busca que você ache injusto — isso não justifica contar mentiras intencionais projetadas para ferir pessoas", argumentou Klingler. Afroman mora em Winchester, a cerca de 80 quilômetros de Cincinnati.

Share this post: