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Rússia acusa EUA de tentar 'sufocar' Cuba e fala em 'situação crítica' de combustíveis

2026-02-09 - 11:05

EUA anunciam ajuda humanitária de US$ 6 milhões para Cuba O Kremlin acusou nesta segunda-feira (9) os Estados Unidos de tentar “sufocar” a economia de Cuba por conta de bloqueios impostos pelo governo Trump à chegada de petróleo na ilha do Caribe. O governo russo afirmou que a situação do combustível em Cuba é "crítica". Havana anunciou no final de semana um plano para proteger serviços essenciais e racionar combustível diante do bloqueio norte-americano. “A situação em Cuba é de fato crítica. Temos consciência disso. Mantemos contatos intensivos com nossos amigos cubanos por meio de canais diplomáticos e outros”, disse a repórteres o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Cuba detalhou na sexta-feira seus planos para enfrentar o agravamento da crise, enquanto o governo comunista endureceu o tom em desafio aos esforços dos EUA para cortar o fornecimento de petróleo à ilha caribenha, após Washington declarar Cuba uma “ameaça incomum e extraordinária” à segurança nacional americana. (Leia mais abaixo) A Rússia tenta restaurar seus próprios laços abalados com os Estados Unidos, enquanto o presidente americano, Donald Trump, busca intermediar um acordo para encerrar a guerra na Ucrânia. Mas o Kremlin deixou claro que está insatisfeito com a forma como Washington trata Cuba. “As táticas sufocantes empregadas pelos Estados Unidos estão, de fato, causando muitas dificuldades ao país. Estamos discutindo com nossos amigos cubanos possíveis formas de resolver esses problemas ou, ao menos, de oferecer toda a assistência possível”, afirmou Peskov. Ele respondia a uma pergunta sobre relatos de escassez de combustível de aviação e se isso poderia afetar turistas russos que desejam deixar Cuba, um aliado histórico de Moscou. O embaixador da Rússia em Cuba, Viktor Coronelli, disse à agência estatal RIA na semana passada que Moscou forneceu petróleo repetidamente a Cuba nos últimos anos e continuará a fazê-lo. Cuba raciona combustível Um motorista abastece seu carro em um posto de gasolina de Havana, em 5 de fevereiro de 2026 REUTERS/Norlys Perez O governo de Cuba anunciou nesta sexta-feira (6) que vai adotar medidas de racionamento de combustíveis após os Estados Unidos adotarem ações para bloquear o envio de petróleo à ilha. Cuba enfrenta escassez de petróleo desde que os EUA capturaram o ditador venezuelano Nicolás Maduro e passaram a impedir o envio de combustíveis para o país. O presidente Donald Trump assinou uma ordem que prevê tarifas contra países que exportarem petróleo para a ilha. Nos últimos dias, Cuba tem registrado apagões em larga escala. Segundo dados da empresa belga Kpler, publicados pelo Financial Times, o país tem petróleo suficiente para apenas mais 15 a 20 dias. De acordo com o ministro do Comércio, Oscar Fraga-Pérez, o governo vai priorizar o uso de combustível para serviços essenciais, como saúde, defesa e os sistemas de abastecimento de alimentos e de água. Os setores agrícola e de turismo também serão priorizados. O ministro dos Transportes, Eduardo Rodríguez, afirmou que voos nacionais e internacionais estão mantidos. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Para tentar contornar o bloqueio imposto por Trump, o governo anunciou que vai descentralizar a importação de combustíveis, permitindo que qualquer entidade com capacidade para importar o produto possa fazê-lo. O governo disse ainda que o país vai continuar gerando eletricidade e reforçar os investimentos em produção de energia solar. O ministro do Trabalho, Jesus Otamendiz, afirmou que o plano de contingência inclui a garantia do pagamento de um salário básico aos trabalhadores estatais durante a crise. Enquanto isso, os Estados Unidos anunciaram na quinta-feira (5) o envio de US$ 6 milhões em ajuda humanitária para a ilha. Os recursos, segundo Washington, têm como objetivo reduzir os prejuízos causados pelo furacão Melissa, que atingiu Cuba em outubro. O vice-ministro das Relações Exteriores cubano, Carlos Fernández de Cossio, classificou a medida como hipócrita. “É bastante hipócrita aplicar medidas coercitivas draconianas, negando condições econômicas básicas a milhões de pessoas, e depois anunciar sopa e comida enlatada para poucos”, escreveu de Cossio nas redes sociais. LEIA TAMBÉM 'Cuba não conseguirá sobreviver': 4 pontos-chave para entender como Trump está usando o petróleo para pressionar governo da ilha Cuba tem mínima recorde de 0 °C e vê crise se agravar com novas sanções e apagões Vice-presidente dos EUA é vaiado durante a abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno

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