Quase 80% das famílias em Itapetininga que utilizam benefícios sociais são chefiadas por mulheres; veja mapa
2026-03-08 - 11:13
Valdineia é mãe de três filhos e utilizou benefícios sociais para complementar renda após terminar relacionamentos Reprodução/Redes sociais Itapetininga (SP) possui 21.457 famílias cadastradas no CadÚnico, principal instrumento do Governo Federal utilizado para identificar pessoas em situação de vulnerabilidade social no país. Deste número, 78,6% são chefiadas por mulheres, totalizando 16.945 lares. O número foi divulgado no último levantamento do Observatório do Cadastro Único, elaborado pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), em janeiro deste ano. 📲 Participe do canal do g1 Itapetininga e Região no WhatsApp As mulheres em um geral, mesmo sem ser integrantes de ambientes familiares, são a grande maioria no cadastro do governo. As integrantes do sexo feminino também superam o número de homens em cidades da região, como Tatuí, Itararé e Itapeva (SP). Veja o mapa abaixo: Quase 80% das famílias cadastradas no CadÚnico em Itapetininga são chefiadas por mulheres Para o Dia Internacional da Mulher, celebrado neste domingo (8), o g1 conta a história de Valdineia Gomes, moradora de Itapetininga que criou três filhos sozinha e, consequentemente, lidou com uma luta contra o preconceito. "Minha história é como a das mães que criaram seus filhos sozinhas. Da primeira filha, eu me separei depois de dois anos casada. Tinha um marido que bebia muito, era violento. Decidi separar para não viver a mesma vida que a minha mãe viveu", conta. Valdineia afirma que teve a primeira filha no início da juventude, aos 18 anos. Durante todo o período, ela teve a ajuda da mãe, que ficava com a bebê enquanto ela trabalhava como empregada doméstica. "Eu falei a ele que não dava mais para ficarmos juntos justamente por conta da bebida e nos separamos. Voltei a morar com a minha mãe, mas ela me aconselhava a não entrar com alguma medida judicial devido ao alcoolismo dele, que é uma doença. Então, preferi me virar e trabalhar, para não sustentar alguém que não me fazia bem", revela. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Depois do nascimento da primeira filha, Valdineia teve outros dois filhos de outros dois relacionamentos, que também foram conturbados. Segundo ela, apesar de manter algum tipo de contato com todos, nenhum deles participou ativamente na criação dos filhos. "Nunca me deram pensão alguma, sempre fui eu batalhando para cuidar de três crianças sozinha. Eu não era de trocar de emprego com frequência, mas tive que trabalhar bastante para fazer tudo dar certo", pontua. Valdineia e os filhos Arquivo pessoal No convívio social, a mulher relatou ter enfrentado preconceito frequente por ser mãe solo durante os anos 1990. Segundo ela, a situação melhorou ao longo do tempo, mas o tema ainda não é visto de forma totalmente positiva por muitas pessoas. "Sempre somos vistas como 'vagabundas', que arrumamos alguém sempre por interesse, porque querem que ajude a criar os filhos. Escolhi ficar sozinha justamente para não ouvir coisas que saberia que não gostaria", destaca. "Hoje em dia, parece que as mães solo possuem mais facilidade para conseguir uma pensão, seja por apoio ou por acesso às medidas judiciais. Eu vejo minha neta, o quanto ela fica nervosa com o pai da filha dela. Ele não visita a filha. Para mim, a escolha solo foi melhor", completa. Em uma das gestações, Valdineia conta que precisou recorrer ao Bolsa Família, programa do governo federal, para conseguir sustentar a si mesma e aos filhos. Para ela, além do benefício social, o apoio da família foi fundamental. "Graças a Deus eu tinha a minha mãe, que me ajudava bastante. Nunca cheguei a passar por uma situação de aperto financeiro extremo. Não queria passar necessidade porque eu passava quando a minha mãe separou do meu pai. Sempre dei o meu melhor para dar o melhor a eles", finaliza. Advogada orienta medidas judiciais Unidade do Creas em Itapetininga (SP) Reprodução/Google Street View Ao g1, a advogada Emanuela Barros, especialista nos direitos de violência contra a mulher, explica que, em casos de abandono parental, a melhor opção é procurar a assistência social do município. Em 2023, o presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT) sancionou uma lei que prevê um auxílio-aluguel para mulheres vítimas de violência doméstica. "Se ela já está cadastrada no CadÚnico, é importante ver se ela tem acesso ao Bolsa Família. Existem outras alternativas, como o Benefício de Prestação Continuada (BPC) ou a Lei Orgânica da Assistência Social (Loas), se tiver algum filho com deficiência, por exemplo", compartilha. Além disso, a especialista reforça a importância de procurar uma unidade do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) na cidade. Na questão de violência doméstica, existem outros programas do Governo Federal voltados ao assunto, como a prioridade do "Minha Casa, Minha Vida". "É sempre importante procurar o Creas ou a Secretaria de Assistência Social. No caso do 'Minha Casa, Minha Vida', as mulheres terão preferência de auxílio para que elas sejam contempladas, dependendo da vulnerabilidade social. Mesmo quando a mulher já tenha um CadÚnico, é importante informar isso no Cras, porque a renda da família vai mudar", reforça. Initial plugin text Veja mais notícias no g1 Itapetininga e Região VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM