Quase 3 dias após 'explosão' que abriu cratera na Consolação, nenhuma autoridade explicou motivo do acidente
2026-03-03 - 23:13
Após 20 horas de explosão, ainda não se sabe o que causou cratera na rua da Consolação Cerca de 68 horas depois de uma “explosão” abrir uma cratera de cerca de 15 metros quadrados na Rua da Consolação, na região central de São Paulo, nenhuma autoridade explicou oficialmente o que provocou o solapamento do asfalto. O buraco foi tapado pela prefeitura nesta terça-feira (3), o trânsito voltou a circular em todas as pistas, mas as causas do acidente seguem indefinidas. Câmeras de segurança registraram o momento da explosão no domingo (1o), por volta das 23h (vídeo acima). Na segunda-feira (2), três faixas da via ficaram parcialmente interditadas durante todo o dia. A liberação total do tráfego pela CET ocorreu apenas na madrugada desta terça. Por volta das 11h desta terça, equipes da Cetesb estiveram no local. A companhia ambiental foi acionada pela prefeitura após a Enel afirmar que a explosão teria sido causada pelo acúmulo de gases dentro de uma galeria subterrânea. Técnicos procuraram resquícios de substâncias inflamáveis na área, mas não encontraram vestígios. Na segunda-feira, o SP2 mostrou que tanto a rede de gás quanto a de energia elétrica passam enterradas nesse trecho da Consolação. Enquanto a Enel dizia ter detectado a presença de gás, a Comgás negava qualquer vazamento na região. Em nota, a Prefeitura de São Paulo informou que vai notificar a Enel para que a empresa explique a origem dos gases inflamáveis que diz ter identificado dentro da galeria. A administração municipal afirmou ainda que elaborou um relatório técnico apontando que a causa da explosão foi uma falha elétrica em cabos subterrâneos da concessionária. A TV Globo procurou a Enel, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem. Prefeitura acionou Cetesb A Prefeitura de São Paulo informou que, diante da falta de conclusão sobre a origem do gás no subsolo por parte das concessionárias que pode ter causado a explosão, acionou a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) para fazer uma análise do solo. A Cetesb, por sua vez, disse que "realizará inspeção técnica no local para verificar a eventual presença de substâncias inflamáveis e avaliar as providências adotadas pelas concessionárias envolvidas". O secretário de Subprefeituras, Fabrício Cobra, disse nesta terça-feira (3) que a principal hipótese trabalhada nesse momento é que houve uma combustão de borracha dentro da rede subterrânea da Enel. “O que a gente tem de confirmado é que é uma galeria da rede elétrica da Enel que explodiu. A Congás teve presente nas 24 horas, fez o exame de todos os gases e eles não têm o material metano. Ou seja, não é gás natural. E a característica da explosão não é parecida com gás natural. Técnicos no local com a parceria com a Cetesb levantaram uma nova hipótese que pode ser oriundo das próprias características, porque teve fumaça preta uma hora antes, solo aquecido e cheiro de borracha queimada", comentou Cobra. "Então, a hipótese é que pode ter tido uma combustão de borracha dentro da rede da Enel, que pode ter gerado a combustão. A Cetesb durante o dia vai fazer essa análise e passar para a imprensa”, afirmou completou o secretário. Por nota, a Secretaria Municipal das Subprefeituras (SMSUB) afirmou ainda que "a galeria danificada trata-se da rede subterrânea de energia" e que "nenhuma galeria pluvial da prefeitura foi danificada na explosão". A pasta acrescentou que a Enel Distribuição São Paulo "trabalhou na reconstrução da rede e alterou a tampa de acesso ao poço de visita, retirando a tampa de concreto por uma tampa de ferro com acesso mais rápido para manutenção de rotina". A empresa já tinha informado que havia encontrado acúmulo de gás dentro da galeria e que a origem desses gases, porém, ainda não foi identificada, segundo a concessionária. A prefeitura disse ainda que "a concessionária de gás constatou que o vazamento não foi proveniente da rede de gás natural. A Sabesp informou que no local não há rede de esgoto". A empresa havia dito que uma equipe "confirmou que o buraco não é de responsabilidade da Companhia e que as tubulações estão fora da área da ocorrência, dessa forma não foram atingidas". Cerca de 30 horas após o incidente, ocorrido na noite de domingo, as três faixas da via foram liberadas. Durante a madrugada, o buraco começou a ser fechado e, nas primeiras horas desta terça, o asfalto foi refeito. Momento da explosão 'Asfalto explode' e cratera se abre na Rua da Consolação, em SP Reprodução/TV Globo Imagens de câmeras de segurança registraram o momento da explosão, por volta das 23h. Um carro que estacionava no momento foi surpreendido por pedaços de asfalto que pularam na via. O produtor Rafael Brandão passou pela região cerca de uma hora antes e sentiu um cheiro forte. “A priori, eu achei que fosse um cheiro de plástico queimado. Só que eu senti um pouquinho de cheiro de gás também. Não ficou muito claro o cheiro. Então, estava uma mistura de gás e plástico”, disse. Morador do último andar de um prédio próximo ao local, o tatuador Ailton Silva Santana contou que, mesmo de cima, ouviu o barulho e sentiu cheiro. “Era cheiro de borracha, sabe borracha queimada? Era meio uma mistura de borracha com gás... Um queimado, borracha. Lona de carro quando derrapa”, relatou. VÍDEO mostra quando 'asfalto explode' e cratera se abre na Rua da Consolação