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PSD do Rio entra com representação no STJ contra Castro e Curi por suposto uso político da polícia

2026-03-13 - 22:33

Cláudio Castro e Felipe Curi Reprodução/TV Globo O Partido Social Democrático (PSD) do Rio entrou com uma representação no Superior Tribunal de Justiça (STJ), nesta sexta-feira (13), contra o governador Cláudio Castro (PL) e o secretário de Polícia Civil Felipe Curi. O documento, apresentado pelo partido do prefeito Eduardo Paes e do vereador Salvino Oliveira, afirma que forças policiais do estado estariam sendo usadas para perseguir adversários políticos. O partido também alega a prática de crimes eleitorais e abuso de poder e pede o afastamento de Castro e de Curi dos cargos. A iniciativa ocorreu após a prisão do vereador Salvino Oliveira (PSD), ex-secretário da prefeitura do Rio, durante a Operação Contenção Red Legacy (veja na reportagem abaixo). Segundo a Polícia Civil, ele é suspeito de ter negociado diretamente com o traficante conhecido como Doca autorização para fazer campanha eleitoral em uma comunidade dominada pelo Comando Vermelho. Salvino foi solto nesta tarde. Ele afirmou que está sendo vítima de uma grande injustiça e prometeu: "Não pense que vai ficar assim." 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça Seis policiais e vereador são presos em operação contra o Comando Vermelho A Polícia Civil do RJ afirmou que a investigação que levou à prisão do vereador Salvino Oliveira começou em outubro de 2024, passou por análise do Ministério Público do Rio e da Justiça e foi conduzida com base em provas técnicas, sem motivação política (veja o posicionamento completo do governo ao fim da reportagem). O partido do prefeito Eduardo Paes afirma ter indícios de abuso de poder, prevaricação e crimes eleitorais. Entre os pedidos que devem ser apresentados está o eventual afastamento cautelar do governador e do secretário, caso seja considerado necessário para evitar interferência no processo eleitoral. A prisão do ex-secretário municipal e de um ex-secretário do governo estadual ampliou o embate político entre o prefeito Eduardo Paes e o governador Cláudio Castro. Os dois trocaram ataques nas redes sociais com críticas mútuas sobre gestão pública. Audiência em Brasília Um dos dirigentes do PSD no estado, o deputado federal Pedro Paulo Carvalho afirmou ao g1 que o partido pretende levar o caso a diferentes autoridades em Brasília. Segundo ele, os parlamentares pediram uma audiência com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, com o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, relator da chamada ADPF das Favelas. 🔎ADPF é uma sigla para Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental. Trata-se de uma ação apresentada ao STF com o objetivo de evitar ou reparar uma lesão a um preceito da Constituição Federal causada por um ato do Poder Público. “Estamos diante de uma máfia que instrumentaliza a polícia para fazer perseguição e covardia (contra os desafetos políticos) e, por isso, vamos às últimas consequências”, disse o deputado. O que diz o governo “A investigação que levou à prisão do vereador Salvino começou em 15 de outubro de 2024. A representação pela prisão foi feita em 1o de janeiro de 2026. O Ministério Público analisou e deu parecer favorável em 21 de janeiro de 2026. O Poder Judiciário autorizou os mandados em 27 de fevereiro de 2026. E os mandados foram expedidos em 3 de março de 2026. Ou seja, a análise da prisão passou por três esferas diferentes e independentes: Polícia Civil, MP e Judiciário. Não é decisão de governo, é decisão da Justiça. Se durante uma investigação aparecem provas de crime, a polícia faz o que a lei manda: investiga, pede a prisão à Justiça e prende. O Governo do Estado estranha que o prefeito esteja adotando esse tipo de comportamento, tentando politizar uma investigação conduzida de forma totalmente legal. Ao fazer esse tipo de insinuação, acaba colocando sob questionamento não apenas o trabalho da Polícia Civil, mas também a atuação do Ministério Público e do Poder Judiciário. A Polícia Civil atua de forma independente e tem como missão combater o crime organizado, inclusive quando há indícios de ligação entre agentes públicos e facções criminosas. Tentar transformar uma investigação séria em narrativa de perseguição política é uma tentativa inaceitável de desviar o foco de fatos graves, apurados pelas forças de segurança.” O que diz a Polícia Civil "A Polícia Civil esclarece que a investigação que levou à prisão do vereador Salvino começou em 15 de outubro de 2024 e passou por três esferas diferentes e independentes: Polícia Civil, Ministério Público e Judiciário, não sendo assim uma decisão de governo e sim da Justiça. A representação pela prisão foi feita em 1o de janeiro de 2026, tendo o Ministério Público analisado e dando parecer favorável no dia 21 de janeiro. O Poder Judiciário autorizou os mandados em 27 de fevereiro, com expedição em 3 de março deste ano. A investigação foi conduzida com rigor técnico e seriedade e não possui lado político. Prova disso é que a operação cortou na própria carne do Estado, com a prisão de seis policiais militares, incluindo dois oficiais. A Polícia Civil não escolhe alvo por posição política, por grupo ou por conveniência. Durante uma investigação, caso apareçam provas de crime, a polícia faz o que a lei manda: investiga, pede a prisão à justiça e captura. Por todos esses fatos, a operação que resultou na prisão do vereador foi legal e legítima, baseada em provas técnicas."

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