TheBrazilTime

Prefeito de Manaus aparece em inquérito da Polícia Federal que investiga denúncia de compra de votos

2026-03-03 - 23:23

Dinheiro encontrado junto com os celulares Divulgação Uma denúncia de compra de votos envolvendo o prefeito de Manaus, David Almeida (Avante-AM), é alvo de investigação da Polícia Federal desde 2024. Segundo apuração da Rede Amazônica, celulares apreendidos há quase um ano e meio, que podem conter informações relevantes para o caso, ainda não passaram por perícia. A operação policial ocorreu em 26 de outubro de 2024, véspera do segundo turno das eleições municipais. Na denúncia enviada à PF, uma mensagem da direção da Igreja Pentecostal Unidos do Brasil convocou pastores que votam em Manaus a comparecerem ao minicentro de convenções do templo religioso, localizado no bairro Monte das Oliveiras, Zona Sul da capital, em horário específico. O local é reduto político de Almeida. 📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp De acordo com o inquérito, quatro aparelhos foram recolhidos com os pastores, que não tiveram a identidade divulgada. Em uma sala, também foram encontrados envelopes com dinheiro, cada um contendo R$ 200, totalizando R$ 21 mil em espécie. Segundo os pastores, o dinheiro encontrado fazia parte de R$ 38 mil recebidos na noite anterior de uma pessoa ligada à campanha de David Almeida. No processo, o responsável aparece identificado apenas como "Eliezer". Dois dirigentes da igreja foram presos em flagrante e liberados após pagamento de fiança de R$ 15 mil cada. Eles respondem ao processo em liberdade. Segundo um policial federal que participou da ação e preferiu não se identificar, os agentes encontraram dinheiro em envelopes dentro de um imóvel onde pessoas iriam apenas para retirar os valores. De acordo com ele, não havia indícios de que o local realizaria qualquer outro tipo de atividade no momento. “Lá dentro tinham umas três ou quatro pessoas. Em cima da mesa havia uma mochila de notebook e uma sacola. Dentro da sacola, encontramos vários envelopes brancos com dinheiro. Cada um tinha R$ 200 e uma pequena numeração. A informação que recebemos era de que, durante a manhã, pessoas iriam ao local apenas para pegar o envelope. Não haveria culto nem qualquer outra atividade, seria somente a entrega desses valores”, afirmou. David Almeida foi reeleito prefeito de Manaus em 2024 e este ano pretende disputar o governo do Amazonas. A Secretaria Municipal de Comunicação não respondeu aos pedidos de entrevista para esclarecer se há ligação entre o prefeito e os pastores presos. O Ministério Público informou, por meio de nota, que o promotor Jorge Alberto Gomes Damasceno não vai se pronunciar, alegando que qualquer manifestação poderia comprometer o andamento do processo. A Rede Amazônica entrou em contato com a Prefeitura de Manaus para saber o posicionamento de David Almeida sobre as denúncias, mas até a ultima atualização desta reportagem não obteve resposta. Celulares aguardam por perícia Quem pediu pra acessar o conteúdo dos celulares foi o próprio delegado da Polícia Federal, Eduardo Zózimo. O Ministério Público concordou e no dia 25 de novembro de 2024, o juiz eleitoral responsável pelo caso, Anésio Rocha Pinheiro, autorizou o acesso ao conteúdo dos celulares, mas não determinou um prazo para que isso fosse feito. Especialistas consultados pela Rede Amazônica afirmam que a demora na análise dos celulares não é comum. O advogado Alexandre Nogueira afirmou que a legislação eleitoral estabelece prazo para a conclusão de processos relacionados ao pleito e defendeu que investigações não podem se estender por tempo indeterminado. Segundo ele, existe um dispositivo na Lei Geral das Eleições que determina que os processos eleitorais relacionados àquela eleição que devem ser concluídos no prazo de um ano. Já vem se formando na jurisprudência, nos tribunais país afora, o entendimento de que o procedimento investigatório não pode ter prazo infinito, ele precisa ser razoável. "Entendo que, muito provavelmente, em pouco tempo o juiz do caso deverá se manifestar para que seja especificado se ainda há alguma prova a produzir ou diligência a realizar, para que o inquérito seja encerrado e o Ministério Público possa decidir se oferece denúncia ou não”, afirmou o advogado. O delegado da PF responsável pelo caso, Eduardo Zózimo, também não quis comentar por que a perícia dos celulares ainda não foi realizada. LEIA TAMBÉM: Prefeito de Manaus defende ex-chefe de gabinete e contesta investigação sobre 'núcleo político' do CV no AM Ex-chefe de gabinete do prefeito de Manaus encaminhou mais de R$ 1,3 milhão para empresa fantasma, diz polícia Prefeito de Manaus, David Almeida (Avante) Semcom

Share this post: