Polícia Civil faz operação contra furto de cargas de açúcar e soja em trens no interior de SP
2026-03-17 - 11:30
Operação em Aguaí combate furto de cargas de açúcar e soja em ferrovias A Polícia Civil cumpre quatro mandados de prisão temporária e 11 de busca e apreensão em Aguaí (SP), na manhã desta terça-feira (17), para desarticular uma quadrilha especializada no furto de cargas de farelo de soja e açúcar em trens. Três suspeitos foram presos. 📱 Siga o g1 São Carlos e Araraquara no Instagram A Operação Ouro Branco reúne 29 policiais da Divisão de Investigações sobre Furtos, Roubos e Receptações de Veículos e Cargas (Divecar) do Departamento de Investigações Criminais (Deic). Durante as diligências, os agentes apreenderam veículos, sacos utilizados no transporte da carga furtada e dois simulacros de arma, além de outros materiais ligados à atuação do bando. Investigações Segundo as investigações, os produtos pertencem à concessionária Ferrovia Centro-Atlântica S.A. (FCA/VLI) e são levados do interior paulista com destino ao Porto de Santos, para exportação. Durante o trajeto, os criminosos acessam os vagões em movimento, abrem compartimentos de carga e ensacam o material, que é lançado na linha férrea. Na sequência, outros integrantes do grupo recolhem a carga utilizando veículos e a transportam para galpões e sítios da região. Nesses locais, os produtos passam por um processo de descaracterização antes de serem revendidos no mercado formal, com aparência de legalidade. As investigações apontam que o esquema criminoso tem como alvo principal cargas de commodities, com foco em açúcar e soja, e atua na rota de escoamento do interior paulista até o Porto de Santos. Desde 2023, houve aumento expressivo dos ataques, com prejuízos estimados em milhões de reais por ano. Além das perdas financeiras, a ação da quadrilha também provoca impactos logísticos, como a indisponibilidade de produtos considerados críticos no principal porto do país, gerando gargalos no comércio internacional. Polícia Civil faz operação em Aguaí (SP) contra furto de cargas de açúcar e soja em trens Polícia Civil/Divulgação Mais notícias da região: VÍDEO: saiba como é feito o único vinho brasileiro que está entre os 115 melhores do mundo FATALIDADE: Jovem de 18 anos morre após grave acidente em rodovia de Pirassununga LUTO: Morte do atleta Rafael Camarinho durante corrida em trilhas em MG gera comoção Estruturação da quadrilha De acordo com a polícia, a organização criminosa era estruturada em quatro frentes de atuação. A primeira era a equipe de vandalismo, formada por integrantes com conhecimento técnico que atuavam diretamente na ferrovia, sabotando os trens ao cortar mangueiras de ar para forçar a parada das composições, romper lacres e abrir os vagões. A segunda frente era composta por coletores, responsáveis por recolher o açúcar despejado na linha férrea, ensacar rapidamente o produto e levá-lo para áreas de mata. Já a terceira célula atuava na logística e ocultação da carga. Os intermediários pagavam entre R$ 10 e R$ 15 por pessoa envolvida na coleta e transportavam o material em veículos como vans e kombis, armazenando-o em imóveis e sítios da região. Por fim, a quadrilha contava com uma equipe de receptadores, responsável por operar galpões onde o açúcar era limpo, reensacado e inserido novamente no mercado com o uso de notas fiscais fraudulentas, simulando origem lícita. “O grupo já vinha sendo investigado desde o fim do ano passado, após denúncias de prejuízos milionários. Eles agiam diretamente nos vagões em movimento, retiravam a carga e lançavam na linha férrea para que outros integrantes fizessem o recolhimento”, explicou o delegado Danilo Alexiades, responsável pela ação. O nome da operação faz referência ao alto valor e à facilidade de escoamento dos produtos furtados. “O açúcar, por exemplo, é uma mercadoria que, assim que subtraída, já tem comprador certo. Por isso, a alusão ao ‘ouro branco’, pela liquidez e rápida inserção no mercado”, acrescentou o delegado. As investigações continuam para identificar outros envolvidos no esquema criminoso. A operação segue em andamento. REVEJA VÍDEOS DA EPTV: Veja mais notícias da região no g1 São Carlos e Araraquara