PM morta em casa: depoimento de socorrista traz revelações sobre dia do crime; veja o que se sabe sobre as investigações
2026-03-09 - 12:33
PM morta com tiro na cabeça: imagens e áudios mostram o que ocorreu durante resgate O depoimento de um dos bombeiros que atenderam a ocorrência levantou dúvidas sobre o que aconteceu no apartamento onde a soldado da Polícia Militar Gisele Alves morreu baleada na cabeça no bairro do Brás, na região central de São Paulo, no mês passado. Entenda abaixo o que se sabe sobre o caso. O socorrista, com 15 anos de experiência, relatou em depoimento a que o programa Fantástico, da TV Globo, teve acesso, que achou a cena estranha e decidiu fotografá-la. Segundo ele, a arma estava bem encaixada na mão da policial, de uma forma que disse nunca ter visto em casos de suicídio. Outros pontos também chamaram atenção dos bombeiros: o sangue já estava coagulado, o cartucho da bala não foi encontrado e o marido da vítima afirmou que estava no banho no momento do disparo, mas estava seco e não havia água no chão do apartamento. A defesa do marido afirma que ele não é investigado, suspeito ou indiciado no processo, e que ele tem colaborado com as autoridades. O Fantástico também teve acesso a imagens e áudios inéditos que mostram os momentos após o disparo no apartamento onde a policial morava com o marido. As gravações incluem ligações feitas para serviços de emergência e imagens das câmeras de segurança do andar do prédio. Onde e quando o caso aconteceu? A policial foi baleada dentro do apartamento onde morava com o marido no bairro do Brás, na região central de São Paulo. O caso ocorreu na manhã do dia 18 de fevereiro de 2026. Caso da PM morta em São Paulo. Fantástico Como foi o pedido de socorro do marido? O primeiro pedido de ajuda foi feito pelo marido de Gisele, o tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Neto. Em ligação para a Polícia Militar, ele afirmou que a esposa havia atirado contra a própria cabeça. “Alô. É o tenente-coronel Neto, estou no Brás. A minha esposa é policial feminina, ela se matou com um tiro na cabeça. Manda um resgate, uma viatura aqui agora, por favor.” Pouco depois, ele também ligou para o Corpo de Bombeiros. “A minha esposa se matou com um tiro na cabeça. Ela ainda está viva, ela está respirando.” Ligação do tenente-coronel para o serviço 190 da Polícia Militar para relatar a morte da esposa. Reprodução/TV Globo O que mostram as câmeras de segurança? Imagens das câmeras de segurança do corredor mostram o momento em que o tenente-coronel aparece ao telefone. 8h02: ele surge no corredor sem camisa, falando ao telefone. 8h05: Três minutos depois: aparece fazendo outra ligação. 8h13: três bombeiros chegam ao local. O que o marido relatou sobre o relacionamento? Morte de PM em apartamento levanta dúvidas: laudos, câmeras e testemunha contradizem versão de suicídio Áudios gravados no local mostram o tenente-coronel falando sobre a relação do casal. “A gente está casado há dois anos. De seis meses para cá, a gente começou a ter muita crise.” Segundo ele, os dois estavam sozinhos desde a noite anterior e discutiram o relacionamento. “O jeito que a gente está vivendo não compensa. Eu estou gastando aí sete mil por mês para viver com dois estranhos. Eu quero me separar.” Depoimento do tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Neto sobre o crime. Reprodução/TV Globo Ele também relatou como diz ter encontrado a esposa após o disparo: “Eu entrei no banho. Fazia um minuto que eu estava debaixo do chuveiro quando escutei o barulho. Achei que fosse ela batendo a porta. Quando abri o box, ela estava caída no chão, no sangue. Ela deu um tiro na cabeça.” Depoimento do tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Neto sobre o crime. Reprodução/TV Globo Resgate da policial Os socorristas conseguiram reanimar Gisele no local. Enquanto tentavam salvá-la, disseram que o marido não demonstrava desespero e permaneceu ao telefone com superiores. 8h55: a policial foi retirada do prédio ainda com vida em uma maca. O tenente-coronel aparece sentado no corredor. Depoimento dos socorristas Depoimentos dos socorristas que atenderam a ocorrência envolvendo a PM Gisele Alves, em 18 de fevereiro de 2026. Reprodução/TV Globo Um dos bombeiros que atenderam a ocorrência, com 15 anos de experiência, relatou em depoimento que achou a cena estranha e decidiu fotografá-la. Segundo ele, a arma estava bem encaixada na mão da policial Gisele Alves, de uma forma que disse nunca ter visto em casos de suicídio. Outros pontos também chamaram atenção da equipe de resgate: o sangue já estava coagulado, o cartucho da bala não foi encontrado e o marido da vítima, o tenente-coronel Geraldo Neto, afirmou que estava no banho no momento do disparo, mas estava seco e não havia água no chão do apartamento. Posição da arma na mão da PM Depoimentos dos socorristas que atenderam a ocorrência envolvendo a PM Gisele Alves, em 18 de fevereiro de 2026. Reprodução/TV Globo Um dos bombeiros que atenderam a ocorrência relatou em depoimento que a posição da arma na mão da soldado Gisele Alves chamou a atenção da equipe de resgate. Segundo ele, a arma estava bem encaixada na mão da policial, de uma forma que disse nunca ter visto em casos de suicídio ao longo da experiência na corporação. O socorrista afirmou que, por causa da situação considerada incomum, decidiu fotografar a cena no momento do atendimento. Depoimentos dos socorristas que atenderam a ocorrência envolvendo a PM Gisele Alves, em 18 de fevereiro de 2026. Reprodução/TV Globo Cheiro de produtos químicos no local Policiais militares que participaram da ocorrência afirmaram que o tenente-coronel voltou ao local com cheiro forte de produto químico após um intervalo em que teria tomado banho. Testemunhas disseram que ele entrou no apartamento novamente nesse período, mesmo após ter sido orientado por policiais a não fazer isso. Laudos da Polícia Técnico-Científica indicam que a cena do crime não foi preservada corretamente, o que impediu os peritos de determinar com precisão a dinâmica do disparo e quem atirou. Um vídeo gravado após a saída dos socorristas mostra o apartamento com móveis fora do lugar, panos e produtos de limpeza espalhados pelo chão. “O apartamento estava uma verdadeira bagunça. O local não foi preservado”, afirmou o advogado da família. Ligação para desembargador O desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan, do Tribunal de Justiça de São Paulo. Fantástico Entre os contatos feitos por Geraldo naquela manhã, um chamou a atenção da família da policial: a ligação para o desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan, do Tribunal de Justiça de São Paulo. Ele chegou ao prédio às 9h07 e subiu para o apartamento com o tenente-coronel. O advogado da família, José Miguel da Silva Junior, questiona a presença do magistrado no local. “Ele vai ter que explicar por que estava lá. Pelo relato que temos, o desembargador foi a primeira pessoa acionada após o disparo.” 9h18: o desembargador reaparece no corredor. 9h29: Onze minutos depois: o tenente-coronel surge com outra roupa. Diferença no horário do disparo Outro ponto levantado pelos investigadores aparece no depoimento de uma vizinha. Ela disse que acordou às 7h28 com um estampido forte. A primeira ligação do tenente-coronel pedindo socorro foi feita às 7h57, cerca de 29 minutos depois. “Essa lacuna precisa ser explicada. A família merece saber o que aconteceu”, disse o advogado. O que dizem as defesas Em nota, a defesa de Geraldo Neto afirma que ele não é investigado, suspeito ou indiciado no processo. A defesa também diz que, desde o início, o tenente-coronel tem colaborado com as autoridades e está à disposição para ajudar na elucidação dos fatos. Já a defesa do desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan informou que ele foi chamado ao apartamento como amigo do tenente-coronel e que eventuais esclarecimentos serão prestados à polícia judiciária. Sangue encontrado em box pode dar novo rumo à investigação da morte de uma PM em SP