PF cita lei sobre indícios de crimes cometidos por magistrados ao entregar ao STF relatório sobre celular de Vorcaro
2026-02-12 - 00:55
Ao encaminhar ao Supremo Tribunal Federal (STF) um relatório sobre os dados do celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, a Polícia Federal cita um artigo da Lei Orgânica da Magistratura que trata de situações em que há índicios de crimes cometidos por magistrados e um trecho do regimento interno do STF sobre declaração de suspeição. A declaração de suspeição é o ato de um magistrado para reconhecer que não pode ser o relator de um processo, abrindo mão dele. O celular de Vorcaro apreendido pela PF continha menções ao ministro Dias Toffoli, do STF, que é o relator da investigação sobre o Banco Master no tribunal. Segundo o blog apurou, a PF não pediu a suspeição de Toffoli. As menções a Toffoli aparecem em conversas no celular. O aparelho foi apreendido em novembro na Operação Compliance Zero, que investiga fraudes financeiras Master, liquidado pelo Banco Central. O blog apurou que o envio do relatório da PF ao Supremo aumenta a pressão para que Toffoli deixe o caso Master. Há nos bastidores do tribunal uma corrente que defende que Toffoli se afaste da relatoria desde o ano passado exatamente por isso: pelo temor de que as investigações avancem e exponham ainda mais a corte. O ministro, até entao, vinha dizendo que não deixaria o caso e que poderia mandá-lo para a primeira instância mais adiante. Agora, com citação a foro a autoridades com privilegiado nos documentos, os ministros voltam a avaliar que a situação de Toffoli à frente do caso é insustentável e arrasta o STF para a crise.