Pesquisa, aplicativos e robótica: mulheres desenvolvem projetos na área de ciência e tecnologia no interior de SP
2026-03-08 - 16:13
Reportagem especial mostra mulheres do interior de SP que fazem a diferença na ciência Pesquisas, desenvolvimento de aplicativos, programação e robótica: esses são apenas alguns dos projetos desenvolvidos por mulheres na área de ciência e tecnologia em institutos educacionais de Itapetininga (SP) e Tatuí (SP). Neste domingo (8), Dia Internacional da Mulher, a TV TEM mostra histórias de mulheres que fazem a diferença na área científica do interior paulista. Segundo o Instituto de Pesquisa e Econômica Aplicada (Ipea), a participação das mulheres na ciência cresceu nos últimos anos, representando 52% dos pesquisadores no Brasil atualmente. 📲 Participe do canal do g1 Itapetininga e Região no WhatsApp Mas a realidade era diferente há quase 30 anos. Ainda segundo o Ipea, nos anos 2000, as mulheres representavam 44% dos cientistas brasileiros. As cientistas afirmam que a expectativa é de que esse número continue crescendo. Há mais de dez anos, a pesquisadora Jéssica Britto passa seus dias estudando plantas e desenvolvendo projetos científicos. Ela é graduada em biotecnologia pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), e tem mestrado e doutorado em genética e bioquímica. “Eu vejo mulheres fortes, empoderadas e que tem grande conhecimento, a gente tem como referência, né? Uma mulher vai apoiando a outra. A gente tem olhares e nuances, percepções muito detalhistas e isso vem ajudando bastante nessa parte de inovação e pesquisa, que é uma área que exige muito essas essas percepções mais minuciosas”, disse. Jéssica se mudou para Itapetininga há cerca de três anos e atualmente trabalha em uma empresa de tecnologia ambiental, que desenvolve mudanças genéticas em plantas. No local, as mulheres ocupam 75% do quadro de funcionários. A pesquisadora Jéssica se mudou para Itapetininga e assa seus dias estudando plantas e desenvolvendo projetos científicos Jamie Rafael Martins Cambuí/TV TEM 👩🏽💻‘Garotas da TI' Pensando em como poderia contribuir para a inclusão de mulheres na tecnologia, Eline Welter, professora de informática do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP) em Itapetininga, colocou em prática o projeto “GAT”, sigla para Garotas de TI de Itapetininga. Há mais de um ano, ela reuniu suas alunas e propôs criar projetos diferentes na área da tecnologia da informação. “Eu fico muito emocionada em ver as meninas participando. Querendo aprender mais, querendo entender sobre tecnologia. Porque para mim, quando eu tinha a idade delas, foi muito difícil entrar na área de informática. Eu tô tentando facilitar um pouquinho o caminho para elas chegarem até aqui. Vão se tornar grandes profissionais no futuro”, comentou. Leia também: Mulheres encontram autoestima, saúde e apoio em grupo de dança exclusivo para participantes com mais de 60 anos 'Histórias que inspiram': conheça mulheres que fazem a diferença no oeste paulista Mulheres realizam sonho de viajar o mundo sozinhas com apoio de agências especializadas no interior de SP: 'Ato de muita coragem' Entre os projetos desenvolvidos na GAT, existe o da aluna Júlia Tavares de Queiroz, de 15 anos. Ela desenvolveu um aplicativo para ajudar mulheres vítimas de violência doméstica, contendo informações sobre direitos, maneiras de pedir ajuda e até vínculo com ONG's e unidades policiais. “Pensei no cenário de a mulher numa situação de violência não ficar tão exposta com o aplicativo assim. Vai mostrar todas as leis com uma linguagem mais objetiva e simples. A gente também tem um botão de emergência, caso a mulher sofra uma violência, o aplicativo vai localizar ela, vai chamar a polícia que estiver mais perto e direcionar para casa dela. Também temos direcionamento para ONGs, para centros de roda de conversa de mulheres”, explicou a estudante. Uma professora de Itapetininga desenvolveu um projeto com o objetivo de incentivar a presença feminina na área da tecnologia Jamie Rafael Martins Cambuí/TV TEM Outro grupo da GAT desenvolveu um aplicativo que orienta a população sobre o descarte correto do lixo eletrônico. Conforme a estudante Rebecca Rosa, de 16 anos, para cada descarte, a pessoa acumula um ponto, que depois pode ser trocado por produtos. “Celulares, pilhas, eles têm componentes que não podem ser jogados em qualquer lixo. Elas podem ter mais vontade e acabar tendo consciência de onde jogar o lixo no lugar certo”, explicou. 🤖Robótica em Tatuí A professora Taiane Vaccas Domingues conseguiu unir ciência, programação e robótica em uma só disciplina. “A hora que a gente pensa sobre mulheres na ciência, acho que isso começa no ambiente escolar. Elas não estão sendo só usuárias da tecnologia, elas estão se vendo como engenheira, como pesquisadora”, apontou. A dedicação de Taiane alcançou resultados positivos: a turma de robótica começou a construir seus primeiros robôs. Para Ana Clara Hanf, de 16 anos, esse projeto virou um sonho. Por causa das aulas, a jovem desenvolveu uma paixão pela tecnologia e busca se graduar futuramente em engenharia da computação ou ciência da computação. “Desde o sétimo ano eu participo de competições junto das aulas de programação e robótica. Foi através das aulas que eu comecei a programar, comecei a construir. E isso foi gerando uma paixão dentro de mim muito grande. O que acarretou a minha escolha do curso do Senai e também o curso da minha faculdade, ou do que eu quero ser quando eu crescer”, compartilhou Ana Clara. A estudante Rebecca Rosa, ao lado de outras alunas, desenvolveu um aplicativo para orientar o descarte correto de lixo eletrônico Jamie Rafael Martins Cambuí/TV TEM Initial plugin text Veja mais notícias no g1 Itapetininga e Região VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM