TheBrazilTime

Paraíso do Tuiuti 2026: veja o enredo e cante o samba

2026-02-02 - 14:15

Cartaz do enredo da Tuiuti de 2026 Reprodução A Paraíso do Tuiuti vai abrir as apresentações da terça-feira (17). O “esquenta” está marcado para as 21h45, e o desfile deve começar às 22h. O enredo é “Lonã Ifá Lukumi”. Enredo e samba: Paraíso do Tuiuti O enredo Dizem que a tradição iorubá atravessa o mundo junto com quem a carrega. Foi assim que ela chegou a Cuba. Na África, os iorubás guardavam seus saberes no Ifá, o oráculo que orienta o destino e ensina o caminho do equilíbrio. Esse conhecimento era transmitido pelos babalaôs, que liam os sinais da vida e mantinham viva a ligação com os orixás. Nada disso estava escrito em livros: vivia na palavra, no gesto e na memória. Quando homens e mulheres iorubás foram arrancados de suas terras e levados à força para o outro lado do Atlântico, não puderam escolher o caminho. Em Cuba, passaram a ser chamados de lucumis e foram obrigados a trabalhar nas plantações de cana-de-açúcar e café. Mesmo sob violência, carregaram consigo sua fé e sua língua. Nas senzalas e nos engenhos, os lucumis reconstruíram sua religião. Em segredo, preservaram o Ifá, ensinaram os rituais aos mais jovens e mantiveram os orixás vivos no cotidiano. Em Matanzas, essa herança ganhou força e se transformou em resistência. Ali, a africana Carlota Lucumí liderou uma grande revolta contra a escravidão, tornando-se símbolo de luta e coragem do povo iorubá em solo cubano. Foi também em Matanzas que o Ifá criou raízes profundas. Remígio Herrera, conhecido como Adechina, nasceu escravizado, mas se tornou uma das figuras centrais da preservação dessa tradição. Depois de conquistar a liberdade, voltou à África para se consagrar babalaô e retornou a Cuba com a missão de organizar o culto de Ifá nas Américas. A partir dele, o oráculo se firmou e passou a ser transmitido de geração em geração. Para sobreviver à perseguição colonial, os lucumis associaram seus orixás a santos católicos. Assim nasceu a Santería, também chamada de Regla de Ocha ou Regla Lucumi, uma forma de manter a fé viva sob disfarce. Dessa travessia forçada surgiu uma nova casa para a tradição iorubá. Em Cuba, a África continuou a existir, reinventada, resistente e viva. É essa história — de dor, fé e permanência — que a Paraíso do Tuiuti leva para a Avenida ao contar como o iorubá chegou a Cuba. Tuiuti vai mergulhar na ancestralidade e religiosidade afro-cubana Cante o samba Autores: Claudio Russo, Gustavo Clarão e Luiz Antonio Simas Intérprete: Pixulé Ibarabô, agô lonã Olukumí Iboru iboya ibosheshe Canta Tuiuti! Meu padrinho me falou Cada um tem seu ori O destino é professor A raiz é Lucumí Ifá, retira dessa flor os seus espinhos Revela meu odu e seus caminhos Com os ikins de Orunmilá Me dê seu irê para vida Olodumarê criador Espalhou axé e amor No Ilê dos orixás E o negro iniciado no segredo Do reino de Olokun fez sua trilha Rompendo os grilhões de morte e medo Foi o primeiro babalaô da ilha Babá moforibalé, babá moforibalé Orunmilá Taladê, babá moforibalé Eleguá É o dono do poder Moenda não pode mais moer Põe fogo na cana Eleguá Tem mandinga e dendê Hoje o couro vai comer Nas barbas de Havana Ah! O ânimo de ser do baticum Com a lâmina sagrada de Ogum E a sina de quem ama o Idefá Ah! A rama do Caribe se expandiu No verde e amarelo do Brasil Nas cordas do opelê e no oponifá Derruba os muros quem sabe asfaltar Caminhos abertos na mão de Ifá Que o mundo entenda O ebó vence a dor Sentado à esteira de um babalaô Ficha técnica Fundação: 5 de abril de 1952 Cores: 🔵🟡Azul e Amarelo Presidente: Renato Thor Carnavalesco: Jack Vasconcelos Diretor de Carnaval: Leandro Azevedo Intérprete: Pixulé Mestre de Bateria: Marcão Rainha de Bateria: Mayara Lima Mestre-Sala e Porta-Bandeira: Vinicius Antunes e Rebeca Tito Comissão de Frente: David Lima Mayara Lima, rainha de bateria da Paraíso do Tuiuti Tata Barreto | Riotur

Share this post: