Pai e madrasta de adolescente encontrada morta são indiciados por feminicídio
2026-03-04 - 11:53
Polícia Civil atualiza investigações sobre morte da adolescente Marta Isabelle A Polícia Civil indiciou o pai e a madrasta de Marta Isabelle, de 16 anos, por feminicídio. Além disso, eles vão responder por tortura com resultado morte, cárcere privado, maus-tratos e omissão de socorro. Segundo as investigações, a jovem era mantida presa dentro de casa e sofria agressões constantes até morrer. ➡️ Contexto: A adolescente Marta Isabelle foi encontrada pela polícia deitada em uma cama, coberta por um lençol e usando fralda descartável. O laudo inicial indicou que ela estava desnutrida, tinha ossos expostos, ferimentos cheios de larvas e marcas indicando que ela passou dias imobilizada. De acordo com a delegada Leisaloma Carvalho, o caso se enquadra no artigo 121-A do Código Penal, que trata do feminicídio em situações de violência doméstica e familiar. “Marta sofreu o ápice da violência dentro da própria casa, em um cenário de agressões que foram se intensificando ao longo do tempo”, explicou. Os suspeitos são: Callebe José da Silva, o pai Benedita Maria da Silva, avó paterna Ivanice Farias de Souza, madrasta A investigação apontou que o pai e a madrasta mantinham a menina amarrada com fios. Além disso, ela era obrigada a comer restos de comida, era privada de água para beber ou de qualquer tipo de higiene e mesmo com ferimentos cheios de larvas não recebia atendimento médico. Ainda de acordo com a delegada Leisaloma, o pai da adolescente foi descrito como ciumento. Ele retirou ela da escola há quase três anos sob o argumento falso de que iria transferi-la para a Paraíba e, desta forma, isolou a Marta de qualquer convívio social. Leia também: Pai e madrasta presos por suspeita de torturar adolescente até a morte são pastores em Porto Velho As investigações mostram que os castigos começaram de forma mais leve, mas foram aumentando nos últimos meses. Há cerca de 60 dias, a situação se agravou: Marta passou a ser mantida amarrada pelos pulsos, imobilizada na cama, sem acesso a comida e higiene, além de sofrer agressões físicas frequentes. Segundo a delegada, a adolescente era castigada por qualquer motivo, até mesmo sem justificativa. O pai chegou a cortar o cabelo da filha como punição. Inquérito aponta indícios de abuso Durante coletiva de imprensa realizada na manhã da última terça-feira (3), a Polícia Civil revelou que há elementos no inquérito que indicam que a adolescente Marta Isabelle, de 16 anos, mantida em cárcere e torturada até a morte por familiares, também seria vítima de abusos sexuais. "Lamentável que uma adolescente que deveria estar sendo protegida dentro de sua casa, estava sofrendo vários crimes tão bárbaros. O sofrimento que essa adolescente teve durante o final da sua vida foi lento e gradual", comentou a delegada Leisaloma Carvalho. A Polícia Civil informou que continua analisando os elementos do caso para esclarecer todas as circunstâncias da morte da jovem. O g1 tenta localizar a defesa dos suspeitos. Quem era Marta? Caso Marta Isabelle: quem era a adolescente encontrada morta com sinais de tortura Conhecida pela família como Martinha, Marta Isabelle dos Santos, de 16 anos, gostava de cantar na igreja e sonhava em terminar os estudos. A adolescente morava com o pai e a madrasta em Rondônia, enquanto o restante da família vive na Paraíba. Em entrevista ao g1, a tia de Marta contou que a jovem nasceu na Paraíba e, ainda criança, foi morar com o pai em Rondônia. Segundo ela, a última foto com a sobrinha é de agosto de 2020. Desde então, o contato entre elas diminuiu. Um vídeo divulgado nas redes sociais de uma igreja mostra a adolescente cantando durante um culto. De acordo com a tia, esse foi o último registro em vida ao qual a família teve acesso (veja acima). A tia afirmou que a jovem era querida por todos e que ninguém tinha conhecimento das agressões. “Martinha era muito amada. Sonhava em estudar, terminar os estudos e construir um futuro. Nada justifica o que fizeram com ela”, disse. Marta Isabelle dos Santos, de 16 anos Mateus Santos/g1