Ouro caminha para maior alta diária desde 2008; prata acompanha
2026-02-03 - 17:15
Os preços do ouro e da prata registraram alta nesta terça-feira (3), após quedas expressivas nas duas sessões anteriores. Com o movimento, o ouro passou a caminhar para a maior valorização diária desde novembro de 2008, em um contexto em que parte dos investidores voltou ao mercado após a recente correção de preços. Por volta das 14h (horário de Brasília), o ouro à vista subia 6,9%, negociado a US$ 4.985,44 por onça. O metal se recuperava da mínima registrada na segunda-feira, de US$ 4.403,24, mas ainda operava abaixo do recorde histórico alcançado na semana passada, de US$ 5.594,82. Já os contratos futuros de ouro com vencimento em abril avançavam 7,7%, a US$ 5.011 por onça. A prata apresentava um avanço ainda mais acentuado, com alta de 11,7%, cotada a US$ 88,74 por onça. O movimento ocorre após o metal ter registrado uma queda de 27% na sexta-feira e novo recuo de 6% na sessão de segunda-feira. Para Peter Grant, vice-presidente e estrategista sênior de metais da Zaner Metals, as perdas recentes fazem parte de um ajuste dentro de uma tendência mais ampla. Segundo ele, os fatores que sustentaram a valorização do ouro nos últimos anos seguem presentes. Grant avalia ainda que o mercado pode passar por um período de estabilização, com o patamar de US$ 4.400 funcionando como referência de suporte e a região próxima de US$ 5.100 como um possível limite de resistência. Os metais preciosos haviam recuado nos últimos dias após a indicação de Kevin Warsh para assumir a presidência do Federal Reserve, no lugar de Jerome Powell, que deixará o cargo em maio. A expectativa do mercado é de que Warsh apoie cortes de juros, mas adote uma postura mais restritiva em relação ao tamanho do balanço do banco central americano. Outro fator que pesou sobre os preços foi a decisão da CME Group de elevar as exigências de margem para contratos futuros de metais preciosos, o que tende a reduzir a alavancagem dos investidores. Apesar da volatilidade recente, analistas seguem projetando a continuidade do movimento de alta no médio e longo prazo, com possibilidade de novos recordes ao longo do ano. Jeffrey Christian, sócio-gerente da CPM Group, afirma que a expectativa é de retomada gradual da valorização, à medida que persistem as preocupações dos investidores com o cenário econômico e político. O ouro costuma ser visto como uma forma de proteção em momentos de incerteza e, historicamente, tende a se beneficiar de ambientes de juros mais baixos. Nesse contexto, o Departamento de Estatísticas do Trabalho dos Estados Unidos informou que o relatório de emprego de janeiro não será divulgado nesta sexta-feira, em razão da paralisação parcial do governo federal. Entre outros metais, a platina à vista subia 6%, negociada a US$ 2.248,20 por onça, enquanto o paládio avançava 4,8%, para US$ 1.802,43. Barras de ouro Fábio Venâncio / Tv Globo