Operação da PF contra 'assessores fantasmas' na Câmara de Angra dos Reis tem como alvo estudante de medicina de Juiz de Fora
2026-03-24 - 13:40
PF faz operação contra suspeitas de 'rachadinha' no RJ A operação da Polícia Federal contra 'assessores fantasmas' na Câmara de Angra dos Reis (RJ) tem como alvo uma assessora parlamentar e estudante de medicina de Juiz de Fora. O nome dela não foi divulgado. A investigação apura um possível esquema de desvio de recursos eleitorais e a contratação de funcionários fantasmas em troca de apoio político. Um mandado de busca e apreensão foi cumprido em um condomínio de luxo no bairro São Pedro, em Juiz de Fora, segundo apuração do g1. Não foi informado o que foi apreendido. Ninguém foi preso. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Zona da Mata no WhatsApp De acordo com a Polícia Federal, a investigada cursa medicina em tempo integral, de forma presencial, em uma faculdade na cidade mineira, e também atuaria como cirurgiã-dentista, o que levanta questionamentos sobre a compatibilidade com o cargo ocupado no gabinete do vereador Greg Duarte (PL) no município fluminense. Conforme o Portal da Transparência, ela recebe salário de R$ 7 mil, com carga horária de 40 horas semanais e tomou posse em 2025. Ao todo, policiais federais cumpriram cinco mandados de busca e apreensão na ação chamada 'Caça Fantasmas', expedidos pela Justiça Eleitoral, nas cidades de Angra dos Reis, Rio de Janeiro e Juiz de Fora. Vereador está entre os alvos O vereador Greg Duarte está entre os alvos de mandados de busca e apreensão, segundo informações do blog da Camila Bonfim. Procurado, ele nega qualquer irregularidade no cumprimento de contratos e na contratação de serviços. Veja mais detalhes abaixo. Além dele, duas assessoras e um advogado também foram alvos da operação. Como funcionava o esquema? Operação na Câmara Municipal de Angra dos Reis Polícia Federal/Divulgação As investigações apontam o uso da máquina pública para práticas criminosas, com a nomeação de assessores parlamentares sem efetivo exercício funcional. Na prática, isso sugere uma ligação entre a ocupação de cargos públicos e a obtenção de apoio político e financeiro. A PF também investiga se essas ligações eram usadas como mecanismo de sustentação da base política, inclusive para o recebimento e envio de dinheiro público fora dos registros oficiais de campanha. Investigadores relatam o uso de declarações falsas em prestações de contas eleitorais. Entre as irregularidades estão a omissão de despesas e a inserção de informações incorretas sobre a contratação de serviços e o envio de recursos de campanha. Os investigados poderão responder pelos crimes de falsidade ideológica eleitoral, peculato, desvio e abuso de poder político e econômico, sem prejuízo de outras infrações que possam ser identificadas ao longo das apurações. 🔎 Peculato é um crime previsto no Código Penal brasileiro que ocorre quando um funcionário público se apropria, desvia ou utiliza indevidamente dinheiro, bens ou valores. O que diz o vereador? O vereador Greg Machado afirmou que a assessora apontada como funcionária fantasma “faz análise de pautas e projetos de lei de forma remota” e foi indicada por um parente do advogado dele. Ele afirmou ainda que nenhum assessor é obrigado a cumprir expediente presencial em gabinete e que, segundo a avaliação dele, a profissional presta efetivamente os serviços contratados. Citou também uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que autoriza o trabalho remoto de qualquer lugar. LEIA TAMBÉM: PF apreende carros em São João del Rei durante operação contra extração ilegal de minério no Brasil VÍDEOS: veja tudo sobre a Zona da Mata e Campos das Vertentes