ONU alerta para risco de a água ser usada como arma no conflito no Oriente Médio
2026-03-14 - 00:03
ONU declara preocupação com o uso da água como arma da guerra no Irã A ONU declarou preocupação com o uso do petróleo como arma de guerra e fez um alerta: existe o risco de que um recurso ainda mais essencial acabe sendo levado para o centro do conflito. O Serviço Secreto Americano, a CIA, já definiu essa outra arma como a “mercadoria estratégica” do Oriente Médio. Não é petróleo nem gás natural. É a água. Especialmente nos países do Golfo Pérsico, quase não existem rios. Lagos naturais, raríssimos. Clima desértico. Nesses países, a água de beber vem do mar. Passa por usinas de dessalinização - que já viraram alvo na guerra. Olha quantas usinas dessas há no Oriente Médio. Pelo direito internacional, elas são protegidas em caso de guerra. Mas duas já foram atacadas. No sábado (7), o Irã acusou os Estados Unidos de atingirem uma usina na ilha de Qeshm, comprometendo o abastecimento de água para 30 comunidades. Depois, o Bahrein acusou o Irã de ter danificado uma instalação. Imagina a consequência para as pessoas quando a água vira arma de guerra. A ONU está preocupada. O porta-voz do Secretário-Geral das Nações Unidas disse que a Organização Mundial da Saúde acompanha de perto os impactos causados pelos ataques às usinas. Ele lembrou que antes da guerra o Oriente Médio já enfrentava problemas de abastecimento. O próprio Irã vivia uma crise. Usinas de dessalinização no Oriente Médio Jornal Nacional/ Reprodução “Teerã estava perto do ‘dia zero’. Ou seja, de não ter mais água disponível na capital”, disse Michael Gremillion, especialista em segurança hídrica. Ele é diretor de um instituto ligado à Universidade do Alabama, nos Estados Unidos, e acha que podem, sim, acontecer novos ataques a essas usinas no Oriente Médio: “Esses países dependem muito das usinas para suprir tanto a agricultura quanto o abastecimento doméstico. Se você perde parte dessa água, você corre o risco de gerar uma insegurança alimentar. Então, se o objetivo é afetar a população civil desses países, esse é um ponto crítico de ataque”. Hoje, o Kuwait obtém cerca de 90% da água potável por essas usinas. A Arábia Saudita, 70%, e o Catar, 60%. O ministro de Relações Exteriores do país disse que alvejar infraestrutura essencial, como instalações de tratamento de água, depósitos de comida ou qualquer lugar que seja fundamental para a sobrevivência das pessoas, é um perigo enorme. “Se isso continuar, vamos ter uma catástrofe humanitária”, alertou Majed Al-Ansari. Tem analista dizendo que a água pode se tornar a mercadoria geopolítica que vai decidir essa guerra. Aquele documento do Serviço Secreto Americano, lá de 1980, já sublinhava: “Altos funcionários do governo em alguns desses países percebem a água como mais importante que o petróleo para o bem-estar nacional”. Petróleo pode valer muito, mas não é vital. LEIA TAMBÉM Chefe do Conselho de Segurança do Irã ameaça Trump: 'Cuidado para não ser eliminado' Governo Trump monitora se Irã ativou 'células adormecidas' por meio de mensagens criptografadas 'Bet da guerra': apostas em ataque dos EUA ao Irã levantam suspeitas de informação privilegiada