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O que está por trás do confronto entre Israel, Irã e Estados Unidos e o que podemos esperar?

2026-03-03 - 14:33

Destruição no Irã após ataques dos EUA e de Israel REUTERS/Ronen Zvulun Se você abriu o noticiário hoje, vai ver uma coisa clara: o Oriente Médio está à beira de uma guerra maior. Neste texto, o g1 explica o que está acontecendo e por quê. Qual é o cenário neste momento? Depois da intervenção norte-americana no último fim de semana, Israel e Irã passaram a se atacar diretamente. Agora, o Líbano também entrou na rota da tensão. Nesta manhã, Israel afirmou que atacou o complexo presidencial do Irã e a sede do Conselho Supremo de Segurança Nacional — ou seja, o coração do poder político e militar iraniano. Isso acontece poucos dias depois da morte do líder supremo do Irã, o aiatolá — autoridade máxima religiosa e política do país, com poder acima do presidente. Ele foi morto nos ataques do fim de semana. Apesar dos bombardeios, ainda não há confirmação oficial sobre vítimas nesses alvos mais recentes. Em várias áreas, moradores estão vivendo em bunkers desde o início da ofensiva no sábado (28). O governo iraniano declarou que a ação norte-americano nos ataques representa uma “declaração de guerra”. Ao mesmo tempo, o conflito já transbordou para outro ponto sensível: o Líbano, que tem a presença do Hezbollah. A tensão vem aumentando na a região porque essa nova escalada expõe rivalidades antigas e amplia o risco de confrontos na região. Como essa briga começou? Israel e Irã são adversários históricos. Durante anos, o confronto foi indireto. O Irã financia e apoia grupos armados que enfrentam Israel na região. O Hezbollah é o principal deles. Quando Israel atinge estruturas ligadas ao Irã, esses grupos entram no confronto. Desde 2023, Israel e Hezbollah vinham trocando ataques. Houve um cessar-fogo em outubro de 2024, mas os confrontos voltaram após a nova escalada contra o Irã feita no fim de semana. Hoje, em resposta, a fronteira do Líbano está cercada por militares israelenses. Por que os Estados Unidos entraram nisso? É importante saber que os Estados Unidos são o principal aliado de Israel. ➡️ O argumento oficial de Washington e de Tel Aviv é que o ataque aconteceu porque o programa nuclear iraniano representa uma ameaça. O temor é que o Irã esteja se aproximando da capacidade de produzir uma arma nuclear. Hoje, nove países possuem armas nucleares: Estados Unidos, Rússia, China, França, Reino Unido, Índia, Paquistão, Coreia do Norte e Israel. Vale lembrar que o Irã sempre negou que esteja buscando desenvolver uma bomba. O que aconteceu com o acordo nuclear? Em 2015, o governo de Barack Obama assinou um acordo com o Irã. O país limitava seu programa nuclear e aceitava fiscalização internacional. Em troca, recebia alívio de sanções econômicas. Em 2018, no primeiro mandato, Donald Trump quebrou esse acordo. Sem o pacto, o Irã passou a ampliar o enriquecimento de urânio. Em 2025, os EUA atacaram instalações nucleares iranianas. Desde então, tentavam negociar novos limites. Em fevereiro deste ano, os dois países tentaram rodadas intensas de negociação em reuniões que eram vistas como uma última tentativa diplomática. Os americanos exigiam redução drástica do enriquecimento, entrega do estoque acumulado e desmonte de instalações estratégicas. O Irã dizia que não abriria mão do direito de enriquecer urânio. A negociação não avançou. Dias depois, vieram os ataques. Por que estão falando de urânio? O urânio é um elemento químico extraído de rochas. Quando saí da natureza, tem baixo teor do tipo necessário para uso nuclear. Para ser utilizado, ele passa por um processo chamado enriquecimento, feito em máquinas chamadas centrífugas, que giram em altíssima velocidade. Elas aumentam a concentração do material capaz de gerar reação nuclear. Com enriquecimento de até cerca de 20%, o urânio pode ser usado para produzir energia e também em pesquisas científicas, exames médicos e tratamentos oncológicos. O problema é o nível. Com concentração próxima de 90%, o material atinge o chamado grau militar — suficiente para fabricar uma arma nuclear. Nos últimos anos, o Irã acumulou centenas de quilos de urânio enriquecido a cerca de 60%. Tecnicamente, sair de 60% para 90% é um salto muito menor do que sair de 0% para 60%. É isso que preocupa Estados Unidos e Israel. Por que o mundo inteiro está atento? O conflito naquela região pode afetar o mundo em vários níveis. O preço do petróleo já subiu, o que pressiona combustíveis e inflação globalmente. Diplomaticamente, o cenário se dividiu. Países do BRICS adotaram posições diferentes. A União Europeia alertou para “graves consequências” e pediu reunião urgente do Conselho de Segurança da ONU. A ONU apelou por negociações imediatas. Já sobre o assunto armas nucleares, especialistas descrevem o momento como um “cenário sombrio”. Essa tensão não é porque exista uma bomba prestes a ser usada, mas porque o sistema internacional de controle nuclear vem se enfraquecendo nos últimos anos -- isso é um risco global. Tratados foram abandonados, arsenais estão sendo modernizados e, agora, instalações nucleares estão sendo atacadas diretamente. A pergunta que fica é até onde essa escalada pode ir — e se ainda há espaço para frear antes que o conflito se torne regional ou algo maior.

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