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Novo GLP-1 oral reduz mais glicose e peso que semaglutida em estudo; Orforgliprona amplia perda de peso em 73%

2026-02-26 - 17:03

A ainda experimental orforgliprona apresentou maior controle glicêmico e perda de peso em comparação com semaglutida oral em estudo para o tratamento do diabetes tipo 2, anunciou a farmacêutica americana Lilly. Participantes que usaram orforgliprona 36 mg em um estudo de fase perderam 8,9 kg (9,2%) em comparação com os 5,0 kg (5,3%) perdidos pelos que usaram semaglutida oral 14 mg, representando uma perda de peso relativa 73,6% maior. O estudo comparou diretamente duas terapias orais da classe GLP-1 e os resultados foram publicados na revista científica The Lancet. No estudo, a dose de 36 mg de orforgliprona reduziu a HbA1c em 2,2%, ante 1,4% com 14 mg de semaglutida oral. Em relação ao peso corporal, os participantes que receberam 36 mg de orforgliprona perderam, em média, 8,9 kg (9,2%), enquanto aqueles que utilizaram 14 mg de semaglutida oral perderam 5,0 kg (5,3%) — uma perda relativa 73,6% maior com a nova molécula. Comparação direta entre terapias orais O ACHIEVE-3 avaliou 1.698 adultos com diabetes tipo 2 em 52 semanas. Os participantes foram distribuídos em quatro grupos: orforgliprona 12 mg e 36 mg, e semaglutida oral 7 mg e 14 mg. Segundo a companhia, a orforgliprona superou a semaglutida oral tanto no desfecho primário quanto em todos os desfechos secundários analisados, com melhorias que apareceram já nas primeiras quatro semanas e se mantiveram ao longo de todo o estudo. “O ACHIEVE-3 nos dá a primeira comparação direta entre duas terapias agonistas de receptores GLP-1 orais em adultos com diabetes tipo 2, e as diferenças foram clinicamente significativas”, afirmou Julio Rosenstock, professor clínico de medicina da University of Texas Southwestern Medical Center e investigador principal do estudo. “As doses de 12 mg e 36 mg de orforgliprona superaram as doses de 7 mg e 14 mg de semaglutida oral em todos os desfechos-chave que medimos, incluindo HbA1c e perda de peso, com melhorias aparecendo logo nas quatro semanas e sustentadas durante todo o estudo.” Impacto em fatores de risco cardiovasculares Além do controle glicêmico e da redução de peso, a orforgliprona demonstrou melhorias clinicamente significativas, em relação ao valor basal, em fatores de risco cardiovasculares considerados importantes, como: colesterol não-HDL colesterol HDL colesterol VLDL colesterol total pressão arterial sistólica triglicerídeos Para Kenneth Custer, vice-presidente executivo e presidente do negócio de Cardiometabolismo da Lilly, os resultados destacam vantagens potenciais da nova molécula. “Os resultados do ACHIEVE-3 destacam as vantagens potenciais da orforgliprona sobre a semaglutida oral para o diabetes tipo 2: maior redução da HbA1c, mais perda de peso e a capacidade de tomá-lo sem restrições de horário de alimentos ou água – essa é uma combinação que pode ser significativamente importante para os pacientes que vivem com doenças cardiometabólicas”, afirmou. Ele acrescentou que a empresa aguarda a aprovação regulatória do FDA para obesidade no próximo trimestre e que as submissões globais estão em andamento. No Brasil, Luiz André Magno, diretor médico sênior da Eli Lilly do Brasil, afirmou que a ampliação das opções terapêuticas é estratégica. “É importante que médicos e pessoas que vivem com diabetes tipo 2 possam contar com diferentes opções terapêuticas de forma a atender a um plano de cuidado adequado ao paciente. A Lilly tem avançado consistentemente no desenvolvimento de soluções inovadoras para pessoas que vivem com doenças cardiometabólicas”, disse. Segundo ele, o Mounjaro® já demonstrou potencial no tratamento do diabetes tipo 2, e os novos resultados reforçam o compromisso da empresa em ampliar as possibilidades de cuidado. Segurança e tolerabilidade De acordo com a farmacêutica, o perfil geral de segurança e tolerabilidade da orforgliprona no ACHIEVE-3 foi consistente com estudos anteriores. Para ambas as medicações, os eventos adversos mais comuns foram náuseas, diarreia, vômitos, dispepsia e diminuição do apetite. As taxas de descontinuação do tratamento devido a eventos adversos foram: 8,7% (12 mg) e 9,7% (36 mg) para orforgliprona 4,5% (7 mg) e 4,9% (14 mg) para semaglutida oral Como foi o estudo O ACHIEVE-3 (NCT06045221) é um ensaio clínico de Fase 3, randomizado e aberto, realizado nos Estados Unidos, Argentina, China, Japão, México e Porto Rico. O objetivo primário foi demonstrar que a orforgliprona não seria inferior à semaglutida oral na redução da HbA1c após 52 semanas, comparando as doses mais baixas e mais altas de cada medicamento. Os participantes que receberam orforgliprona iniciaram com dose de 1 mg ao dia, com escalonamento gradual a cada quatro semanas até atingir as doses de manutenção de 12 mg ou 36 mg. Já os participantes em uso de semaglutida oral começaram com 3 mg ao dia, também com aumento progressivo até 7 mg ou 14 mg. Caso não tolerassem a dose, os voluntários podiam reduzir uma vez para a etapa anterior, respeitando as doses mínimas previstas no protocolo. O programa global de desenvolvimento clínico de Fase 3 ACHIEVE já recrutou mais de 6 mil pessoas com diabetes tipo 2 em cinco ensaios de registro. Segundo a companhia, os resultados detalhados dos estudos restantes são esperados para o fim deste ano.

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