Noruega deve investigar ligações com Epstein enquanto escândalo se espalha pela Europa
2026-02-06 - 13:25
A Noruega deve abrir uma investigação sobre seu próprio Ministério das Relações Exteriores por causa de ligações com o financista americano Jeffrey Epstein, condenado por crimes sexuais e morto em 2019. O país é um dos vários da Europa atingidos por um escândalo que, até agora, não provocou grandes repercussões políticas nos Estados Unidos. A divulgação, na semana passada, de um grande volume de novos arquivos revelou uma série de conexões inéditas de Epstein com políticos, membros da realeza e bilionários. LEIA TAMBÉM: Caso Epstein: Departamento de Justiça dos EUA divulga mais 3 milhões de arquivos e diz que não protegeu Trump No Reino Unido, o futuro do primeiro-ministro Keir Starmer se tornou mais incerto após a decisão, no ano passado, de nomear Peter Mandelson — que manteve uma relação próxima com Epstein — como embaixador em Washington. O irmão do rei Charles III, Andrew Mountbatten-Windsor, já havia sido obrigado a abrir mão de seu título real e de uma residência luxuosa. Agora, cresce a pressão para que ele preste depoimento nos Estados Unidos. Na Eslováquia, o assessor de segurança nacional do primeiro-ministro Robert Fico renunciou após a revelação de e-mails em que discutia mulheres jovens com Epstein. Já na França, o ex-ministro da Cultura Jack Lang vem sendo pressionado a deixar o cargo de presidente do Instituto do Mundo Árabe. Noruega no centro do escândalo Epstein A Noruega, sede do Prêmio Nobel da Paz e frequentemente um polo da diplomacia internacional, parece enfrentar um impacto especialmente forte. Figuras públicas como a princesa herdeira Mette-Marit e o ex-primeiro-ministro e ex-ministro das Relações Exteriores Thorbjoern Jagland passaram a ser alvo de novo escrutínio. Também estão sob análise o ex-chanceler Boerge Brende, atualmente presidente do Fórum Econômico Mundial; a embaixadora Mona Juul, que atua na Jordânia e no Iraque; e seu marido, Terje Roed-Larsen. Jagland também foi presidente do Comitê Norueguês do Nobel. Juul e Roed-Larsen ajudaram a criar o canal secreto de negociações entre a Organização para a Libertação da Palestina e o governo de Israel que resultou nos Acordos de Oslo, firmados entre 1993 e 1995. Todos já eram conhecidos por terem tido vínculos com Epstein, mas os novos arquivos trouxeram detalhes adicionais sobre essas relações. Segundo a imprensa norueguesa, a maioria dos partidos no Parlamento do país está disposta a apoiar a abertura de uma investigação independente sobre o Ministério das Relações Exteriores. O primeiro-ministro Jonas Gahr Stoere, no entanto, prefere que a apuração fique a cargo do principal órgão de controle do Parlamento — o Comitê Permanente de Fiscalização e Assuntos Constitucionais — e não de um grupo independente, informou o jornal VG nesta sexta-feira. Na quinta-feira, a unidade de polícia especializada em crimes econômicos da Noruega informou que investiga Jagland sob suspeita de corrupção agravada. O advogado do ex-premiê disse que seu cliente está confiante de que provará sua inocência e irá cooperar com as autoridades. Investigação por corrupção O Ministério das Relações Exteriores afirmou que vai tentar retirar a imunidade diplomática de Jagland, concedida por ele ter sido secretário-geral do Conselho da Europa entre 2009 e 2019. O Conselho da Europa informou que realizou uma investigação interna em dezembro de 2025 e janeiro de 2026, após a divulgação de arquivos sobre Epstein em novembro. “Estamos acompanhando de perto os novos desdobramentos, e eventuais medidas adicionais serão adotadas conforme necessário”, disse um porta-voz. Roed-Larsen e Juul não responderam imediatamente aos pedidos de comentário enviados, respectivamente, ao advogado dele e ao ministério. Juul foi afastada do cargo enquanto responde a uma investigação interna. Brende afirmou que não tinha conhecimento do passado nem das atividades criminosas de Epstein quando se encontraram pela primeira vez, em 2018, e disse lamentar não ter feito uma verificação mais aprofundada. Documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos mostram uma extensa troca de e-mails entre Epstein e a princesa herdeira Mette-Marit, inclusive após ele ter sido condenado por crimes sexuais contra menores, em 2008. A princesa pediu desculpas. A família real norueguesa já enfrenta outros desafios. Marius, filho de Mette-Marit de um relacionamento anterior ao casamento com o príncipe herdeiro Haakon, responde atualmente a um processo por estupro e violência doméstica.