Muralha de 15 km com pedras vulcânicas e óleo de baleia no Cerrado pode ter surgido de forma natural, diz pesquisador
2026-03-23 - 12:10
Muralha construída com pedras vulcânicas e óleo de baleia no meio do Cerrado A muralha de 15 km com pedras vulcânicas e óleo de baleia, que está localizada em Paraúna, na região oeste de Goiás, pode ter surgido de forma natural, segundo o pesquisador e geólogo Silas Gonçalves. A atração turística se tornou um verdadeiro mistério no município e está dentro do Parque Estadual de Paraúna (PEPa), composto pela Serra das Galés e pela Serra da Portaria. Conhecida também como Muralha de Ferro, a origem da formação foi alvo de estudos e teorias ao longo dos anos. Em entrevista ao g1, Silas explicou que a formação rochosa nasceu de um dos maiores eventos vulcânicos continentais conhecidos, associado à fragmentação do supercontinente Gondwana e abertura à do Oceano Atlântico Sul, há mais de 130 milhões de anos. "Esse evento originou a Província Magmática Paraná, responsável pela emissão de grandes volumes de lava basáltica que recobriram extensas áreas do sul e centro do Brasil", detalhou o geólogo. ✅ Clique e siga o canal do g1 GO no WhatsApp Após o resfriamento, o material transforma-se em basalto, uma rocha vulcânica que apresenta fraturas conhecidas como juntas de resfriamento. Os blocos que compõem a muralha ficam segmentados. Para Silas, esse aspecto também está relacionado à atuação da natureza. Isso porque o processo de desgaste — a erosão natural — revelou o alinhamento dos blocos vulcânicos, resultando no relevo linear característico da muralha. Muralha de Pedra, em Goiás Weimer Carvalho/O Popular Dessa forma, para o geólogo, a formação observada na muralha é natural e foi causada pela combinação de: Derrames basálticos cretáceos: grandes volumes de lava que se espalharam pela superfície há milhões de anos e depois endureceram, formando o basalto; Fraturamento térmico do basalto durante o resfriamento: quando essa lava esfriou, ela encolheu e acabou rachando naturalmente; Fraturas poliédricas no basalto: essas rachaduras formaram blocos com vários lados, meio "geométricos", em vez de pedras irregulares; Controle estrutural de lineamento geológico NE, NW: as direções dessas fraturas seguem padrões do próprio terreno, alinhadas em certos sentidos (tipo nordeste e noroeste); Erosão diferencial entre basaltos e rochas sedimentares encaixantes: com o tempo, as partes mais frágeis ao redor foram se desgastando mais rápido, deixando o basalto mais resistente em destaque. Em relação ao óleo de baleia, o coordenador da unidade de conservação do PEPa, Danilo Lessa, afirmou que, atualmente, pesquisadores acreditam que a substância seja, na verdade, um dique de diabásio — rocha fundida (magma) que escoou pelas fissuras e se solidificou no interior das fendas da muralha. LEIA TAMBÉM: MISTÉRIO: Muralha construída com pedras vulcânicas e óleo de baleia no meio do Cerrado intriga pesquisadores, em Goiás Machu Picchu de Goiás, Parque Estadual de Paraúna tem área de preservação ampliada Formações rochosas de milhões de anos em formato de tartaruga e até cálice: conheça cidade em Goiás que conta com paisagens impressionantes Belezas de Paraúna Conhecido como Machu Pichu de Goiás, o Parque Estadual de Paraúna fica situado aproximadamente 160 km de Goiânia e em 2025 teve a área de preservação ampliada em 29,5%, passando de 3.250 hectares para 4.208,77, após a sanção de uma lei estadual. Para além dos mistérios da Muralha de Ferro, a região local possui outras atrações, como cachoeiras, como a Cachoeira do Desengano, considerada uma das mais bonitas pelos visitantes. O local também conta com rochas com formatos de tartaruga, cálice, chapéu, e outras figuras (veja abaixo). Galerias Relacionadas Visitas ao local Cachoeira do Desengano, em Goiás Reprodução/Prefeitura de Paraúna De acordo com o Governo de Goiás, o principal acesso ao parque é pela GO-411. Após acessar a rodovia, a entrada da unidade de conservação é indicada por placas e fica a cerca de 30 quilômetros da cidade. Para chegar às formações geológicas, os visitantes precisam andar uma distância de aproximadamente um quilômetro a pé. A localização do parque possui altitudes que variam entre 690 e 890 metros acima do nível do mar. O PEPa é aberto ao público e as visitas podem ser realizadas entre às 7h e 17h. 📱 Veja outras notícias da região no g1 Goiás. VÍDEOS: últimas notícias de Goiás