Mulheres sem véu e de minissaia: como era o Irã antes da Revolução Islâmica e por que a ideia de uma 'monarquia liberal' é contestada
2026-03-03 - 07:23
Monarquia iraniana também foi violenta Quase cinquenta anos após a Revolução Islâmica, o príncipe da antiga monarquia afirmou que está disposto a liderar uma transição no Irã, algo visto como improvável por especialistas. O debate reacende comparações entre o regime do xá e a atual república islâmica. AO VIVO: Acompanhe a cobertura do conflito em tempo real O que é e o que faz um aiatolá? E o líder supremo do Irã? O governo monarquista passou a ser lembrado por alguns como mais liberal principalmente pela abertura ao Ocidente e pelos costumes mais flexíveis nas grandes cidades, onde mulheres podiam circular sem véu e usar roupas como minissaia (veja no vídeo acima) — um contraste com a rígida polícia de costumes do regime atual, que mata mulheres que não seguem a vestimenta adequada. Essa imagem, porém, convivia com outra realidade: a de uma monarquia absolutista violenta com maioria da população pobre. "Esse mesmo governo do xá, que tem essa imagem liberal, essa imagem de ter sido um governo tolerante, é governo que tinha a polícia política, que tinha prisões, que tinha torturas, que tinha centros de tortura em que pessoas desapareciam", contou o historiador Filipe Figueiredo ao Fantástico. Irã antes da Revolução de 1979: um país aberto ao ocidente, mas sob uma monarquia absolutista violenta Reprodução / Fantástico Os Pahlavi A dinastia Pahlavi tomou o poder num golpe militar há 100 anos. O primeiro monarca, avô do candidato ao trono, ficou no comando até a Segunda Guerra Mundial. Numa posição geográfica estratégica — entre a União Soviética e o Império Britânico —, o Irã foi ocupado por ambos, então aliados. Os britânicos tinham um interesse adicional: o acesso ao petróleo iraniano, ameaçado em 1951. "Os iranianos elegem um líder social-democrático que vai buscar a nacionalização do petróleo como meio de garantir o desenvolvimento do país, como meio de garantir divisas para o desenvolvimento e industrialização do Irã", diz o historiador. Dois anos depois, apoiado pelos ingleses, o xá dá um golpe e depõe o primeiro-ministro. "Como consequência desse golpe, nós vamos ter uma concentração de poderes na mão da monarquia, na mão do xá". A crise atual do regime fez ressurgir a figura de Reza Pahlavi, filho de Mohamed Reza Pahlevi, o último xá do Irã e último líder antes da Revolução de 1979, que depôs o monarca. Quem pode liderar o Irã agora? Herdeiro da antiga monarquia quer comandar transição de poder no país Fantástico Mas quem quer a volta da monarquia? O principal apoio vem de fora, dos iranianos que foram exilados com a família real. "Essa comunidade da diáspora é uma grande apoiadora da família da dinastia Pahlavi. Já dentro do Irã, a situação é mais multifacetada. O apoio a ele já não é tão grande assim", explica Figueiredo. O analista Paulo Hilu diz que a monarquia teria apoio de alguns setores, como os comerciantes, e se favorece da falta de memória. A maior parte da população nasceu e cresceu depois da revolução que depôs o xá em 1979. "Na verdade, o príncipe não é nenhuma alternativa, ele representa justamente esse descrédito geral das figuras políticas dentro do Irã. Tendo dito isso, ele voltar sobre bombas americanas israelenses e tanques americanos israelenses, obviamente, não vai garantir com ele nenhuma legitimidade", comenta o coordenador do núcleo de estudos do Oriente Médio na Universidade Federal Fluminense (UFF). O que se espera para o futuro do Irã? Ouça os podcasts do Fantástico ISSO É FANTÁSTICO O podcast Isso É Fantástico está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts, trazendo grandes reportagens, investigações e histórias fascinantes em podcast com o selo de jornalismo do Fantástico: profundidade, contexto e informação. Siga, curta ou assine o Isso É Fantástico no seu tocador de podcasts favorito. Todo domingo tem um episódio novo.