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'Muito desesperador', diz médico brasileiro surpreendido com fechamento do espaço aéreo em Doha

2026-03-02 - 18:03

Médico recifense relata tensão após mísseis cruzarem céu de Doha “Na hora, foi tudo muito desesperador. Os celulares começaram a apitar, todo mundo ficou sem entender nada”. O relato é do neurocirurgião recifense Ulycélio Ferreira, que estava em Doha, no Catar, com a esposa, a engenheira química Gabriela da Fonte, quando o Irã lançou mísseis contra bases militares dos Estados Unidos no Oriente Médio. O casal viu projéteis cruzando o céu da cidade e teve o voo de volta ao Brasil cancelado após o fechamento do espaço aéreo (veja vídeo acima). O conflito no Oriente Médio foi iniciado no sábado (28), após semanas de tensão, com os Estados Unidos e Israel lançando uma ofensiva militar contra o Irã, alegando risco iminente ligado ao programa nuclear iraniano. ✅ Receba as notícias do g1 PE no WhatsApp Segundo o médico, o casal chegou a Doha às 4h30 do sábado (28), após sair de Tóquio, no Japão, em um voo da Qatar Airways. Eles fariam uma conexão de 22 horas antes de seguir para São Paulo no domingo (1o), às 1h50, e decidiram aproveitar o intervalo para conhecer a cidade. Durante visita ao Museu Nacional do Catar, os celulares de quem estava no local começaram a emitir um alerta de segurança nacional (confira imagem abaixo). Alerta de emergência nacional enviado no Catar após interceptação de mísseis Reprodução/WhatsApp “Minha esposa estava no banheiro, saiu desesperada. Um funcionário local disse: ‘Foi emitido um alerta de segurança nacional, pelo que está escrito aqui. Os Estados Unidos e Israel acabaram de atacar o Irã, então o Irã está retaliando de volta, não só a Israel, mas a todas as bases militares americanas que estão aqui. Esse aviso manda ficar dentro de casa, dentro dos prédios, dentro dos seus hotéis’”, relatou. O ataque ocorreu em meio à escalada das tensões entre os dois países e levou o Irã a lançar mísseis contra bases americanas no Oriente Médio. Parte dos disparos foi interceptada por sistemas de defesa aérea, e países da região adotaram medidas emergenciais, como o fechamento do espaço aéreo, diante do risco de novos ataques. “Começamos a ver várias interceptações de mísseis, muitos barulhos, nos deixando bastante assustados. [...] O local da interceptação, dava para ver que é mais ou menos na altura que um avião voa, quando você olha para o céu. Você via que era longe da cidade. A gente viu o traçado da fumaça, mas aparentava ser um pouco mais longe do local que a gente estava. Você via aquele rastro de fumaça passando e o barulho grande da interceptação”, contou. Ulycélio Ferreira registros rastro de mísseis no espaço aéreo do Catar Acervo pessoal/Reprodução Segundo ele, apesar do susto, não houve cenas de pânico generalizado. “As pessoas começaram a ficar meio que sem entender nada, mas também não houve um desespero muito grande, uma evacuação imediata do museu, por exemplo. Muitas pessoas, pelo que entendi, ficaram sem entender nada”, disse. Ao retornarem ao aeroporto, Ulycélio e Gabriela descobriram que o espaço aéreo do Catar havia sido fechado por tempo indeterminado. Inicialmente, o voo para o Brasil aparecia como mantido, o que aumentou a incerteza sobre a partida. Ao longo do dia, porém, a companhia aérea informou que a viagem estava cancelada. “A gente voltou para o aeroporto e, nesse momento inicial, ficou aquela tensão, aquela incerteza sobre o que iria acontecer depois. O voo acabou sendo cancelado, a gente ficou meio sem informação, mas depois as coisas foram normalizando”, afirmou. Após o ataque, o Aeroporto Internacional de Hamad foi evacuado e os passageiros, realocados para hotéis na cidade. Ulycélio e Gabriela foram levados para um hotel em um bairro mais afastado e aguardam a reabertura do espaço aéreo para retornar ao Brasil. “Eles [Qatar Airways] evacuaram a gente, trouxeram um grupo gigante de pessoas, foram mais de 50 ônibus, levaram todo mundo para um salão de eventos e começaram a distribuir vouchers, direcionando as pessoas para os hotéis. Todo mundo começou a entrar nos ônibus e a gente foi distribuído e evacuado para esses hotéis. Estamos aqui nesse hotel desde ontem”, contou. O casal também entrou em contato com a embaixada brasileira no Catar e realizou cadastro para acompanhamento da situação. Segundo o neurocirurgião, eles estão seguindo todas as orientações do governo local e permanecem sob assistência da companhia aérea enquanto aguardam os desdobramentos do conflito. Apesar da escalada, ele afirma que a intensidade dos ataques diminuiu. “Basicamente, [estão sendo atacado] a base aérea americana e alguns locais de infraestrutura local daqui, tipo a Qatar Energy, uma produtora de energia, de gás natural, que fica na zona industrial, que também é distante dessa zona civil. [...] Os mísseis diminuíram bastante. Na primeira noite, 111 mísseis e drones foram interceptados”, apontou. A escalada entre Estados Unidos e Irã reacendeu o temor de um conflito mais amplo na região. Para Ulycélio, apesar do susto inicial, a situação no local onde estão hospedados é de segurança e tranquilidade relativa. O casal segue aguardando a reabertura, ainda que parcial ou temporária, do espaço aéreo nos próximos dias. “Apesar da escalada, a gente acredita, pelas informações que a gente filtrou, que nos próximos dias haverá a reabertura do espaço aéreo para a gente conseguir embarcar”, afirmou. VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias

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