MPF denuncia ex-presidente do Rioprevidência e mais três por suspeita de obstrução à Justiça
2026-03-27 - 22:40
Ex-presidente do Rioprevidência é denunciado por sumiço de provas O Ministério Público Federal do Rio de Janeiro denunciou quatro pessoas por suspeitas de praticarem obstrução à Justiça e de integrarem uma organização criminosa. Entre os denunciados está Deivis Marcon Antunes, ex-presidente do Rioprevidência, e apontado como responsável por mandar desligar câmeras do prédio onde mora e retirar do local pastas e malas. Quando a Polícia Federal chegou ao apartamento em que Deivis reside não encontrou documentos do Rioprevidência. Os investimentos do instituto são investigados pela PF. O Rioprevidência investiu R$ 970 milhões no Banco Master. De acordo com a denúncia, houve divisão de tarefas e atuação coordenada entre os envolvidos. Também foram denunciados: Rodrigo Schmitz - Empresário, que segundo o MPF, transportou objetos para outro apartamento no mesmo prédio a pedido de Deivis Bruno Elias Hins - Responsável pela empresa de segurança que presta serviços no prédio onde Deivis mora. Aroldo Morais Elliot - motorista de Deivis e responsável por levar um Porsche para Santa Catarina. O MPF pediu a condenação dos quatro denunciados e o pagamento de uma indenização mínima de R$ 660 mil, além da perda de bens ligados ao caso. Em 15 de janeiro de 2026, as câmeras do prédio onde mora Deivis Marcon Antunes foram desligadas por cerca de 30 minutos. O prédio fica em Botafogo, na Zona Sul do Rio. Em depoimento à PF, o porteiro confirmou que Deivis, síndico do prédio, ligou para ele pouco antes das 11h pedindo que desligasse as câmeras. Durante este período em que malas, caixas e documentos foram retirados do apartamento de Deivis. Ele é investigado pelos investimentos de R$ 970 milhões do Rioprevidência em letras financeiras do Banco Master. Depoimentos de funcionários reforçaram que, na noite daquele dia, houve intensa movimentação no prédio. Imagens do circuito de segurança, parcialmente recuperadas pela perícia, comprovaram a ação. A polícia descobriu que um segundo apartamento também era utilizado por Deivis Marcon. Em 23 de janeiro, durante uma operação de busca e apreensão da Polícia Federal, a estratégia dos denunciados atrasou a ação policial. Segundo a denúncia, quando os agentes conseguiram avançar, o apartamento de Deivis já estava praticamente vazio. Para os investigadores não se trata de coincidência. Cada movimento teria sido calculado para ganhar tempo e esconder provas. Em menos de 10 dias, câmeras foram desligadas, imagens desapareceram e até um carro de luxo foi levado do Rio de Janeiro para Santa Catarina. Segundo o MPF, essas ações tinham como intenção driblar a Polícia Federal. Em 25 de janeiro, dois dias depois da operação da Polícia Federal, Bruno Elias Hins, outro denunciado pelo Ministério Público Federal, é responsável pela empresa de segurança do prédio e é suspeito de apagar imagens das câmeras internas a pedido de Deivis. Ainda segundo o MPF, entre os dias 25 e 26 de janeiro, o quarto envolvido na denúncia, o motorista de Deivis, Aroldo Morais Elliot teria levado um Porsche do Rio de Janeiro a Santa Catarina, numa tentativa de evitar a apreensão e ocultar patrimônio. A Polícia Federal afirma que, embora o veículo estivesse em nome de Rodrigo Schmitz. O veículo seria utilizado por Deivis e pela esposa.