Motorista que teve carro coberto por papéis diz que foram cerca de 50 folhas grudadas com fita adesiva
2026-03-27 - 14:40
Comerciante cobre carro com avisos após motorista parar em vaga exclusiva em Goiânia A motorista que teve o carro coberto por papéis após estacionar em uma das vagas exclusivas para clientes de um loja, em Goiânia, relatou que foram cerca de 50 folhas A4 grudadas com fita adesiva. O material foi retirado no dia seguinte pela proprietária da loja, após a motorista ter voltado lá e solicitado que quem tivesse feito aquilo deveria retirar. Em nota divulgada à imprensa pela defesa, a loja de calçados, que fica no Setor Bueno, reconheceu que a atitude "excedeu o bom senso", mas que o comportamento não é "o padrão de conduta do estabelecimento, que preza pelo respeito e pela boa convivência com a comunidade". Disse, ainda, que a dona do carro notificou a loja, pedindo ressarcimento para lavagem e polimento do veículo, e que o comércio "prontamente respondeu à notificação com intuito de conciliação amigável" (leia a íntegra da nota ao final da reportagem). O caso aconteceu na Rua T-38, na sexta-feira passada (20). Em entrevista ao g1, a motorista de 20 anos, que é assistente de vendas e pediu para não ser identificada, contou que deixou o carro no local por volta das 14h, para trabalhar, e, ao retornar, por volta das 20h, se deparou com a cena. "Foram grudadas em todos os lugares possíveis do carro: placa, até nas duas rodas dianteiras, nas duas placas de identificação do carro, tanto a da frente quanto a traseira, no para-brisa, nas janelas, no teto...", descreveu. Motorista teve o carro coberto por avisos após estacionar o veículo em vaga de uma loja de calçados, no Setor Bueno, em Goiânia Arquivo pessoal/ Motorista do carro LEIA TAMBÉM Motorista que teve carro coberto por papéis ao estacionar em vaga exclusiva de loja diz que está revoltada: 'Situação constrangedora' Comerciante que cobriu com papéis carro de motorista que estacionou em vaga exclusiva reconhece que atitude 'excedeu o bom senso' Motorista que teve carro coberto por papéis ao usar vaga exclusiva diz que tentou conversar com dona de loja, que não se desculpou Caso viralizou O caso ganhou repercussão depois da situação ter sido filmada por um corretor de imóveis que passou pelo local naquela noite. O vídeo que ele publicou no Instagram viralizou. Até esta sexta-feira (27), a publicação tinha quase 26 mil visualizações. Na ocasião, Makley Claudino, de 38 anos, filmou e disse, em tom bem-humorado: "Nós, de Goiânia, somos gente boa, mas não pisa no calo que é problema!" À reportagem, a motorista destacou que a situação foi muito constrangedora e que ela foi exposta. Enquanto aguardava a chegada do namorado, na calçada, a cena foi motivo de piada entre os transeuntes. "Várias pessoas que passavam na rua ficavam rindo do carro, tiravam foto...", relatou. A jovem também contou que tentou dialogar com a proprietária, mas que ela não lhe deu abertura para conversar. Também não houve pedido de desculpas. Ao entrar na loja e pedir para quem tivesse feito aquilo desfazer, a comerciante respondeu "ah, é somente isso?" e começou a retirar os papeis junto com a gerente da loja, ou seja, a sua funcionária. Ao g1, a assistente de vendas disse compreender o lado da comerciante, mas que nunca havia passado por algo semelhante quando colocou o veículo em outras vagas. Ela cita, por exemplo, outra vez em que ela deixou o carro estacionado, em frente a outra loja, e o proprietário deixou um pequeno bilhete na janela do carro, dizendo apenas "estacionamento exclusivo para clientes, por favor não estacione". O que diz a legislação Em entrevista à TV Anhanguera, o gerente de fiscalização da Secretaria Municipal de Engenharia de Trânsito (SET), Eduardo Mariano, explicou que, quando o estabelecimento recua o seu lote, ou seja, ele deixa de construir naquele espaço, como é o caso da loja de calçados, o proprietário ou locatário pode restringir as vagas para os seus clientes. Mas não cabe ao poder público a aplicação de multas para quem não estiver consumindo e parar o veículo no local. "Isso é um estabelecimento privado. A SET não tem competência para autuar, notificar e nem remover nenhum veículo, por exemplo, de quem não seja cliente da loja", esclareceu. O caso vale, porém, apenas para as situações de recuos e não para as calçadas, que são públicas e destinadas aos pedestres. Mariano acrescenta que a Resolução 965/2022, do Contran, regulamentou o tema, dizendo que a via pública não pode ser objeto de restrição de estacionamento privado. O g1 também entrou em contato com a Prefeitura de Goiânia, por meio da Diretoria de Fiscalização, solicitando mais esclarecimentos sobre o caso, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. Leia a íntegra da nota enviada pela defesa da Calçatti: "A empresa LELOY COMÉRCIO DE CALÇADOS LTDA, nome fantasia CALÇATTI, vem a público prestar os seguintes esclarecimentos sobre o episódio recentemente divulgado nas redes sociais: A CALÇATTI lamenta o ocorrido e reconhece que a atitude adotada excedeu o bom senso. Não é esse o padrão de conduta do estabelecimento, que preza pelo respeito e pela boa convivência com a comunidade. Esclarece, contudo, que o estacionamento em questão está situado dentro do lote onde a empresa está localizada, sobre o qual incide IPTU regularmente recolhido. O recuo foi construído para uso exclusivo da clientela, e o estabelecimento possui alvará de funcionamento em plena regularidade. Destaca, ainda, que o rebaixamento da calçada não suprimiu vagas públicas na via, uma vez que o trecho é sinalizado com placa de proibição de estacionamento. Dessa forma, o espaço de recuo não se confunde com vaga pública. Por fim, informa que a proprietária do veículo apresentou notificação com pedido de ressarcimento para lavagem e polimento do veículo, e que a CALÇATTI prontamente respondeu a notificação com intuito de conciliação amigável". 📱 Veja outras notícias da região no g1 Goiás.