Mãe denuncia agressão a filho autista por professor em escola inclusiva de Cabo Frio: 'colocaram ele no ônibus machucado'
2026-03-17 - 13:10
Jovem diagnostica com autismo de nivél três de suporte no Hospital em Araruama Arquivo Pessoal A mãe de um jovem diagnosticado com autismo, nível de suporte 3, e transtorno do desenvolvimento denuncia que o filho foi agredido por um professor na Escola Municipal Renato Azevedo, instituição inclusiva de Cabo Frio, na Região dos Lagos do Rio. O estudante, Davi Elias Júnior, de 21 anos, está internado no Hospital Roberto Chabo, em Araruama, com fratura no colo do fêmur, e aguarda uma cirurgia marcada para esta terça-feira (17). Segundo o relato da responsável ao g1, Cristina da Conceição Costa, o caso aconteceu na última quarta-feira (11), durante o período de aula. O jovem teria se machucado dentro da unidade, mas a família só tomou conhecimento da situação ao buscá-lo no transporte escolar. “Eles foram omissos. Não me ligaram, não chamaram o bombeiro e ainda colocaram ele no ônibus machucado”, afirmou. 📱 Siga o canal do g1 Região dos Lagos no WhatsApp. Veja os vídeos que estão em alta no g1 “Quando eu fui pegar o Davi no ônibus, me disseram que ele tinha caído e não estava conseguindo andar. Eu tive que tirar meu filho no colo. Ele estava gemendo de dor”, relatou. De acordo com a mãe, mesmo diante do quadro, o estudante foi colocado no ônibus e enviado para casa sem que a família fosse comunicada ou que socorro fosse acionado. A responsável também questiona a versão inicialmente registrada pela escola, através da agenda do rapaz, na agenda do aluno, que indicava que ele teria “resistido a levantar, se desequilibrado e caído”. Após buscar esclarecimentos, ela afirma que a dinâmica apresentada não corresponde ao que foi posteriormente relatado por auxiliares. “Primeiro falaram que ele se desequilibrou. Depois, quando a direção conversou com os auxiliares, todos disseram que ele foi empurrado. Não foi uma simples queda”, contou. Conforme o relato, o jovem estava deitado em um tatame após a aula de educação física, quando foi chamado para ir embora. Ao resistir a se levantar, teria ocorrido o episódio que resultou na queda. A mãe afirma ainda que, mesmo após o ocorrido, o estudante foi obrigado a caminhar. “Fizeram ele andar da quadra até o portão. Só depois perceberam que ele não conseguia colocar o pé no chão”, contou. Ao chegar em casa, o jovem apresentava dificuldades para se movimentar e sinais intensos de dor. Ele foi levado inicialmente para atendimento de emergência em São Pedro da Aldeia, cidade onde mora. Após exames, foi identificada uma lesão, e uma tomografia confirmou a fratura no colo do fêmur. O estudante foi então encaminhado para internação em Araruama. A mãe relata ainda dificuldades durante o atendimento hospitalar. Segundo ela, o filho permaneceu por dias sem acesso a leito. “Fiquei três dias com ele na sala de medicação, sem leito. Ele é um jovem autista, precisava de cuidado, e ninguém da escola apareceu para dar suporte”, afirmou. O g1 entrou em contato com a Prefeitura de Cabo Frio, que informou que está apurando o caso. Registro de Ocorrência Após a repercussão do ocorrido, de acordo com a mãe, a Secretaria Municipal de Educação registrou um boletim de ocorrência sobre o episódio, que passou a ser investigado pela Polícia Civil como lesão corporal culposa. De acordo com o registro, o fato teria ocorrido no momento da saída dos alunos, quando o jovem foi conduzido ao ônibus escolar, ocasião em que teria sido empurrado, caído e se lesionado. O caso teria sido presenciado por auxiliares de classe e comunicado posteriormente à direção da unidade. A mãe, no entanto, afirma que não concorda com a forma como o registro foi feito, já que, segundo ela, a ocorrência foi formalizada sem a presença da família. “Meu marido foi lá depois, mas não assinou nada. Quem tem que fazer o boletim somos nós. Eles fizeram sem a nossa presença”, disse. A responsável informou ainda que pretende registrar um novo boletim de ocorrência após a realização da cirurgia, com base no laudo médico completo, e reforça que também considera que houve omissão por parte da instituição. “Agora eu preciso cuidar do meu filho. Depois vamos correr atrás dos direitos dele”, declarou. O caso segue sob investigação da Polícia Civil, e medidas administrativas internas foram iniciadas pela rede municipal de ensino.