Médica é denunciada por homicídio após morte de paciente em mini lipo em Montes Claros
2026-03-16 - 22:03
Foto ilustrativa de Estetoscópio médico Marcos Santos/USP Imagens Uma médica foi denunciada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) por homicídio qualificado após a morte de uma paciente durante um procedimento popularmente conhecido como mini lipo, em Montes Claros. Segundo informações divulgadas pelo MPMG, o crime foi classificado como homicídio por dolo eventual, quando a pessoa assume o risco de matar, qualificado por motivo torpe. A mulher, de 41 anos, morreu em 11 de dezembro de 2025. 📲Clique aqui para seguir o canal do g1 Grande Minas no WhatsApp Por meio de nota, o advogado de defesa, Warlem Freire, informou que teve conhecimento do oferecimento da denúncia e aguarda a decisão do juiz sobre o recebimento ou não da acusação. “A defesa se manifestará em momento oportuno e provará que essa denúncia vai no sentido contrário de tudo que a jurisprudência vem sedimentando. Não há qualquer razoabilidade em se imputar dolo eventual nesse caso, e a defesa provará o equívoco ministerial, ainda que tenha que percorrer todas as instâncias judiciais.” 'Sequência de erros', diz delegada sobre conduta de médica indiciada por morte de paciente em MG Polícia investiga morte de mulher durante procedimento estético em MG Veja os vídeos que estão em alta no g1 De acordo com o MPMG, a Mini Extração Lipídica Ambulatorial (Mela), conhecida como mini lipo, foi realizada em um consultório alugado, que originalmente funcionava como sala de fisioterapia. “A investigação apurou que a acusada, graduada há cerca de um ano e sem especialização em cirurgia plástica, realizou o procedimento em local desprovido de estrutura de centro cirúrgico e sem alvará sanitário para intervenções invasivas. Durante o ato, a médica administrou sedação venosa com propofol sem a presença de um anestesiologista e sem equipamentos adequados para monitorização cardíaca ou controle de dosagem.” O MPMG considerou que a técnica usada foi “grosseiramente arriscada”, já que “a cânula (pequeno tubo usado no procedimento) foi introduzida em profundidade incompatível com a segurança, atingindo o retroperitônio e a artéria femoral da paciente”. Ainda conforme o MPMG, a mulher sofreu choque hemorrágico, com perda intensa e repentina de sangue. “Ela morreu no local, que não tinha itens básicos de socorro, como desfibrilador ou oxigênio.” O MPMG sustentou que a médica agiu por motivo torpe, “movida por interesse econômico, ao oferecer procedimentos de baixo custo, reduzindo despesas essenciais com segurança e equipe técnica”, e pediu para que ela seja julgada no Tribunal do Júri, por se tratar de um crime contra a vida. Além disso, requereu que a denunciada pague indenização aos herdeiros da vítima. Vídeos do Norte, Centro e Noroeste de MG Veja mais notícias da região em g1 Grande Minas.