TheBrazilTime

Juiz considera ilegal atitude da defesa e nega pedido que poderia adiar júri de motorista acusado de matar manifestante do MST

2026-03-20 - 10:50

Luís Ferreira tinha 72 anos e morreu após ser atropelado em ato do MST em Valinhos (SP) Arquivo pessoal A Justiça negou o pedido da defesa que poderia adiar novamente o julgamento do motorista acusado de atropelar e matar um manifestante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), em Valinhos (SP), em julho de 2019. A decisão foi tomada nesta quinta-feira (19). O juiz considerou “ilegal” a atuação dos advogados na primeira tentativa de realizar o júri. Segundo ele, o julgamento chegou a começar em novembro do ano passado, mas foi interrompido quando a defesa abandonou o plenário em protesto após ter um pedido anterior de adiamento negado. Para o juiz Geraldo Fernandes Ribeiro do Vale, essa atitude foi ilegal e provocou o próprio adiamento do julgamento. Leo Luiz Ribeiro, que tinha 60 anos à época do caso, chegou a ser preso preventivamente, mas atualmente responde ao processo em liberdade. Ele avançou com a caminhonete sobre um grupo de moradores da ocupação “Marielle Vive”, levando à morte de Luis Ferreira da Costa. Outras cinco pessoas ficaram feridas, entre elas um jornalista que gravava o ato. Polícia prende suspeito de atropelar idoso em manifestação do MST, em Valinhos. Reportagem exibida em julho de 2019. Nova tentativa Desta vez, a defesa solicitou um novo sorteio de jurados com base na lista de 2026, além do adiamento da sessão marcada para 25 de março. O juiz, porém, entendeu que não há justificativa para isso. Ele destacou que o sorteio dos jurados já havia sido realizado em outubro de 2025, com a presença da defesa, que não apresentou nenhuma contestação naquele momento. Por isso, avaliou que não faz sentido alterar a composição agora, o que poderia abrir margem para tentativas de mudança apenas por discordância com os nomes sorteados. Além disso, o pedido foi feito poucos dias antes do julgamento, o que, segundo o juiz, indica uma tentativa de atrasar o processo. Com a decisão, o júri foi mantido para a próxima quinta-feira (25), às 9h. Relembre o caso Ribeiro fugiu do local após o atropelamento, mas foi preso em Atibaia (SP) após ter o carro identificado pelo vídeo de um ônibus parado na manifestação e que flagrou o atropelamento. Em depoimento à Polícia Civil, que durou duas horas, Ribeiro alegou que acelerou a caminhonete por medo. LEIA TAMBÉM: Idoso morto em ato do MST trabalhava de pedreiro e era aluno de escola de alfabetização para adultos da ocupação Cinegrafista atropelado em ato do MST em Valinhos: 'Não foi um acidente. Ele quis fazer o que fez' O delegado Júlio César Brugnoli, titular do 1o DP de Valinhos, contou que o suspeito disse não ter percebido que havia matado alguém e que acelerou depois de o carro ser cercado pelos manifestantes. Ao todo, cerca de 400 pessoas participavam do ato, sendo que metade do grupo ocupava a estrada. O trânsito estava bloqueado quando a caminhonete avançou. Segundo o advogado do movimento, Alfredo Bonardo, o motorista estava em alta velocidade. A ocupação Marielle Vive se estabeleceu em uma área na Estrada do Jequitibá em 14 de abril de 2018. Segundo o MST, cerca de 1 mil famílias vivem no local. O idoso vítima do atropelamento era morador. Integrantes do MST protestam pela morte do idoso atropelado na ocupação Marielle Vive em Valinhos. Wesley Justino/EPTV VÍDEOS: tudo sobre Campinas e região Veja mais notícias sobre a região no g1 Campinas

Share this post: