Júri popular condena três réus pelo assassinato do advogado Rodrigo Crespo
2026-03-07 - 01:33
A Justiça do Rio condenou nesta sexta-feira (6) os três réus pela morte do advogado Rodrigo Marinho Crespo, em fevereiro de 2024 no Centro do Rio. Foram condenados em júri popular, por homicídio triplamente qualificado e concurso de pessoas: Leandro Machado da Silva. Cezar Daniel Mondego. Eduardo Sobreira de Moraes. O PM Leandro Machado da Silva, o "Cara de Pedra', segundo as investigações, providenciou os carros usados no crime. Cezar Daniel Mondego de Souza, o "Russo", foi apontado pela acusação como responsável por monitorar a vítima. Já Eduardo Sobreira de Moraes foi apontado pela polícia como o responsável por seguir os passos de Rodrigo, dirigindo o carro para Cezar enquanto acompanhavam a movimentação da vítima antes do assassinato. Os três viraram réus no processo em abril de 2024, quando a denúncia do Ministério Público foi aceita. Na decisão, Leandro, que é PM, foi afastado do cargo. De acordo com as investigações, os réus se encontraram antes e depois do crime, inclusive perto do batalhão onde Leandro trabalhava. As investigações da DH da Capital indicam que os criminosos já estavam atrás de Rodrigo desde o dia 5 de outubro de 2023: anotações com as placas dos veículos de Crespo foram encontradas nos celulares de um dos investigados, no dia em que ele foi a uma festa em Ipanema. A partir da esquerda: Sobreira, Machado e Mondego, réus pelo assassinato de Rodrigo Crespo Henrique Coelho/g1 Motivo do crime, segundo o MP Para o Ministério Público, o desejo da vítima de entrar no mercado de bets e abrir uma casa de apostas em Botafogo, na Zona Sul do Rio, foi o motivo de sua execução. A zona sul, que até o início de 2023 era dominado por Bernardo Bello, representando da família Garcia, tinha mudado de mãos para o bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho. “Ele (Crespo) queria montar esse Sports Bar na área do patrão deles”, pontuou o promotor do MP-RJ, referindo-se aos réus Machado, Sobreira e Mondego. Cezar Daniel Mondego, um dos acusados da morte do advogado Rodrigo Marinho Crespo, afirmou no júri popular do caso que seguiu o advogado após ter sido contratado por um marido traído. Segundo ele, a vítima estaria tendo um caso com uma mulher casada. “Questionado ontem, ele disse que o nome do contratante era Márcio. O sobrenome? Não sei. O telefone? Não tenho porque apaguei ele”, relembrou o promotor Bruno Faria, do Grupo de Atuação Especializada em Júri (Gaejuri) do MP. “Não basta matar, ainda tem que macular a memória da vítima.” Polícia indicia três pessoas por morte do advogado Rodrigo Crespo Defesas O advogado Diogo Macruz chamou as acusações contra Leandro Machado de “caça às bruxas”: “Não temos uma prova de que Machado mandou matar o nosso colega advogado, monitorava a vítima e tampouco falava sobre esta morte com alguém”, afirmou. Os advogados de Cézar Daniel Mondego afirmaram que ele não sabia dos verdadeiros motivos do monitoramento de Rodrigo. Durante seu interrogatório ele afirmou que teria sido contratado por um marido que tinha saído traído. A defesa também negou qualquer vinculação de Mondego a uma organização criminosa comandada por Adilson oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho. “As falas do Ministério Público se baseiam em presunções”, pontuou o advogado Bruno Castro. A defesa de Eduardo Sobreira dizia que ele era motorista de Mondego e que não fazia ideia do motivo de estarem seguindo Crespo. “Motorista e amigo de Cézar Mondego há 28 anos e dirigia pra ele há alguns meses. Não tem nenhuma prova. Eduardo em momento algum tem ciência do que poderia acontecer. Não responde por organização criminosa”, pontuou Felippe C. Teixeira.