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Irã condena ganhadora do Prêmio Nobel a mais 7 anos de prisão

2026-02-08 - 16:55

Quem é Narges Mohammadi, ganhadora do Nobel da Paz de 2023 O Irã condenou a ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, Narges Mohammadi, a mais de sete anos de prisão. O anúncio foi feito neste domingo (8) pelo advogado de defesa dela na rede social X. Segundo ele, um dia depois da sentença ser proferida por um Tribunal Revolucionário na cidade de Mashhad. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Mohammadi está na cadeia desde dezembro, quando foi presa pelo regime Khamenei. Em 2023, ela ganhou o Nobel por ser uma das líderes da luta contra a opressão às mulheres no Irã. "Ela foi condenada a seis anos de prisão por 'conspiração e conspiração' e a um ano e meio por propaganda. E recebeu uma proibição de viajar por dois anos", disse ele. Procurado pela agência de notícias Associated Press, o governo iraniano não confirmou a informação do advogado. Narges Mohammad Narges Foundation Archive via AP Há quatro dias, na quarta-feira (4), a fundação da ativista iraniana, que tem sede em Paris, afirmou ter recebido informações confiáveis de que ela havia iniciado uma greve de fome na segunda-feira, dia 2, “em protesto contra sua detenção ilegal e as condições graves em que está sendo mantida, realidades enfrentadas por inúmeros presos políticos atualmente detidos no Irã”. Narges Mohammadi, de 54 anos, já foi presa diversas vezes pelo regime iraniano e havia sido libertada da prisão em caráter temporário em dezembro de 2024 por questões de saúde. Quando foi presa em dezembro, ela estava em uma cerimônia em homenagem a Khosrow Alikordi, um advogado e defensor dos direitos humanos iraniano de 46 anos que residia em Mashhad. Uma das líderes da luta histórica das mulheres no Irã contra a opressão do atual regime e as leis rígidas a iranianas, ela se tornou a grande voz da chamada revolução feminina do país do Oriente Médio em reação à morte de uma jovem presa por conta do uso incorreto do véu islâmico. (Leia mais abaixo) Veja os vídeos que estão em alta no g1 Revolução feminina Narges Mohammadi também se tornou a grande voz dos protestos no Irã desencadeados pela morte de Mahsa Amini em 2022, nos quais mulheres desafiaram abertamente o governo ao se recusarem a usar o hijab. A jovem de 22 anos viajava de férias com a família pelo Irã quando foi abordada pela chamada polícia da moralidade — que fiscaliza o cumprimento das normas de vestimentas impostas a mulheres iranianas. Ela foi presa por "uso incorreto" do véu, segundo a polícia iraniana. Dois dias depois, sob custódia policial, foi internada em estado grave, com lesões na cabeça, e morreu no hospital. A morte desencadeou um dos maiores movimentos contra o regime do Irã, acusado de oprimir mulheres. Essas foram as manifestações desde a Revolução Islâmica de 1979. Ao todo, mais de 500 pessoas foram mortas e 20 mil foram presas. Como simbolismo, as mulheres começaram a retirar o véu — cujo uso, no Irã, é obrigatório — e queimá-lo em protestos. Mohammadi e três outras prisioneiras queimaram seus véus em memória do aniversário da morte de Amini e publicou um texto no Instagram, administrado por sua família, contra o véu obrigatório: "Neste regime autoritário, a voz das mulheres é proibida, o cabelo das mulheres é proibido (...) Não aceitarei o hijab obrigatório".

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