Indígenas invadem terminal portuário de multinacional do agronegócio em Santarém
2026-02-21 - 13:43
Liderança indígena explica motivos da invasão ao terminal de multinacional Indígenas das região do baixo, médio e alto Tapajós, que há 31 dias bloqueiam o acesso de veículos ao complexo portuário de Santarém, no oeste do Pará, em protesto contra o decreto 12.600/2025 que inclui a hidrovia do Tapajós no Plano Nacional de Desestatização (PNE), invadiram o terminal da multinacional do agronegócio (Cargill) na madrugada deste sábado (21), exatos 31 dias após o início da manifestação. ✅ Clique aqui e siga o canal g1 Santarém e Região no WhatsApp A decisão, de acordo com os indígenas, foi tomada em razão da falta de resposta do governo federal à principal reivindicação do movimento, que é a revogação do decreto assinado pelo presidente Lula em 28 de agosto de 2025, e também, por terem sido notificados por um oficial de justiça na manhã de sexta-feira (20), sobre a ordem de desocupação no prazo de 48 horas (a partir da notificação) para desocupação da área onde o protesto é realizado. "Nossa decisão não foi impulsiva nem violenta. Foi construída coletivamente, a partir da escuta dos mais velhos, de análises jurídicas e políticas e da indignação diante do Decreto no 12.600, assinado pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que autoriza a privatização e concessão de trechos estratégicos dos rios Tapajós, Tocantins e Madeira. Estamos aqui porque defendemos o direito de existir. Durante trinta dias aguardamos posicionamento oficial do Governo Federal", diz trecho da carta aberta do Conselho Indígena Tapajós Arapiuns. O CITA diz que solicitamos diálogo com a Presidência da República, a Casa Civil e o Ministério dos Transportes sobre os impactos do decreto nos territórios indígenas e nas comunidades tradicionais atingidas pelo chamado "Arco Norte", mas que não houve resposta efetiva até este sábado. Balsa carregada com grãos interceptada por indígenas no porto da Cargill em Santarém-PA Coletivo Apoena Audiovisual Em rede social, a liderança indígena Olisil Oliveira também explicou os motivos da invasão, que segundo ele, ocorreu de forma pacífica, e afirmou que os indígenas só deixarão o local quando presidente Lula revogar o decreto. "Nesse exato momento a gente ocupou o espaço onde acontece o monitoramento da Cargill, e a gente faz isso porque hoje completa 31 dias de resistência sem nenhum posicionamento do governo em relação à revogação do decreto que privatiza o rio tapajós e abre pra dragagem do rio pra fortalecer essa empresa aqui. E essa ocupação aconteceu de forma pacífica, aonde os trabalhadores foram tirados, tiveram a oportunidade de pegar seus pertences e sair daqui. Em nenhum momento houve agressão a esses trabalhadores. E a gente vai continuar aqui até o presidente revogar o decreto", disse Olisil Oliveira. Plano de emergência Por meio de nota, a Cargill disse que na noite de sexta-feira (20), sofreu duas ações violentas promovidas por manifestantes atingiram os ativos da empresa. A primeira, no escritório central da empresa, em São Paulo (SP), onde um grupo de pessoas vandalizou a fachada do edifício. Horas depois, o terminal portuário de Santarém (PA), que há 30 dias tinha sua portaria de caminhões bloqueada por grupos indígenas, foi invadido pelos manifestantes. Segundo a Cargill, o plano de emergência foi imediatamente acionado e os funcionários que estavam no local, diante da ameaça à sua integridade, procuraram abrigo em local fechado até que pudessem ser evacuados de forma segura. "Nesse momento o terminal segue ocupado e com fortes indícios de vandalismo e depredação dos ativos. Desde o início das ações, a Cargill vem reiterando seu respeito ao direto manifestação e a despeito de não ingerência sobre a pauta apresentada, segue tendo suas operações impactas e, nesse momento, integralmente interrompidas. A companhia, que já tem ordem judicial para a desocupação, segue em contato com as autoridades para que as providências para desocupação sejam tomadas de forma ordeira e segura", disse a Cargill. O g1 solicitou posicionamento do Ministério dos Portos e da Secretaria da Presidência da República e aguarda retorno. Leia também: Indígenas ocupam prédio de empresa do agronegócio em protesto contra projeto de dragagem de rio no PA Após 14 dias de ocupação do porto de Santarém, indígenas bloqueiam estrada de acesso ao aeroporto Indígenas liberam estrada de acesso ao aeroporto de Santarém TRF1 revoga decisão de plantão judiciário e mantém ordem de desocupação do porto de Santarém Ibama recomenda manutenção da suspensão de qualquer iniciativa de dragagem no Rio Tapajós *Reportagem em atualização VÍDEOS: Mais vistos do g1 Santarém e Região