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Impasse na Área Azul em Americana vira disputa judicial e gera Centro vazio e queixas de cobranças abusivas

2026-03-24 - 22:50

Serviço de Área Azul tem causado queixas em Americana Reprodução/EPTV Um impasse no estacionamento rotativo de Americana (SP) motivou uma disputa judicial entre a Prefeitura e a Estapar, concessionária responsável pelo serviço desde 2018, e gerou um esvaziamento do Centro, além de queixas de usuários sobre possíveis cobranças abusivas. O imbróglio é motivado pelo suposto uso de um carro na fiscalização da Área Azul, o que é proibido por contrato. Em dezembro de 2025, o município chegou a anunciar a suspensão do serviço, mas a empresa conseguiu uma liminar para continuar a operação. O vínculo é válido até 2028 - leia mais abaixo. ✅ Participe do canal do g1 Campinas no WhatsApp Uma das reclamações dos motoristas é sobre a notificação por não ter pago a vaga, que estaria sendo aplicada aos motoristas sem aguardar o tempo de tolerância. Em nota, a Estapar disse que, ao estacionar, o motorista tem um prazo de 10 minutos para registrar e pagar a tarifa. Isso pode ser feito via aplicativo, terminais de autoatendimento (parquímetro), agentes de rua, comércios credenciados e a Central de Atendimento ao Usuário. "A empresa reforça, no entanto, que a forma mais rápida é o uso do aplicativo Zul+. Nele, o usuário ativa a vaga diretamente do celular, com opções de pagamento como cartão de crédito, débito, Pix, Google Pay e Apple Pay", completou. Sobre o imbróglio judicial, a concessionária afirmou que não se manifestará. Denúncia que viralizou e sindicância Suposto Volkswagen Polo da Estapar fiscalizava carros da Área Azul em Americana Reprodução A primeira denúncia sobre o problema viralizou nas redes sociais em junho de 2025. Um homem filmou um Volkswagen Polo equipado com câmeras, que supostamente seria da Estapar, estacionado em uma rua do Centro. Nas imagens, ao perceber que o denunciante estava gravando um vídeo, o motorista do veículo foge do local. Mesmo assim, o homem persegue e diz que o carro "é para pegar o povo de Americana". A repercussão motivou a prefeitura a criar uma comissão para apurar o caso. Esse grupo, formado por representantes da administração e parlamentares, concluiu que o Polo vinha sendo utilizado para fiscalizar carros estacionados na Área Azul que não pagaram a tarifa. "Existia um carro descaracterizado. Existiam arquivos do sistema da Estapar que não estavam claros. Muitos deles os dados foram subtraídos e constavam a informação de que o veículo foi fiscalizado por videomonitoramento", relatou o chefe de gabinete da Prefeitura de Americana e membro da comissão, Franco Sardelli. "Isso estava bem claro no sistema. Eram feitas notificações aos veículos em uma mesma rua, dentro de um espaço de um quilômetro, a cada dois segundos. Um fiscal humano não consegue fazer isso. Nem se tivessem 10 fiscais na mesma rua", ponderou. O desfecho da investigação foi reforçado por um relatório da Guarda Municipal de Americana (Gama), que mostra trajetos do veículo equipado com câmeras em horários e locais coincidentes com os lançamentos de Taxas de Pós-Utilização (TPUs). 🔎 O que é a TPU? É uma notificação colocada no para-brisa do carro e aplicada ao motorista que estacionou em uma vaga da Área Azul e não pagou a tarifa. A tarifa regular varia de R$ 1,35 a R$ 10,70 para veículos de passeio e de R$ 0,55 a R$ 4,30 para motos, dependendo do tempo de estacionamento adquirido. Já a TPU tem custo de R$ 25, valor que pode ser quitado em até 72h. Se a taxa não é paga, vira multa de R$ 195,23 e cinco pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH). A utilização do carro teria dado origem a um número elevado de cobranças lançadas contra os usuários. Desde 2023, o uso é proibido por contrato, que só permite a fiscalização feita por "fiscais humanos". Suspensão e disputa judicial Por conta do que foi apurado pela comissão, a prefeitura anunciou, em dezembro de 2025, a suspensão do contrato com a Estapar. Também foi ajuizada uma ação para produção antecipada de provas. A intenção é que peritos analisem equipamentos e computadores da empresa para confirmar a suposta irregularidade e sustentar um rompimento unilateral. Essas perícias ainda ocorrerão. Em janeiro deste ano, a Estapar entrou com outro processo na Justiça e conseguiu uma liminar para derrubar a suspensão e, consequentemente, continuar operando o serviço. Desde então, a prefeitura tem tentado reverter a situação. Embora o Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) tenha se manifestado favoravelmente pela interrupção do contrato até o julgamento do mérito, o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP) pediu a manifestação da Procuradoria Geral de Justiça. Centro vazio e queixas População culpa Área Azul pelo baixo movimento do Centro de Americana Reprodução/EPTV Enquanto o impasse não é resolvido, o Centro da cidade tem sofrido com vagas ociosas e baixo movimento. Usuários, consumidores e comerciantes também têm se queixado de cobranças abusivas. Em entrevista à EPTV, emissora afiliada da TV Globo, a desempregada Renata Azenha David contou que estacionou o seu carro em uma vaga para pegar um objeto em uma loja e, quando retornou ao veículo ainda dentro do tempo de tolerância, percebeu que tinha sido notificada. "Eu acho uma pouca vergonha. Acabaram com o Centro de Americana. Essa rotatividade que eles ficam com o carrinho escondido, eles multam realmente. O que acontece com a população? Tem medo de vir ao Centro", disparou. O comerciante Romildo das Neves Bezerra afirmou que o imbróglio tem afetado as vendas e que a Área Azul se tornou um "comércio de multas". "Hoje, o comércio, do jeito que está, tem 70% das lojas fechadas, gente falindo. Onde você vai hoje o comércio está sem moral, sem dinheiro. Você para por 15 minutos, pega o ticket e quando volta, já tem a multa", disse. Por sua vez, Mário Nilton Pegorari tem um comércio há 36 anos no Centro e relatou que o estacionamento rotativo reduziu a quantidade de consumidores. O cenário, segundo ele, tem se agravado ao longo dos anos por conta da "indústria das multas". "Isso faz as pessoas não quererem voltar mais. Não voltam. Prejudica o comércio. É uma coisa negativa. Por que vou lá no Centro de Americana? Para tomar multa?", questionou. A situação tem impactado até mesmo o mercado imobiliário, segundo a corretora Daiane Antunes Sena. Ela relatou que, quando a prefeitura anunciou a suspensão do contrato com a Estapar, a procura por imóveis na região central aumentou. Porém, semanas depois, com a liminar conquistada pela concessionária, vários interessados desistiram de comprar ou alugar. "As pessoas falavam para a gente que quando a Área Azul sair voltariam a falar com a gente. Tem impactado muito. Todo mundo que entra em contato com a gente pergunta sobre a Área Azul e se vai acabar. Eu mesma já levei várias multas", disse. VÍDEOS: Tudo sobre Campinas e Região

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