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Harry Styles acerta em disco meio 'diferentão' e mostra que 'sumiço' faz bem para um popstar

2026-03-04 - 21:43

Harry Styles mostra lado mais 'experimental' e dançante em disco novo Título: "Kiss All The Time. Disco, Occasionally" Artista: Harry Styles Nota: 8/10 Harry Styles andava sumido, mas está de volta. Ele lança o álbum "Kiss All The Time. Disco, Occasionally" nesta sexta (6) e dá para dizer que o disco é experimental — para os padrões dele, pelo menos. O ex-One Direction não lançava álbuns solo desde "Harry’s House", de 2022. Aquela foi uma fase frutífera para ele, mas também um tanto polêmica. Foi a época do controverso "Não Se Preocupe, Querida", em que o bafafá dos bastidores foi mais assunto que o próprio filme. Também foi quando ele levou o Grammy de Álbum do Ano, superando o aclamado "Renaissance", de Beyoncé. E ainda que isso não seja culpa dele necessariamente, o discurso que o cantor fez não ajudou. Em suma, o clima não estava bom para seguir na ativa. Então, Harry fez uma coisa que todo artista grande devia fazer: deu um respiro na imagem e foi viver a vida. "Kiss All The Time. Disco, Occasionally" é inspirado por esse tempo em que ele foi mais gente como a gente (ou o mais próximo disso, já que ainda era um ricaço na Europa). Ele foi avistado fazendo maratonas, passeando pelas ruas de Roma e até acompanhando o anúncio do novo Papa em 2025. Além disso, Harry diz que andou indo muito em shows e baladas, vendo tudo de um lugar que ele nunca esteve: do meio da multidão. Isso se reflete na produção e na mixagem de "Kissco" (apelido que o álbum ganhou dos fãs porque, convenhamos, que título enorme). Nesse disco, a voz de Harry aparece quase sempre processada, mergulhada em efeitos e dobras, e raramente é a protagonista das músicas. É como se ele estivesse com você no meio da galera, cantando enquanto uma batida eletrônica ecoa no fundo. Isso já é uma dica de como esse álbum vai por um lado pouco óbvio para Harry. Afinal, ele se fez como cantor de pop rock nostálgico, uma espécie de membro do Fleetwood Mac com roupas estampadas de coração. Mas "Kissco" mostra um lado moderninho do músico, que não ganhou a fama de descolado à toa. Harry Styles no clipe de 'Aperture', lead single de 'Kiss All The Time. Disco, Occasionally.' Divulgação/Stella Blackmon Apesar de ter "disco" no nome, o álbum não segue a modinha disco pop que cansamos de ouvir nos últimos anos. Ele resvala em influências da música disco oitentona, sim, mas as faixas são menos redondinhas que se esperaria. O conjunto está mais para um dance pop indie, na linha de Metronomy e Bloc Party, digno do line-up do Lollapalooza nos anos 2010. Em faixas como "Aperture" e "Are You Listening Yet", não restam dúvidas que Harry andou ouvindo LCD Soundsystem. Um destaque é "Season 2 Weight Loss", uma faixa com beat meio desencaixado, em que ele canta quase como se estivesse falando. Essa é a mais “estranha” do disco e, por isso, uma das mais interessantes. De modo geral, Harry abandona aquela estrutura típica de canção pop com refrão chiclete. Muitas músicas crescem e se revelam aos poucos, com loops, sintetizadores e trechos instrumentais dançantes. Harry Styles em foto para o disco 'Kiss All The Time Disco Occasionally' Divulgação No meio dos sons eletrônicos, ainda estão os instrumentos orgânicos — dos quais Styles nunca abriu mão — como piano, coros, cordas e uma bateria caprichada. E linhas de baixo, destaque na funky "Dance No More". É a música com mais potencial de hit, que bebe da água do lado mais mainstream do Prince. Sem tanto molho, claro, mas não deixa de ser uma ótima música pop. O que impede esse álbum de ser tudo o que promete são as baladas, especialmente a penúltima faixa, "Paint by Numbers". É uma música ancorada no violão, até bonita, mas que entra quase repentinamente em um momento-chave do disco. Quebra o clima que vinha sendo construído. Parece que ele ficou com medo de arriscar demais, o que é uma pena. Se Harry tivesse mergulhado de vez na pista, fosse para curtir ou para chorar, esse seria um excelente álbum. Mas não deixa de ser um trabalho que traz um frescor à discografia dele. Harry nitidamente ganhou inspiração e fôlego ao fugir um pouco dos holofotes. Afinal, até estrelas pop precisam viver. E sempre é animador ver um artista desse porte tentar novos caminhos, sem medo de desagradar os fãs das antigas. No fim das contas, é isso que separa os hitmakers de hoje dos popstars que seguem relevantes ao longo do tempo.

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